domingo, 17 de maio de 2020

Carta aberta de um aprendiz feliz

Fé!



Muitas vezes eu gosto de apresentar ensinamentos sob a forma de curtas sentenças, colocadas em sequência, e com isto busco atingir uma maneira apropriada para fortalecer na mente do estudante o sistema de pensamento que aprecio e sigo. Acredito que esta seja uma característica importante para um professor honesto. Um professor deve ensinar bem o que aprende, mas deve acreditar naquilo que ensina para que ele mesmo possa aprender melhor, como diz o Livro Texto. Acho que algo parecido pode ser encontrado naquela famosa frase do magnifico escritor João Guimarães Rosa: “mestre não é quem ensina, mas quem, de repente, aprende”. Isso não significa, no entanto, que um professor seja perfeito naquilo que ensina ou aprende. O professor que acredita estar acima ou melhor que seus alunos está incorrendo em especialismo para consigo mesmo. De toda forma, o melhor método de ensino é o amor, mas o erro também pode convencer pelo contraste.

Assim, venho dar um relato pessoal diante do panorama que quero desenvolver para minha vida, que é este: ser um trabalhador em milagres em meu cotidiano e um professor de Deus diante do UCEM. Isso não significa que eu não vá cometer erro algum. Como bem diz o Livro Texto, isso apenas significa que não há nenhum deles que eu queira manter privadamente ou conduzindo minha vida para um efeito de culpabilidade, diante de um contexto paralisante.

Isso tampouco quer dizer que vou divulgar meus erros literalmente em um edital. Não se trata disto e não recomendo a ninguém que o faça, a não ser que queira, como disse outro mestre, o psicanalista Carl Jung, atrair para si a ruína moral. No entanto, não quero esconder meus erros mantendo-os sem entregá-los todos para a correção do Único que pode fazer a correção verdadeira de minha percepção equivocada. Em outras palavras, quero entregar tudo ao Espírito Santo para que Ele possa fazer o que é melhor para mim diante do fato cada vez mais claro de que eu nada sei.

E quanto mais percebo esse “não-saber”, mais feliz eu fico e melhor aprendiz me torno. É um paradoxo para o ego dizer que “não-saber” é “saber”, mas tal afirmação está sendo promulgada neste mundo desde os tempos de Sócrates e se consolida cada vez mais em tempos de despertar como uma consideração válida. Tal pressuposição não se perpetuaria por tanto tempo na história se fosse apenas um slogan. E por falar em slogan, gosto de falar que não sou muito favorável a slogans. Afirmações do tipo: “somos todos um”, “nossa mãe terra” ou “precisamos viver em harmonia” não passam de palavras vazias, se não houver repercussão em nossa vida prática.

Demorei para entender que o UCEM é a vida prática. O mais importante é viver os ensinamentos para que eles possam surtir efeito real, mesmo que para isso você tenha que parecer em alguns momentos um tipo desagradável e irritante. Crianças gritam quando lhe tiram uma tesoura que lhes poderia machucar ou quando lhe alertam sobre algum ponto de vista para o qual ainda não estão preparadas para perceber como saudável. Isso acontece comigo também, muitas vezes, por isso é preciso estar vigilante. De toda forma, e ainda diante disto, é importante se ater ao fato de que não sabemos de tudo. Portando, não nos cabe querer dar uma de herói e buscar regular o mundo. Eu sou uma criança também e não entendo nada, como diz a música de Erasmo. Mas já aprendi que cair de um precipício é muito ruim e que não dá para desistir no meio da queda. E não vai adiantar gritar slogans do tipo: “o amor me ama!”, para se salvar.

Meu ensino é duro porque minha vida foi marcada pela dureza. Lidei com isso convertendo este rigor em disciplina, pois tudo o que pude alcançar nesta vida me veio através do estudo. Assim, para mim, um bom estudante é aquele que estuda o conteúdo e não fica apenas preso a considerações intuitivas. Eu não sou perfeito neste tópico também; tampouco acredito que a intuição não tenha imenso valor e não é isso que estou querendo dizer, absolutamente! Mas se há um livro, um texto e um método, eu quero ler o texto para bem aprender o método.

E se eu aprender a ponto de professar, quero professar o método, diante de seu valor e sua consistência. O texto do UCEM é bastante consistente e eu não tenho como me ater a ele sem divulgar sua mensagem. Assim, tudo que faço acredito, e peço ao Espírito Santo que corrija minhas crenças quando estiverem equivocadas.

Finalmente, gostaria de terminar exaltando o valor do estudo para a consolidação do aprendizado. Acho que aprender é estar vivo, mas um apoio “teórico” cai muito bem. Algumas pessoas aprendem o conteúdo do UCEM muito facilmente e eu acredito que isso esteja ligado de alguma forma a uma questão do estabelecimento da crença pela abertura à fé. Existem outras, no entanto, que tem muita dificuldade e precisam de ajuda. Eu ajudo para que eu possa viver melhor e me ajudar também. Eu procuro fazer como faz aquele rio, que é o Milton Nascimento, quando diz: “eu tenho esses peixes e dou — de coração”. Não sou perfeito, mas sou perfeito como Deus me criou e é para lá que tenho que olhar junto com meus irmãos. Obrigado e bom final deste dia!