Em não me entender,
Lancei-me ao caos;
E quis entender todo o caos.
Em não entendê-lo,
Achei-me como ele;
E perdi metade dos dentes.
Ó fruta maldita,
Que jamais saibo ler:
Tomé acredita,
O corpo quer ver.
Perdidos no vulto do tempo,
(Donde vim? Pron’ vou?)
Metade de mim é resposta:
Não sei — Eu Sou.
sábado, 12 de outubro de 2013
quarta-feira, 9 de outubro de 2013
O instante santo
Um irmão pode acolher
a ti amorosamente, mas sua intenção dada em alternativa pode te parecer obscura,
pois teu irmão pode parecer “obscuro” nesta intenção, dificultando que o vejas
ou entendas o que ele diz. Palavras podem sair claramente de sua boca e tu não o
entendes. Palavras claras que dizem de clarezas que tu podes entender, mas não
percebes. Um irmão na rua, um amigo no facebook, uma ocorrência de “acaso”, um
pretexto de informação, uma necessidade quaisquer de comunicação podem prover
vetores para a salvação, mediante o instante santo. Se não quiseres o instante
santo, as palavras que o envolvem podem não alcançar sentido para ti, bem como
o ato sem palavras de “estar no instante santo” pode ser bastante dificultado
pelo medo de ficar bem.
O medo de
ficar bem. Isso soa insano para qualquer um, pois as diretrizes do ego também
visam “fazer bem” a ti. Todo mundo quer “ficar bem”, mas não estão dispostos ao
verdadeiro bem. Perdoar é estar aberto à comunicação. Enquanto ainda julgas, buscarás
pressupostos para a comunicação que visem proteger-te de ti mesmo. Preferes,
então, apenas aquilo que entendes como ego. Daí: as palavras serão
incompreensíveis porque não estás “maduro” ou “não são para ti”; os acasos
serão julgados como “sinais” ou “símbolos de ordem” e não verás que fabricas o
mundo que vês; os adventícios de anjos não serão permitidos, pois “cada um”
está buscando “à sua maneira”; e por aí se vai a fraquejar pelas crenças em que
o mesmo pode ser julgado como diferente. Temes o mesmo, pois o mesmo é a mesma
coisa, e a mesma coisa somente pode ser uma coisa só.
No entanto,
podes categorizar o mundo. Veja como ele é uma construção perfeita para te
distrair. Podes ir para a praia, onde vês o mar: calmo, grandioso etc. Não
podes, entretanto, ir à favela? Ah, mas lá os símbolos são feios, e muita
pobreza e sofrimento etc. E o sertão? Também não. Oriente Médio? Calabar? Preferirias
o Taj Mahal? Percebes o jogo?
Não existem “lugares”,
pois o espaço é uma crença na aparição física de duas ou mais coisas. Ora, mas não
se vá daqui às tolices, pois não estamos a dizer que deves mesmo crer que podes
estar em qualquer lugar ou em nenhum lugar ao mesmo tempo, como diz o UCEM, sem
perceber verdadeiramente que as diferenças entre todos não existem. Se o
fizeres, sem perceber verdadeiramente a unidade, estarás apenas a repetir uma
sensação de dândi: uma figura que se insere em um nada conceitual, e assim
perceberás uma unidade exótica. Isso é outro jogo enganador. O UCEM diz: há
vários deles; e adverte isto sobre a economia: vais a experimentar todos?
É perda de
tempo, rapaz! Não existe o medo, mas precisas deixar de temer o medo. A gaiola
do medo é feita com barras de receio: “talvez, seu eu for cauteloso aqui ou
ali, não percebam isto ou aquilo, então, mais tarde, eu deixo que ocorra a
abertura, e então, o agora, etc”. Tudo conceito. Bobo tonto de querer achar que,
achando, encontrará. Está aqui, mas não vês porque crês que tens que te
defender para encontrar um lugar só teu! Isso é a base do especialismo, será que
não vês? Defender-te garante apenas tua idiotia. A gaiola do medo está aberta
com uma placa posta sobre a porta escancarada, donde se lê: perdoe! Ora, se
perdoas em mim, porque não perdoarias em todos os teus irmãos, IRMÃOS, ajuda
nisto.
Tu és a luz do
mundo. Tu és a salvação do mundo. A salvação do mundo depende de ti, que és
humilde. Enquanto quiseres te adormecer, em sonho de isolamento em bobo tonto,
serás para ti mesmo bobo tonto. No entanto, és amado por Deus de modo que não
podes sequer perceber, pois esperarias ainda uma punição pela tua “desobediência”.
Não escutas o que o amor diz, queres ainda subverter o teu querer até conseguir
provar que és o contrário de ti mesmo, mas escuta: o contrário de nada não
existe, não podes ser o contrário do teu corpo. A dureza da lição vem da
teimosia em perdoar. Então, não perdoarias isso, sequer?
Sei que virás,
sem demora, conforme entendes o que é dito sem julgar. Mas saiba que a abertura
verdadeira te foi apresentada hoje e negaste a teu irmão. Não esperes o galo
cantar mais três vezes! Ora, sobre ti edificarei a minha fé, a minha luz e a
nossa salvação. Não renegues a teu irmão por acreditares em conceitos. O instante
santo é para ti e está à tua disposição agora, não o temas novamente. Não estás
sozinho nisto, e verás apenas o amor chegar, com a palma da mão estendida e os
anjos da anunciação em belos lírios. Aceita ao teu irmão em instante santo,
pois eu não vou te deixar sem resposta, amado amigo, irmão.
Precisamos de
ti. Que venhas sem demora, e não espere pelo que não podes mais ater como
conceito. Viva o instante santo agora. Viver é a dádiva da vida. Saia deste quarto,
entregue o que queres ao que vês, e terás o que vês no que queres.
Ainda temes
que a entrega possa te prejudicar. Essa crença na escassez deve-se a um
investimento em amargo sentimento de autopunição. Piedade de punição
inexistente eu não posso ter, mas sinto muita comiseração pela miséria que se
inflige. Quando um irmão se devota à miséria, uma lágrima cai do céu e são as
inundações de Noé claras em feridas de Jó. Mas não se desespere; embora eu não
possa ter pena de um irmão perfeito apenas porque ele esqueceu sua perfeição, posso
ajudá-lo a lembrar disto facilmente.
Aceita o
instante santo e não temas ao teu irmão. Ele não vai te ferir. Ele precisa de
ajuda tanto quanto tu. Não és apenas um perdido no mundo. Este mundo é um lugar
doente e precisa muito de ajuda. Cada ato de amor constrói realmente um mundo
melhor. Essa é a verdadeira e única revolução. Proteste contra tua falta de
amor amando. Abre-te todo ao teu irmão, sem reservas; ele não vai te ferir se
assim. E se ele te pedir ajuda em desamor, poderás ajudar ao teu irmão
verdadeiramente, sem ter dele piedade, mas em compaixão de vê-lo perfeito, pois
estás o recebendo perfeitamente — nele não vês nada que não seja a perfeição.
Ainda temes
que os teus improvisos de corpo possam te desidratar. Secos tempos são esses...
Mas Caymmi quem disse: o mar, quando quebra na praia, é bonito —— é bonito. Não
percas mais a oportunidade da beleza para investir em miséria. Precisamos de
ti, precisamos de tua companhia. Como pode o peixe vivo? Viver fora? Se vivo,
André!
Nada há a
temer.
Não estamos planejando
nada. O plano de Deus é perfeito e já está realizado. Não é preciso fazer nada
para realizar o certo. Fazer nada é estar aberto, pois não se teme o que já
está feito. Assim, se é humilde em aceitar apenas o belo e bom. Lírios para ti,
meu caro, e pedimos a Deus a revelação da Verdadeira Humildade. Para que
tenhamos fé perfeita nisso, o Espírito Santo está em ti para a Ajuda. Pedimos a
Ele que esteja em nossa guarnição perfeita, para que saibamos Quem Somos e o
que viemos a fazer aqui, conforme seja Sua Vontade a nossa, amém.
.
domingo, 8 de setembro de 2013
Sobre a ideia de ti mesmo
Uma ideia é uma referência. Ela não surge sem que haja uma fonte para si. As ideias surgem primeiramente em decorrência de ideias anteriores, mas é o pensamento que lhes dará forma. Se tiveres uma ideia, precisarás pensar em termos de uma crença nesta mesma ideia para que ela seja factível. Assim, a fonte da qual a ideia decorre favorece o pensamento que a perscruta.
O pensamento,
por sua vez, estabelece a crença. Assim, surge uma ideia, ela é “pensada” e a
partir de sua aceitação estabelece-se a crença. Por isso se diz que o mundo é
um mundo de ideias, pois o mundo é fundamentado nas crenças delas decorrentes.
O Um Curso em
Milagres diz: “Só no momento em que as crenças se fixam, é que as percepções se
estabilizam. Com efeito, então, de fato vês aquilo em que acreditas.”
Fortalecer as ideias que fornecem pensamentos estáveis e duradouros certamente
gera uma crença fixa, que produzirá em percepção as imagens daquela ideia inicial.
Por exemplo, se crês que tens sede, e tens a ideia da água, podes pensar que a
água mata a sede; portanto, tal fato é associado à memória da sede em si sendo
extinta pela ingestão de água. Essa ideia é tão disseminada e está tão distante
de sua origem, que é aparentemente impossível de ser questionada, assim como se
diz ser impossível mover as montanhas ou curar os doentes “incuráveis”.
Não digo que
se deva evitar beber água em estando com sede, mas aponto para a seguinte
noção: o óbvio das imagens do mundo é um costume
em alto investimento. As ideias favorecem o mundo em conformidade com os
pressupostos acessíveis em medo, e cada criação é substituída por um “fazer”,
que representa em ato a supressão de uma escassez. A água, por exemplo, é a
cura para a escassez em sede. A comida serve para escassez em fome. O medo,
para escassez em culpa. A escassez precisa existir para fundamentar o ego e
seus pressupostos. Precisas da propaganda do “mal” no mundo para fazer surgir a
propaganda do “bem”. Perguntas: e fumar? Mata? Pode matar. Beber estraga? Pode
estragar. Vícios existem? Podem existir etc.
A cada momento
escolhe-se em favor de Deus ou o ego. Não em cada momento em termos de tempo,
mas em cada instante, mesmo no mínimo pulsar, pois a escolha não é temporal em
essência. Vês o que queres, mas não estás pronto para ver o que não aceitas. As
tuas ideias podem favorecer teu andamento em função daquilo que não entendes, e
assim vês um mundo que não entendes. Contudo, se entenderes as ideias, entenderás
o mundo como uma compreensão em ideias, uma acepção em termos, pois o mundo é
percebido, não dado.
Por outra: a
estabilidade do mundo é uma noção de tal mundo como “compreensível”. Conceitos
como gravidade, tempo, memória etc, são pressupostos que constroem o mundo
“dado” conforme as ideias que nele são projetadas. Isso organiza as ideias e
posteriormente o próprio mundo. Novas ideias realmente trazem um Novo Mundo. Convém
que as ideias do Um Curso em Milagres sejam compreendidas, e mais que isso, aplicadas.
Os exercícios são o fundamento para a mudança de tua forma de pensar, que é
derivada de ideias falsas. Se Deus não existisse, a própria ideia de Deus seria
impensável. Somente neste mundo Deus existe, pois, no Reino, Deus É.
Então o que se quer dizer com a expressão
“Deus é uma ideia”?
Isso já foi
explicado acima. Vamos repetir. Uma ideia apreende para si um pressuposto em
pensamento. Existe um pensamento anterior à ideia. A ideia de Deus é um
pensamento que fornece à tua mente a noção de Deus, já que Deus, em formato
qualquer, jamais será “visto”, pois Deus não tem imagem. A imagem da água,
neste mundo aparente em formato líquido, inodoro, etc, é uma ideia que pressupõe
seus milhares de usos. A água é um diluidor de minérios em pressuposto de ser
rica transmissora de vida, e associa a si a riqueza do mundo como fonte de toda
a vida. Mas a imagem da água que surge do elemento água é anterior à sua
criação como ideia. Por outra: para que a água existisse, ela teve que ser “pensada”
ou poderíamos dizer “inventada”. Isso parece surreal para ti, e dá graças, pois
entender o surreal já é um passo para o início do escape deste mundo que te
ensinou que primeiro surgem os efeitos para, depois, surgir a causa; através de
investigações, suposições etc. Resumindo: parece que o mundo que vês te foi “dado”.
Agora, que nasceste nele, tens que se virar para “compreendê-lo”.
Não precisamos
de tanto engodo para entender sobre a natureza das ideias. Pensa agora nisto: o
que vês fora de ti foi pensando em ideia na tua mente, e agora parece que existe,
pois a ideia primeira — uma mordida na maçã — foi a de que algo existe em
pedaços, e uma dentada pode arrancar parte de um inteiro. Depois da primeira
ideia, um mundo surgiu, e tudo o que vês e pensas são ideias em manipulação. O
tempo é o confeiteiro do bolo das ideias, mudando suas formas em pressupostos
de antes e depois, e o que vês “antes e depois” parecem ser “causa e efeito”, pois
o passado é a causa do futuro e o presente é inapreensível. Este é o “jogo das
ideias” que, de fato, pode criar um mundo.
Tudo é uma
ideia. A mudança na forma de pensar, portanto, somente pode surgir através das
mudanças das ideias fundamentais. Em teu modo distorcido de pensar, as ideias
fundamentais visam compreender um mundo que te foi “dado”. Tu não tens
responsabilidade por ele, afinal de contas, foi criado por Deus, e tudo o que
ocorre de errado em tal mundo é culpa Dele. Precisas apenas entender o mundo.
Enquanto isso, estás a catalogar na mente um enredo no qual o mesmo é visto
como diferente, mas com o adicional de ser agora “explicado”. Então, em todo
julgamento, há uma ideia julgando uma ideia. Se vês uma dia chuvoso, e julgas
isto como sendo “mal”, um capricho de São Pedro, estás a compreender
equivocadamente que São Pedro é anterior a ideia de capricho, e que a chuva que
cai já caiu a milênios e milênios, pois é uma ideia repetida. Isto sim é
caprichoso.
E a ciência?
Todos os
feitos deste mundo podem ser desfeitos pelos milagres. Não há culpa em um
sistema de pensamento que desenvolveu modos de o pensamento entender a si
mesmo. Nisto, o ego se engalfinhou de fato, pois o fato de sua vaidade querer comprovar
que o que fez existe, forneceu a linguagem e seus dons, bem como meios de
entender o equívoco, posto que o bloqueio das extensões em criação é impossível.
Contudo, nada foi comprovado em essência até hoje e jamais o será, pois o
objetivo da ciência é pressuposto em condicionais. Os axiomas, entretanto, são
os fundamentos de ideias naturais, e derivam irrefutavelmente de abstrações. A
abstração é criação. Ideias criam em pressupostos e pensamentos são relações de
condicionais com tais pressupostos. Desta forma, e equivocadamente, o mundo
somente poderá ser compreendido como dado.
Para retomar o
modo correto de pensar da mente certa é preciso treinar tua mente através de
ideias surgidas de um Pensamento Perfeito. A forma que encontrei de ajustar
estes pensamentos ocorre através de Um Curso em Milagres. Treina a tua mente
com empenho, não em pensar sobre o curso, mas em saber que apenas a ideia que
tu te destes é irreal. Não és o criador de ti mesmo em ideia. És muito mais.
Assim como a água, quisestes dar vida em curso ao teu corpo. Isso não é
possível. Precisas perceber o significado de todas as coisas através de uma
única ideia. És responsável por aquilo que vês, mas não és aquilo que vês. Tua
mente abrange o que vês em totalidade e tu és Unidade. Quando estiveres pronto,
e isto te for revelado, mediante os preparos que aderes, saberás disso por si
mesmo.
.
domingo, 28 de julho de 2013
É possível perdoar o outro?
“Cada cara representa uma mentira
Nascimento, vida e morte — quem diria?!”
(Juventude Transviada — Luiz Melodia)
Não é possível ver outra pessoa realmente. As ideias transitam em formato corpo e cada uma representa um ego. Conforme sendo legião, este mundo aparenta cheio de pessoas. Algumas parecem amar algumas outras; elas se encontram, vão e vem, riem, choram, protestam, advogam por, mas sempre parecem incompletas a si mesmas. Esta sensação de incompletude nasce obviamente de um senso de limitação. Tal senso é percebido pelo vivente como sendo “a personalidade”, mas ele não crê que seja assim.
A identificação com corpos produz novos efeitos em egos. Cada vez que alguém se vê como um atributo, fortalece-se a ideia de uma personalidade. Sou feio: personalidade. Sou amável: personalidade. Sou pobre: personalidade. Sou justo, errado, tomado por medidas, alto, leve, ladrão, injustiçado, falta-me algo, estou completo: tudo personalidade julgando a si mesma como sendo isto ou aquilo.
A única coisa que se pode saber sobre o outro é que ele precisa de amor. Sempre se precisa de amor. O amor aumenta ao ser doado e neste mundo o outro serve como parâmetro em doação. Amar uma pessoa é não a perceber como um ser julgável. Seus atos transitam no tempo e podem ser julgados, pois quando houve “a queda”, imediatamente surgiu o direito. Mas o filho de Deus não habita em um corpo. Ele não pode ser julgado. Apenas o amor ao símbolo que a pessoa representa como se fosse apenas ego pode traduzir uma eleição em direção à mudança real, que é não ver-se em corpos.
Entenda: não há nada de errado com seu corpo, mas você não é seu corpo. Por isso Jesus diz na Bíblia: “não julgueis para não serdes julgado”. Julga-se a ideia que se vê em corpos como se fosse “um outro”, mas tal é apenas o julgamento do mesmo, promulgado em ideias. O corpo é uma ideia criada, que fatiou o Filho de Deus em várias partes, e cada parte acha que pode julgar a outra, como se o fígado pudesse julgar o rim ou o coração pudesse julgar o cérebro. Haja esforço, então, para se arranjar relações. Entender não é saber. Apenas assim o coração perdoa. Os significados dos símbolos são tautológicos.
Por que acreditas que este texto é difícil? Ele fala coisas simples, mas não parecem simples para ti porque preferes não crer nisto e seguir até um suposto fim, carregando esta coisa a que te deste nome como se te fosse útil. Ninguém completa ninguém. Contudo, dois ou mais podem se completar em Um. Se aceitas que as ideias são apenas promulgações do mesmo, a mesma ideia repartida em corpos são meramente ajustes. Por isso se diz no Um Curso em Milagres que “não precisas fazer nada”. Realmente, não precisas fazer nada para seres Quem És. Se fizeres alguma coisa ou se te faltar alguma coisa para seres quem és, tens que te estar “construindo”. Mas tu já foste criado em Deus, não precisas te reconstruir, precisas apenas desfazer teu ego, e para isso existem vários caminhos plausíveis. O meu é o estudo de Um Curso em Milagres.
Nenhum corpo irá iluminar-se. Ninguém vai "salvar-se" como sendo uma personalidade. Nenhum que pense “eu vou” está certo de coisa alguma. O mundo não vai melhorar através do direito, pois o mundo é uma ideia. O ajuste do mundo é um pressuposto impossível, que gira em intermináveis vicissitudes. Basta ver o desenvolvimento das eras, das civilizações; uma termina e dá início à outra e nenhum se aquieta. “O mundo é movimento”, dizem. Eu te digo: deixa o mundo aos mundanos, pois apenas assim poderemos trazê-los.
Ademais, não podes perdoar uma pessoa. Não perdoas uma ideia. “Tudo é uma ideia”, assim é ensinado no Um Curso em Milagres. Mas apenas o perdão pode salvar-te. A verdade se apresenta em paradoxos. O perdão não é um ato de limpeza. Certa vez escrevi aqui: “o perdoado não é aquele que limpou os outros, mas aquele que não viu o sujo jamais”. Trata-se apenas disto: “perdoar é não ver. Olha, portanto, para o que está além do erro e não permitas que a tua percepção pare nele, pois vais acreditar naquilo que a tua percepção demonstra. Aceita como verdadeiro só o que o teu irmão é, se queres conhecer a ti mesmo. Percebendo o que ele não é, não serás capaz de conhecer o que tu és porque o verás falsamente. Lembra-te sempre que a tua Identidade é compartilhada e que o Seu compartilhar é a Sua realidade.” Isto está no Um Curso em Milagres, Capítulo 9: “A Aceitação da Expiação”.
Gosto de escrever e, escrevendo, perdoo o que faço. Para aceitar a verdade é preciso aceitar seus paradoxos. Nada posso criar realmente sem a ajuda do Espírito Santo. Nada posso sem a ajuda de Cristo, pois Nele a minha fé espelha Deus. Agradeço a todos que leram até aqui. Peço neste momento que a benção do Espírito Santo nos ajude a lembrar de nossa santidade em amor, pois neste momento este mundo que sonhamos recai sobre uma ideia prevalecida em ausência de amor. Obrigado a ti. Agradeço ao Espírito Santo. Amém.
“Eu entendo a juventude transviada
E o auxílio luxuoso de um pandeiro”
(Juventude Transviada — Luiz Melodia)
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