segunda-feira, 21 de julho de 2014

Como saber o que realmente quero, estando confuso?



Se “o que vejo reflete um processo em minha mente, que se inicia com a minha ideia do que quero”, como saber o que eu realmente quero, estando confuso? E, segundo, há uma missão para cada um de nós?

O UCEM diz que esta é a nota mestra da salvação. Decerto, quando sabes o que queres, o caminho apresenta o que queres como imagem; um vetor valioso para ti, envolvendo a direção perceptível àquilo que designastes como apropriado. A forma com a qual julgarás isto é inútil, pois aceitar o que é teu envolve apenas a própria aceitação e disponibilidade. Portanto, a questão primordial, além da teoria envolvida é: como saber o que se quer? E, adicionalmente: o que é a confusão? As respostas para estas duas perguntas responderá a terceira, sobre a missão, ou a função de “cada um de nós”.

Estar confuso é ato de grande intensidade mental, pois sempre é percebido como desafiador, desconfortável e desgastante. Desde o início da experiência da existência, cada indivíduo pressupõe para si um mundo de tal forma plural que mesmos as primeiras ideias já estão divididas como pai e mãe em um bebê, por exemplo. Depois, são feitas milhares de outras, até que a linha que iniciou a divisão seja impossível de ser retraçada. Seria como voltar caminhando por todas as ruas que caminhastes até hoje. Certamente, já esquecestes muitas. Inclusive, em muitas delas estavas dormindo em um carro ou um ônibus. É impossível retraçar o caminho das origens do ego, pois foi um caminho que traçastes “dormindo”.

Agora, estás confuso, pois queres entender a complexidade do mapa. O que são todos esses caminhos? Não são coisa alguma — eis tudo! E aí já há resposta. Contudo, a simbologia não abrange a terminologia que pode te aderir a esta ideia com efeitos consolidados para além da apenas emoção causada por uma imagem, como no caso do mapa. Vamos lá, então, tentar compreender, pois a confusão é apenas uma ideia, é a Boa Nova é esta: podes mudar de ideia!

O especialismo é um recorte em torno de algo que valorizas. Qualquer coisa pode ser especial para ti. Teu dinheiro, emprego, posses, valores morais, éticos, ou coisas mais intangíveis como teus dons, o modo como percebes teu estar-no-mundo, o medo, o calor de outra pessoa, o amor pelos filhos, tudo são recortes feitos em meio a outras coisas que vês ou pensas. Claro que algumas têm valor! Mas o especialismo promulga que o valor é dado pela tua avaliação, e não pode ser assim, se quiseres ver a integridade.

Se tu tens que valorizar tudo conforme teu julgamento, quem é o grande juiz acerca do valor das coisas? Quem, desde bebê? Ah! Mas agora virá o especialismo do oposto do bem, para dizer que és maldito, ou condenado, ou finalmente foi revelado o caráter miserável de tua etc. Pois podes julgar em direção ao oposto do bem, igualmente. Podes recortar também os pedacinhos de miséria e julgá-las como terríveis.
O incrível é que tanto o julgamento para o bem como para o oposto do bem são terríveis, em seus efeitos em devastar tua mente e te seduzir para as imagens deste mundo. Pode acontecer contigo um milagre, e ao invés de agradecer a Deus, tu podes louvar o milagreiro! Tudo pode ser julgado, mas o confuso sempre irá julgar erroneamente, porque seguirá o professor errado, isto é, o mestre em rotular.

Vamos com calma, pois não ficaremos muito tempo aqui, nesta demonstração arredia. A resposta virá como deve ser: amorosa, simples e sem medo. No entanto, temos que olhar para a devastação e suas partes, para compreendermos o que é o especialismo e como tens investido nisso. Tua pergunta sobre “saber o que se quer” somente pode ser respondida se tiveres os meios corretos para a escolha igualmente certa, pois podes julgar erradamente, e é isto o que faz do especialismo o tradutor das imagens em recortes mágicos. Agora, para ti, o mundo está totalmente dividido em tua mente, e um mundo dividido somente pode ser um mundo mágico, pois no Céu não há divisões. No Céu não há mágica ou ilusões. Contudo, na experiência da separação isto não pode ser compreendido sem ajuda.

Alguns falam em desapego. Pois bem, o conceito de “desapego” não foi corretamente compreendido. O desapego não significa necessariamente destituir-se. Podes ter filhos não especiais, dons não especiais, dinheiro não especial e até mesmo opiniões sem especialismo são possíveis, desde que possas compreender que, no momento da acepção da opinião, da visão do filho em corpo, do ater do dinheiro em conta, saibas que isso é apenas mágica, não tem valor real, embora tenha Valor Real, quando julgado corretamente via mente certa. Tudo que é visto com amor é real.

Mas não sabes ainda o que é o Amor; portanto, o Valor Real das coisas não está claro para ti. O Valor Real está na apreciação correta que o Espírito Santo faz para ti das coisas especiais que vês separadas. Não é dito no UCEM que, antes do último passo, verás inicialmente um mundo perdoado? Então precisas de disponibilidade para não ser confuso. Como isso se dá? Primeiramente, precisas ver a confusão em toda a sua dimensão, como diz o UCEM, sem minimizá-la. Para fazer isso, cada qual tem seu modo e recebe as instruções, se permitir. Alguns teatralizam no corpo o ato terrível da ameaça, alguns escrevem terríveis cartas, outros percebem pensamentos de ataque, mas cada um desenvolve um modo de encarar seu especialismo sem disfarces. Sem isso, seria difícil que o Espírito Santo pudesse surgir como uma Alternativa, pois tens necessariamente que ver o ego como algo que não queres. Somente através deste contraste a escolha ganhará significado.
Senão, o que fica é aquele “sonho” da iluminação futura, que um dia virá por si mesma para despertar os coitadinhos que etc. O Espírito Santo não pode invadir a tua mente e te obrigar a mudar de ideia! Isso é explicado no Capítulo 2 do UCEM: “Se eu interviesse entre os teus pensamentos e os seus resultados, estaria adulterando uma lei básica de causa e efeito, a lei mais fundamental que existe”. A causa da “iluminação” ou despertar não pode ser imposta, tampouco pode ser que a causa do despertar seja a miséria que tu te encontras. Com isso, quero dizer que não adianta ficar se amarrando no pessimismo para que o Espírito Santo venha a ti por pena. Ele não tem pena de ti, simplesmente porque sabe que tu não precisas de piedade, pois tu és completo como Deus te criou; portanto, Ele pode te ajudar a lembrar disso, e a desfazer o sonho de especialismo, que tanto te corrói.

Agora, limpo de todo o julgamento, a tua função surgirá clara para ti, pois ela não pode ser vista em meio a tanta coisa embaralhada em tua mente. Já julgaste até mesmo tua função como indigna para ti! Não conseguirás acreditar nisso muito em breve, e rirás disso.

Para escolher outra vez, primeiramente lembra-te dos exercícios iniciais, que visam te inferir que nada daquilo que vês tem significado. Lembra-te que aprendestes mal ao pensar que era tu quem tinha que definir o significado das coisas. Lembra-te disso. Depois, procura ver o desamor aparentemente em ti mesmo, sem ocultá-lo. Pede ajuda para ver a devastação em ti mesmo, em uma forma que tu a reconheças, mas que não te atemorize. Presta atenção: precisas muito deste contraste para escolher de novo. Enquanto não vires uma escolha como totalmente desagradável, vais continuar acreditando que não é preciso mudar de ideia, isto é, mudar tua mente, pois certo dia a iluminação virá por si só e etc. A iluminação não pode invadir a tua mente contra a tua vontade. Precisas não querer mais a mente confusa, e para que isso ocorra precisas olhar para a tua culpa sem disfarces. Verás que não faz sentido manter a insanidade. O UCEM é prático e seus resultados são muito favoráveis! Escuta isso: basta pedir ajuda, mas pedir verdadeiramente, pois ninguém quer permanecer onde é atormentado. Este lugar não existe, é apenas a mente errada e seus pensamentos insanos, que projetam no mundo um verdadeiro suplício. Se este é o caminho de Jó, que seja! Mas virás amado, conforme Filho muito Amado de Seu Pai era Jó, Que em certo momento escolheu corretamente, e o ego, ou a mentalidade errada, não teve mais o “direito” de atazanar sua mente.
O direito foi dado por ti, que fizeste um ego, mas pode ser igualmente desfeito, pois tens em ti as mesmas capacidades criadoras que Deus te deu na Tua Criação. Se não as tivesses, não poderias ter feito um ego! Contudo, fizestes um ego para substituir a ti mesmo. O ego é, portanto, uma ideia insana, pois ele é apenas uma forma negativa de ti mesmo, que és o Cristo. Uma forma que é a antítese de Cristo somente pode ser o anti-Cristo. E tu idolatras o teu ego enquanto ele aparenta ser aquilo que tu és.

Não haverá uma batalha nem sequer enfrentamento nisso. Nosso caminho é diferente. Nosso caminho é amoroso, pois visa desfazer e não contrapor. Desfazer o sonho que te colocastes, quando dissestes a ti mesmo: haja luz, e fostes embora do paraíso para dormir com a luz acesa. Agora, na hora de acordar, tens que perceber que é sonho! Tudo que está aí fatiado em partes é sonho de especialismo e alimenta teu ego. O instante santo é o momento em que vês que isso não pode ser assim. Percebes que certo tipo de pensamento “muito amigo teu”, de muitos anos, não pode ser o que pensarias sobre ti mesmo se fosses amado por ti! Perceberás o ódio querendo se voltar “contra ti”, mas não temas, pois não é real. Assim que vires isso, basta lembrar que isso não pode ser amoroso, portanto não é definitivamente real. Para que não tenhas nenhum medo, basta apenas que esta ideia esteja firmemente estabelecida em tua mente: “eu sou o Filho Perfeito de Deus, Que é totalmente Amoroso. Suas ideias são o próprio Amor. Se as ideias que tenho agora não são amorosas, então elas não podem vir de mim, nem são reais.” Reitero: esta ideia precisa estar firmemente estabelecida em tua mente, se vais realizar isto.

E de onde veem as ideias irreais? De lugar nenhum, ora! Elas não existem. São apenas fatias de pensamentos de desamor, que não tem existência real, e somente poderiam fomentar um mundo onde podem haver guerras, doenças, medo etc. Não fosse nossa presença aqui, seriam ainda os dinossauros a devorar uns aos outros.

Se quiseres olhar para tua mente errada, lembre-se inicialmente do que diz o UCEM: “Não tens nada a perder olhando-a de olhos abertos, pois tamanha feiúra não tem lugar na tua mente santa.” Obviamente, perceberás a devastação! Diante de tal perspectiva, a única coisa que poderás fazer é escolher Alguma Alternativa. Não vais querer manter a devastação por muito tempo. Escuta o que diz ainda o UCEM: “Ninguém que aprenda pela experiência que uma escolha traz paz e alegria, enquanto outra traz caos e desastre, necessita de persuasão adicional”.
Diante da miséria, somente se pode ir em direção à cura. Não verás um mundo terrível se fizeres a escolha certa. A escolha certa somente virá se a quiseres, somente então ela te é dada. O UCEM diz que “a Bíblia faz muitas referências às dádivas imensuráveis que são para ti, mas precisas pedir”. Para pedir, precisas estar disposto a pedir verdadeiramente. Não haverá erro em pedir aquilo que não mais temes. A confusão é a escolha pela mente errada, mas a mente certa virá àqueles que escolherem dar para receber, o oposto do pensamento confuso, que acredita que precisa significar tudo (julgar) para receber a resposta. Tua função será percebida muito facilmente após esse processo.

Finalmente, peçamos Ajuda para efetuarmos tal processo e que seja para logo nossa escolha pela mente certa. Amém.

(Obrigado por ler até aqui. És bem vindo aqui. Te amo).

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segunda-feira, 30 de junho de 2014

Em resposta ao meu amigo Vitor Meireles, que perguntou sobre a diferença entre “extensão” e “projeção”


            Pergunta: Como posso distinguir entre “extensão” e “projeção”?

Resposta: A projeção é o medo atuando em decalques e adesivagem, mas o atributo está em ti. Então, o atributo que vai “lá fora” é o mesmo, mas agora está em outro ou em outro lugar, outro grupo etc. A projeção “acontece” separadamente daquele que projeta. Portanto, podes agora julgar aquele que “recebeu” a projeção. Igualmente, podes dizer qual o valor que tens de ti mesmo, mas desviado em outro, para não perceberes o “mal” em ti. Agora, o mal está lá fora e podes, finalmente, eliminá-lo. Para o ego isto seria perdoar, ou seja, eliminar o mal. A causa finalmente está descoberta: o maldito é aquele que contém o mal.

               É muito fácil perceber o autoengano no qual está envolvido aquele que utiliza a projeção. É como se não gostasses da cor azul. Então, para extirpar o mal em si, ao vir um carro azul, poderias muito bem desdizer do carro, ou da empresa, ou mesmo daquele que comprou o carro. “Nunca que eu compraria um carro dessa cor!” e vai-se por aí a separar de si o mesmo, pois o azul é uma cor “maldita”. Muitas das vezes, nem isso aparece, pois a projeção já ocorreu, e pode ser que o sujeito esteja tão temeroso em relação a cor azul que pode projetar bonzinho, dizendo: “este é um excelente carro, só não gostei da cor”. O importante é que o atributo agora está “lá fora”, pode ser atacado sem te ferir.

               Por outro lado, a extensão de Deus não separa. Ela não está “lá fora”, pois, sendo onipresente, é a extensão do todo, ela não pode ser “colocada em algum lugar”. Sendo igualmente simbólica, não pode ser categorizada, como a projeção. Seu atributo é união. Queres unir àquilo que está dentro o mesmo. O amor se estende para abranger e não tem nenhum atributo perceptivo, pois não precisa de justificativas para “ir lá fora”, pois não existe “fora”. A extensão revela o caráter do mesmo e pode ser percebida simbolicamente, geralmente como um ato abençoado. Em nosso caso, pode ser percebida nos milagres, nas manifestações distintivas da Filiação que nomeamos “acaso”, por exemplo. Um irmão te relembra que tens que apagar o fogo de um bule de água que deixaste no fogão, simplesmente porque falava de futebol e te disse: “aquele time é fogo!”. Um amigo te presenteia com um livro, e era o livro que você tanto queria e “ninguém sabia”. Uma pessoa te diz “bom dia” e você responde e eis que surge um dia bom. Estes são exemplos de como os símbolos da extensão podem surgir, mas eles são percebidos sem julgamento. É bom lembrar-te disto para evitar enganos, pois podes projetar inclusive tua descrença nisso e dizer, de bonzinho: “o mundo é cheio de acasos positivos” e isto é apenas um belo modo de apagar/julgar o amor.

               Não preciso dizer que a extensão não tem atributos perceptíveis em julgamento. Por isso que é difícil falar sobre a extensão em exemplos, pois envolve a experiência direta de quem a percebeu na própria consciência. Geralmente, apelamos para uma história, um mito pessoal: “certo dia, quando eu etc”. E funciona bem, pois pode ser um generoso alerta. Mas a sensação que se tem sobre os atributos criativos da extensão são muito claros, pois envolvem sempre a clareza. Já a projeção é um enredo separatista, ela sempre joga o significado para longe. Basta xingar, mesmo que seja “xingar bonito”.

É preciso dizer ainda que é possível também projetar coisas boas que não queres ver em ti mesmo, mas geralmente como um elogio ao outro, com o sufrágio para evitar que percebas algum valor dentro de ti. (Aqui a palavra sufrágio foi utilizada com o significado de rogo, por meio de oração ou obra pia, pela alma de um morto. Tal projeção visa “matar em ti”, ou “dar-te em esquecimento” o que seja de bom).

               Para perceber somente as extensões de Deus, vigie e ore em favor da unidade da Filiação. Não há separação. Dificilmente cairá nas armadilhas do ego se lembrares que és um com todos os teus irmãos. Como podes desdizer de algum deles? Decerto, se eles errarem, uma atitude pode ser tomada para que a correção se faça, mas tu não defines isso. A polícia não é o julgamento pessoal do policial. Por isso Jesus disse sobre Madalena que aquele que não tivesse pecado que atirasse a primeira pedra, pois ele sabia que a lei em si era impessoal, mas sua aplicação no contexto do ódio era projetora, pois a própria lei tinha nascido da projeção. Mas a projeção coletiva é a grande projeção. Quando se diz no UCEM “contempla a grande projeção” se quer dizer isso.

               Por enquanto, não nos ateremos às projeções coletivas. Nosso foco é o individuo que se crê separado da Filiação. Quando compreenderes a natureza totalmente inclusiva da Filiação, compreenderás sobre a projeção coletiva — ou a grande projeção — e as imagens nas quais parecem ocorrer.

               Em suma, a projeção separa, demonstrando o erro, e a extensão une, revelando a união. Por ser separada, a projeção pode ser julgada e é realizável pela mente errada com muita presteza, pois seus símbolos são destacados do todo. Podem ser julgados. Na extensão, os símbolos sempre apontam na mesma direção. E mesmo quando aparentam ser “males”, revelam seu verdadeiro propósito de modo valioso diante da compreensão do seu significado, que pode não ser imediato. Lembra-te do que diz o UCEM sobre o ego sempre fornecer suas “dádivas” imediatamente.

               “A oração é o veículos dos milagres”. Para ver a natureza toda inclusiva da Filiação em sua gloriosa extensão, a oração com o coração em Deus é um bom caminho. Adicionalmente, sugiro a leitura integral do capítulo 7 do livro texto, para melhor compreensão da “crença inacreditável”.

                    Que Deus nos ajude em nosso aprendizado. Amém.


               (Adicionalmente, a própria etimologia das palavras “extensão” e “projeção” apontam para a verdade, pois a palavra “projeção” vem do Latim PROJICERE, formada pelo prefixo “pro-, “à frente”, aglutinado à JACERE, “lançar, atirar”, ou seja, lançar/atirar à frente. Por sua vez, a palavra extensão vem do Latim EXTENDERE, junção do prefixo EX-, “fora”, mais TENDERE, “esticar”, isto é, esticar/abranger até fora). Estes dados foram recolhidos no site referência sobre etimologia http://origemdapalavra.com.br, no dia 30/06/2014, às 15:47.

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sábado, 14 de junho de 2014

Sobre as crenças e as ideias

Obrigado!


“Essa é a nota mestra da salvação: 
o que vejo reflete um processo em minha mente, 
que se inicia com a minha ideia do que quero.”
(Lição 325) 


               Pergunta:
O UCEM diz: “Só no momento em que as crenças se fixam é que as percepções se estabilizam. Com efeito, então, de fato vês aquilo em que acreditas (T-11, VI, 3-4).” Disto compreendi que, se tenho uma crença fixa, a percepção derivada desta crença surgirá para mim como uma vivência no mundo. Como, então, ter somente as vivências felizes? Compreendi corretamente?

               Resposta: A organização das ideias é fundamental para o iniciante. Decerto, apreendestes bem o conceito acerca das ideias como noções formadoras da percepção, mas isto não te parece muito verdadeiro no momento. Ainda preferes a mágica e a consequente nomeação do mundo de acordo com suas ocorrências como acasos, sorte, azar, afazeres, revoluções, conservadorismo etc. Para ti, o mundo ainda “acontece” e possui uma certa “mecânica”. Mesmo as evidências mais claras acerca do fato de que o mundo é a xerox do teu pensamento, para ti são transformadas em pré-conceitos (os acasos e etc’s).

               (Claro que o mundo acontece, mas ele não é dado! Vamos compreender isto de uma vez por todas, pois é preciso crescer e divulgar).

Sem entendimento, as ideias são caóticas. São como referências que emitem apenas opiniões, sem relação entre si. Uma mente desordenada é caótica. Como poderia uma mente assim “projetar corretamente (estender)”? Para que isso aconteça é necessário ver o mundo perdoado, André. Não há meios de se dizer isso em termos da mente se não verificarmos primeiramente o que significa o medo. Portanto, falaremos sobre o teu medo de tudo, para que possamos entender mais à frente sobre a percepção e a real natureza do teu “mundo”, bem como da maneira de organizar corretamente as ideias.

               O medo é uma ferramenta bastante aprazível àquela ideia influente que apreendestes sob o nome de diabo. Mas o diabo é o pai da confusão. A ideia confusa, portanto, é o instrumento para a confusão. Se não compreenderes algo, como podes apreendê-lo? Decerto que a intuição te vale, mas um mundo puramente intuitivo é um mundo mágico e isto ainda é separação. É o sonho de um mundo “dado” que pode ser benigno; o sonho de um mundo mágico que determina o que te acontece, embora de maneira “inconsciente” para ti. Como és “intuitivo”, sabes “ler o mundo”. Realmente, o Espírito Santo parece uma ideia inconsciente para ti, apenas por enquanto. Mas precisas das ideias Dele, pois é Ele Quem sabe Quem Tu És.

O medo é a confusão das ideias. Não podes ter segurança se não tens clareza. Ora, se não sabes o que queres, nem sequer como fazer para chegar a algum lugar ou que caminho tomar e para tudo precisas de oráculos ou de um texto que te oriente, isto significa que estás perdido. Se chegastes a esta consciência, estás no caminho certo! Realmente, não sabes o que fazes aqui. Isto gera medo. “Um mundo sem significado gera medo”. Então acreditas agora que é preciso significar o mundo urgentemente. Eis o círculo vicioso que é a confusão. Uma necessidade urgente de algum “mais”. Mais significados, por exemplo. Talvez entender melhor o Curso em Milagres. Isto te fará crer que precisas entender melhor sobre “essa coisa das ideias”, “a relação entre as ideias e as projeções” e isto vai te atrasar, pois não se trata de entender sempre, mas de experimentar em ato. Entrega o entendimento Àquele Que já o tem. Tua única contribuição nisto é ser feliz, e sair do caminho, pois Ele tem as respostas.

Portanto, se Ele tem as respostas, decerto também sabe quais são as ideias certas. Mas enquanto quiseres fabricar ideias serás imitador de outros, ou defensor dos fracos, defensor dos fortes, pobre coitado de esmolinha, o futuro rico de alguma fama, um cara muito gente boa, um canalha, um artista sem arte, um pensador de opiniões, geralmente optando entre dois lados de uma ponte que leva de volta a lugar nenhum, até chegares aqui: à falta de sentido sobre tudo.

Então te apressarás em ressignificar para compreender novamente. Percebes o engodo? Quantos planos ainda tens à mão? Quantos acreditas que conseguirás gerenciar sem Ajuda?

O medo é a suprema crença na autonomia egótica. Não precisas mais nem de amigos, se não quiseres, pois tens “teus planos”, e “quando eu chegar lá, eles finalmente reconhecerão o meu valor”. Podes, no entremeio, aderir cumplices às tuas variantes de pensamento, como a ilustração moral ou o comedimento nos atos e a opinião política, geralmente contrária e, principalmente, vilipendiosa. Disto decorrem amizades sem fruto, conversas sem rumo, desagravos sem motivo e tudo o mais o que a desordem pronuncia. Claro que não é sempre assim, pois o ego não é bobo, ele sempre te oferece suas “dádivas”. Principalmente, ele te dá “esperança”. Urgh, que estranho! Ter esperança no futuro é a maior doença que há, pois ter a mente no futuro é o eterno adiar. A esperança é sempre esperar, mas o otimismo é real e é agora. Saímos deste entrecho pessimista neste momento, pois não queremos mais viver na ilustração. Viste em emoção como o medo é terrível e sua ocorrência vigora na expectativa de que o impossível, isto é, tua autonomia completa, vai ocorrer favoravelmente.

Agora, que vimos que o medo é o caos projetado no mundo pelo teu desejo insano de autonomia, podemos responder à pergunta inicial, sobre as ideias certas. Pois bem: sem ordem, tudo é desordem. A ordem surge da ordenação das ideias e da clareza de se saber o que fazer, para onde ir e o que se quer. Estabelecer a meta é a solução. Vejamos este trecho do Cap. 17 sobre estabelecer a meta:

Em qualquer situação na qual estejas incerto, a primeira coisa a considerar, muito simplesmente, é “O que eu quero que resulte disso? Para quê serve isso?” O esclarecimento da meta tem que estar no início, pois é isso o que vai determinar o resultado. No procedimento do ego, isso é revertido. A situação vem a ser o que determina o resultado, que pode ser qualquer coisa. A razão dessa abordagem desorganizada é evidente. O ego não sabe o que quer que resulte da situação. Ele está ciente do que não quer, mas somente disso. Ele não tem absolutamente nenhuma meta positiva (T-17, VI, 2).”  



E “positiva” neste contexto quer dizer “clara”. Neste momento também parece que não sabes o que fazer. Pois bem, já dissemos que tens ajuda nisto, mas precisas sair do caminho. Enquanto ainda lutas para manter tua autonomia, minas as capacidades claras que possuis e crias preconceitos sobre coisas que genuinamente aprecias, pois temes a opinião dos outros, mas a opinião dos outros é apenas a tua projeção voltando. O medo dos outros é o medo do amor. O medo do amor em teus irmãos ainda te parece terrível, pois a libertação te parece terrível. Caro irmão, querido amigo, teu irmão és tu mesmo. Se estiveres em algum lugar com outros dois, e eles estiverem em alegria, e não consegues te inserir no contexto daquela alegria, é mais fácil julgar os dois irmãos como egoístas e sectários, mas és tu quem tem medo deles, e a reação deles a ti é parte do teu sonho, pois não és um mero personagem no sonho de ninguém. Outra opção insana seria introjetar e dizer que eles não gostam de ti porque és um miserável sem graça que etc. No entanto, isto é apenas masoquismo representativo do teu desejo de ser odiado, para provar coisas espúrias que pensas sobre ti mesmo.

Mas — não és o que pensas sobre ti mesmo. Não és a ideia que te destes. A ideia de ti mesmo habita imutável em Deus e a tua opinião não conta nisto. Se odeias a ti mesmo, quem odeia a ti mesmo? E isto não é apenas uma crença em ti mesmo como odiado? Como o mundo seria diferente se cresses em ti mesmo como merecedor de amor!

As ideias formatam as crenças. Elas são o inicio do pensamento, e as ideias a que dás valor formam a tua crença. Se "a projeção faz a percepção", tua crença em ti mesmo como um ser odioso precisa de muita resposta em termos de solidão no mundo, quando não de violência, para te ajudar a manter tua crença projetada por aí. O mundo é o resultado de tuas crenças; crenças surgem de ideias e ideias não deixam sua fonte. 

Há uma Fonte segura, que estabelece ideias seguras e um mundo perdoado, ao invés de uma tela da projeção dos teus medos, o teu filme de terror e solidão. Já é hora de estabelecer a meta firmemente. Agora, nossa meta é Deus. Nossa meta é ser feliz. Nossa meta é reencontrar verdadeiramente com nossos irmãos. Nossa meta é a honestidade. Temos Auxílios para cumprir nossa meta. Podemos aderir, realmente, na forma, aos símbolos das nossas metas. Ser honesto requer os símbolos da honestidade, ser feliz requer os símbolos da real alegria, mas se não sabes como atingir a isto, peça Ajuda, lembrando sempre com otimismo que és Filho de Deus, que és Amado pelo próprio Deus, que independente de qualquer coisa que penses ou que acreditas que outros pensem a teu respeito, tu és tão valioso para Deus que Ele se sente incompleto sem ti. Volta, irmão. Vem com as mãos vazias de julgamento para Casa. Deus te chama e é a Ele que escutas quando abres mão de teus sonhos de autonomia e realizas a entrega ao Espírito Santo. A união com Ele agora é a tua meta. O caminho para as ideias verdadeiras estão estabelecidas para ti nos exercícios. A oração também é uma meta favorável agora. A verdadeira oração é na forma que tu quiseres,  naquilo que acreditas, com ou sem palavras, mas o coração sempre estando em Deus, tudo é feliz. Amém.




Medo - Titãs. 


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domingo, 27 de abril de 2014

Sobre "Dar Certo"

             


               Não existe nenhuma garantia de que a vida “dê certo”. Tudo aquilo que em determinado momento na vida aparece como certo pode ser erro em outro, e vice e versa. Mesmo assim, buscamos em altos esforços fazer a vida dar certo nos termos que queremos. Pode ser até que alguém escolha uma forma mundana na qual insiste, enquanto apenas se atrasa, pois ninguém sabe verdadeiramente o que significa “dar certo”.

                Primeiramente, é o medo que desfaz todas as perspectivas favoráveis no mundo. Não se sabe de onde vem o medo, mas o percebemos como uma disposição desfavorável em relação ao mundo. Às vezes, parece que os mecanismos do mundo desfazem a toda hora, sob a forma de medo, nosso aprendizado mais feliz. No entanto, isso ocorre simplesmente porque não queremos um aprendizado realmente feliz, amoroso e sem temor. Ora, não é verdade que muitos dizem estar em busca de amor em um mundo sem amor? Como encontrá-lo, baseando-se em ideias conflitadas? Se não há amor no mundo, como encontrá-lo? Não se acha o caminho para o Oeste seguindo em direção ao Leste. Mesmo se deres a volta ao mundo, estarás caminhando sempre para o Leste.

                Esta dicotomia — ou dissociação — na qual se busca encontrar algo onde não está surge de uma tentativa em ser “diferente”. Não é o amor que realmente se busca, mas o “sucesso”, o êxito em encontrar. Geralmente, isto é confundido a tal ponto que ser feliz no mundo em contratos sociais passa a ser o objetivo para ter paz. Portanto, se não podemos encontrar o amor no mundo, podemos projetá-lo no sucesso. Jesus venceu o mundo, mas não o fez pelo meio ilusório. Jesus não foi exatamente um “homem de sucesso”. Dar certo não é uma prerrogativa da forma, mas ser feliz, isto sim, nisto Jesus sucedeu, desfez o desamor e soube-se a Quem Ele Respondia. Na verdade, qualquer um que queira realmente experimentar o que seja “dar certo” tem que ser feliz. O amor infeliz é impossível. Quem “sofre por amor” está enganado.

A partir do momento em que se deseja ser feliz, não se pode mais pensar em sucesso. A chegada do amor é a escolha em ser feliz. Tampouco seja o caso em que se projete esse amor nas coisas, crendo que apenas o bonito é o certo. Ou que “perdoar o feio” é o certo. Ser feliz não é uma escolha estética. Na verdade, ser feliz não é uma escolha, mas um estado de graça que surge de uma verdadeira disposição ao mundo. Ver tudo com os olhos de Cristo significa isso. Não abençoas apenas o que dá certo ou o que é belo. Teu olhar deve ser sempre benção. Nisto se é puro.

Mas não deves esconder nada de ninguém. É isto que se diz “disponibilidade ao Espírito Santo”. Aquilo que dá certo não é um meio garantido, mas olhar para o certo ou o incerto com amor abre as portas pelas quais Ele Mesmo verifica os meios. Como diz a música do Pato Fu: “conte o teu angélico segredo”, pois “quando algo sai do seu controle / o mundo volta a respirar”.

                Agora falemos sobre o domínio do medo sobre o mundo. O mundo precisa da ideia da superação como o medo precisa de mais terror. A ideia de superar-se garante o sucesso no futuro, enquanto o presente será sempre indigno. O desamor garantirá o teu olhar de desejo e verás no sucesso a garantia de superar a si mesmo. Geralmente, como o sucesso tem a outros como modelo, a ideia de superação é a própria inveja, pois tudo o Que Se É permanece obscuro, sob os auspícios do “bom exemplo”. A moral não entra nisso, pois o “bom exemplo” é criado em cima do desejo do sonhador. Se estiver em conflito com os ideais do mundo, o sonhador pode até crer que é revolucionário. Se estiver em favor, será um guardião de algo. Por conta disso se diz que o desejo somente pode surgir do conflito.

                No entanto, o desejo em si não é um erro. A questão deste texto é: quem pode garantir que está desejando o que é melhor para si? Cada passo parece incerto demais e as garantias são tão poucas que qualquer ideia pode fazer com que o individuo busque ancorar suas expectativas no que não faz sentido. Há pessoas tão vazias de si, que qualquer ideal lhe serve como tampa, desde a simples visão de si mesmo como melhor que os outros — geralmente através da fofoca e da maledicência — até assumir ideias que não lhe cabem em absoluto, enquanto crê que caminha.

                Como saber se estás agindo assim? Simples. Estás feliz? Realmente feliz? Acordas feliz para fazer o que fazes? Então estás atuando no caminho certo. Caso contrário, não entre na armadilha da autoavaliação. A autoavaliação pode fazer surgir o desejo de se superar. Teu papel é sair do caminho. Olha para tudo com benção, e a resposta surgirá. Deixa que os meios sejam avaliados para ti, mas não por ti. Não precisa ser religioso para se fazer isso. Mais uma vez: teu papel é sair do caminho. Como se faz isso? Busca a Deus não como um objetivo de sucesso, ou uma superação da tua falta de fé, mas busca Deus no Amor, pois Lá certamente O encontrarás, mesmo que seja “por amor às causas perdidas”, pois uma causa nunca é perdida se é para ti.

Todos os dias lembra de dizer a ti mesmo: “Ainda sou como Deus me criou”, ou “ Deus me ama independentemente do que eu pense sobre mim mesmo”, ou ainda “sou feliz, pois sou amado pelo próprio Deus”, ou qualquer outra frase com o sentido de que és amado, pois deves lembrar de que és amado, que és digno, e que o erro e o acerto são categorias e que Deus não é categorizador. Deus é perdão e amor. No Amor que dás, Deus está ali. Ama e és livre, pois Deus é amor. Essa consciência abre espaço para uma nova consciência que pode te mostrar algo favorável. Não desejas ser feliz? Então lembra que és amado. Deus te ama independentemente de tuas ações, pois Deus é Amor e o amor não categoriza em certo e errado. Quem faz isso são os homens, com medo e julgamento. Faz o que é certo no mundo, para não naufragar, para viver uma vida boa, mas se errastes, o que tem se errastes? Se acertastes, o que isso te dá na verdade? Seja feliz, e largue mão do controle sobre quem merece ou não ser amado por ti. Todos são filhos de Deus. Todos merecem teu olhar de benção. Sucesso verdadeiro é amar e ser amado.

Isso, sim, dá certo. E o certo virá para ti na forma que é para ti. Amém.



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