segunda-feira, 15 de setembro de 2014

UCEM e a Arte - (Zé Ramalho)

      

            Muito me desagrada ouvir pessoas desatentas comentarem sua desatenção como uma sentença. Certo dia desses, disseram-me de Zé Ramalho que suas músicas pareciam búzios, jogo de Búzios, sendo a desordem. “Não dá pra entender quase nada do que ele diz.” Realmente, curioso é: como então tanto êxito? E há tanto tempo? Não pode ser apenas o nada; ou, em melhor hipótese, talvez seja mesmo por isso. Portanto, sendo tal “nada” meramente simbólico, diremos dele coisas capazes de aproximar.

               Na verdade, se estiveres a ler até aqui, pode ser que já alcances entender a música de Zé Ramalho, pois não fostes embora ainda. De toda forma, emprego mal o verbo “entender”, pois não é este o caso, embora seja exatamente este o engano: não se pode alcançar entender — na acepção que se compreende algo como sendo o exato igual — as composições do poeta místico Zé Ramalho. Em suas músicas nada corresponde ao exato igual. Uma pedra pode ser tudo, mas nunca deixará de ser fundamento. Portanto, é nas imagens que reside o sagrado “segredo” das mensagens de Zé Ramalho. Tentaremos esboçar aqui uma aproximação a algumas delas.

               As músicas de Zé Ramalho sugerem as imagens em potência estética capazes de traduzir para a consciência mensagens de alta importância para o indivíduo. Quando se diz, por exemplo: “se eu disser que é meio sabido / você diz que é meio pior”, no meio de uma canção que trata de um homem e seu avô-pai (Avohai), percebe-se claramente uma acepção plausível nas conversas entre homens, onde o “sabido” é desfeito no meio de uma conversa sincera. Você diz a bobagem de sabido e o amigo demonstra amavelmente o erro e já emenda no acerto. Geralmente, disso se ri, pois percebe igualmente a si mesmo como um “planeta quando perde o girassol”, isto é, como alguém que saiu da órbita do sol, que perdeu a linha, saiu do foco etc, ou como diz o UCEM: “aquele que for o mais são no momento em que a ameaça é percebida, deve lembrar-se de quanto é profundo o seu débito para com o outro e de quanta gratidão lhe é devida e deve alegrar-se por poder pagar a sua dívida trazendo felicidade a ambos" (Texto: Cap 18, V, 7:1).

               Em “A Peleja do Diabo com o Dono do Céu” o embate dos opostos é clarificado desde o título. Nosso apego em imaginar o mundo como sendo o simulacro do céu, numa espécie benevolente de platonismo, é desfigurado pelo ‘diabo’ da música com argumentos em favor da relatividade do bem e do mal. Certo é que a leitura unilateral do platonismo como o bem “bonzinho” desfigurou a sociedade a tal ponto que a neurose coletiva hoje em dia parece residir na crença em que o acerto pode vir a ser o errado acertado, ou a correção pela culpa, ou ainda a crucificação pela vida afora, no que se afirma como algo natural e justo que “cada um carregue sua cruz”. Nisto, nenhuma moral nos valha. Já sabemos pelos ensinamentos do UCEM que não há motivo para se carregar nem cruz nem culpa. Mas gostaríamos que a cruz (ou o medo) fosse o paraíso. Entanto, adverte o artista:


“Com tanto dinheiro girando no mundo,
quem tem pede muito, quem não tem: pede mais.
Cobiçam a terra e toda a riqueza
do reino dos homens e dos animais.
Cobiçam até a planície dos sonhos,
lugares eternos para descansar,
a terra do verde que foi prometido,
até que se canse de tanto esperar,
que eu não vim de longe para me enganar”.

            E na terra o homem vem a cobiçar até “a planície dos sonhos / lugares eternos para descansar”. Bem, se o intuito do homem é se enganar com o platonismo de bonzinho, vá lá! Mas aqueles que não vieram “de longe” para se enganar sabem que a cruz de bonzinho é o mesmo que a cruz de culpa e mal, sendo ambas engodo e ilusão, nada tendo nada a oferecer a não ser artifícios que apontam na direção ora de um, ora de outro. Nisto, o mundo gira, eternamente, neste embate de opostos. Então, na cobiça por riqueza “no reino dos homens e dos animais”, os homens buscam “lugares eternos para descansar”. Terra “do verde” prometida como sendo um lugar físico ou espiritual que se compra, com dinheiro ou com barganha de bonzinho. E o dinheiro é símbolo capital daquilo que se diz: “quem tem pede muito, quem não tem: pede mais”.

               No entanto, é no rio que se vê o restolho destes embates. Basta ver a poluição de qualquer rio que corta uma cidade. No rio, pode-se ver a correnteza a arrastar de tudo: desde os peixes que deslizam suaves nas profundezas aos troncos e outras coisas flutuantes que passam acima, na superfície. O psicólogo suíço Carl Jung falava que no rio próximo a sua casa de infância era comum aparecerem corpos de afogados, desavisadamente. Mas, dizendo simplesmente, o rio nada tem a ver com o que é jogado nele. Como julgaríamos o rio, então? O rio é bom ou mal? Na verdade, nada podemos dizer a respeito do rio. Portanto:

"A nau que flutua no leito do rio,
conduz à velhice, conduz à moral.
Assim como Deus, parabéns o mal”.

               Pois que, no rio de tempo, que é a vida, tanto faz o deus de bonzinho, de dono do céu, como o deus do mal de malzinho. É tudo a mesma brincadeira, os tais “jogos de enganar”. Podemos até rir disto tudo, se quisermos. Aliás, no UCEM se diz que "na eternidade, onde tudo é um, introduziu-se uma ideia diminuta e louca, da qual o Filho de Deus não se lembrou de rir. Em seu esquecimento, esse pensamento passou a ser uma ideia séria, capaz de ser realizada e de ter efeitos reais" (Texto: Cap. 27, VIII, 6:2-3). Portanto, trabalharemos, cumpriremos nossos compromissos, caso queiramos, sem jamais carregar nenhuma cruz. Não há nenhuma necessidade disso.


Finalmente, mesmo sobre este texto podemos dizer que

“O tom da conversa que ouço me criva
de setas, e facas, e favos de mel:
é a peleja do diabo com o dono do céu”.

               Traçamos aqui um panorama ilustrado utilizando pequenos trechos de duas músicas de Zé Ramalho (“Avohai” e “A Peleja do Diabo com o Dono do Céu”), já por si capazes de demonstrar a riqueza simbólica que se vê por toda sua obra. Utilizamos no início do texto a palavra “sagrado” em relação às músicas de Zé Ramalho, mas tal coisa não se deu por conta da sagração àquilo que se devota em altares, pois lugar santo de Zé Ramalho é função, é palco e festa. No entanto, agradecemos à arte e seu cumprimento em desfazer nossas doiduras. Um pintor pode encontrar no Livro do Apocalipse imagens capazes de extasiar quaisquer de seus afetos, desde que ele mesmo as compreenda e tenha talento para traduzir. Nisto, pode ser que seu quadro ilustre uma igreja. A arte aponta em direção a uma compreensão imediata, se realizada com perfeição. Perfeição não se trata de uma técnica perfeita ou de um ponto fechado ao qual se chega. Todo artista sabe que a perfeição estética é impossível. Mas o verdadeiro artista igualmente percebe quando “vibrou a corda da poesia”, no dizer do Poeta Adélia Prado. Nisto, pode-se dizer que o artista realizou uma obra de arte.

               Adicionalmente, a tradição do trabalho de Zé Ramalho se faz pela linha simbolista que por vezes encontra pontos de contato em Raul Seixas, mas não tão notadamente simbolista como naquele, pois com Raul Seixas se aprende muito sobre a “lei” e a “doutrina”, mas com Zé Ramalho vai-se à “liturgia”.

Faço aqui meu voto de gratidão ao trabalho e de admiração à obra deste admirável artista brasileiro, da Paraíba, o Senhor Zé Ramalho. Salve, nosso querido Zé!

.                                            A Peleja do Diabo com o Dono do Céu.

sábado, 6 de setembro de 2014

Sobre os animais

         
          Os animais não estão diferenciados na separação como “indivíduos” em pressuposto consciente. Entretanto, vemos que são capazes de encontrar sua comida, reconhecer seus donos, bem como amam e retornam o amor dado, são igualmente capazes de sair e reencontrar suas casas, além de saber que a casa é sua e perceberem a si mesmo através de nomes. Ainda assim, embora saibam destas e de muitas outras coisas, eles não “sabem que sabem”, isto é, não possuem a consciência conforme esta é concebida nos seres humanos.
  
                Portanto, uma vontade predeterminada nos animais não lhes fornece o pressuposto básico consciente que determina o ideal ou o objetivo de uma ação, isto é, eles realmente não sabem o que fazem. Isto não quer dizer que estejam errados ou certos. Paralelamente, percebemos que a ação humana é corretamente dirigida quando é afim à mente certa. Pode o animal, então, reconhecer a mente certa?

               No caso dos animais domésticos a ocorrência calma do amor está estabelecida em uma ação conviva, realizada na relação amistosa entre os reconhecíveis para o animal, sendo o amor capaz de aumento, quando, por exemplo, há visitas em casa ou em caso de presenças frequentes de parentes, amigos etc. Nos animais ditos selvagens, as ocorrências de amor surgem mais frequentemente em pressupostos determinados em suas proles e clãs, embora haja muitos casos em que animais ditos selvagens foram domesticados ou adestrados e expressaram seu amor de modo muito expansivo para além de seu nicho reconhecível.

               Cada espécie representa uma simbologia da separação. A separação trouxe consigo a criação da vida, e assim o ato de criar fez com que o nada pudesse viver. Tal ato em criação realiza tanto o criar quanto o fazer nas espécies. O Filho de Deus criou a vida para poder escolher diferentemente. Com isso, demorou-se até conseguir reconhecer o que fez. Tal possibilidade alcançou extensão no homem. A vida em torno do homem deveria ser dominada e protegida por essa consciência. No entanto, neste momento da história, o homem integral ainda não existe, ou seja, a humanidade ainda não está totalmente guiada pela mente certa, para que o reconhecimento do meio ambiente como um todo possa ser realizado. Por enquanto, ainda acredita-se que adaptar-se ao meio ambiente é dominá-lo pela força e violência determinadas pelo ego. Assim, a escassez em ato será suprida pela natureza em suas formas e meios, transmutadas em alimentos, roupas, materiais etc. A vida removida para o uso do material que encarnava a vida é ainda assassinato, mas não é ainda percebida assim neste momento da história, e o material morto pode ser comido ou vestido, sendo ainda para o ego símbolos do suprimento da escassez em fome ou frio. Claro que um ideal pretederminado em medo não pode ser divulgado como erro enquanto as mentes que assim o fazem crêem nisto como “tradicional” ou “consequente”; tampouco se pode exigir saltos na evolução. A vida como um todo integrado ainda é uma suposição filosófica neste momento histórico.

Alegria é Universal
               Assim, dizemos que a vida como um todo não pode ser determinada como uma ocorrência separada em animais diferentes. O homem não é a realização de Deus, mas nele se manifesta a consciência reconhecendo a si mesma, e apenas nele esta consciência é passível de compreensão. A mente certa não é a mente do homem, mas a mente humana guiada pela Mente de Deus. A mente humana realiza-se através de ideias, mas a Mente de Deus É. O Espírito Santo não age como ideia, mas pode realizar o amor através de ideias, se assim for necessário. O amor nos animais também é inspirado pela Mente de Deus, mas não está condicionado pela consciência, como no caso homem. Ele está presente diretamente e depende da disponibilidade deste em relação ao seu meio. Para o animal, a participação mística (participation mystique) é uma realidade direta. Isto quer dizer que, embora o animal  veja o mundo como uma unidade consigo mesmo, não alcança diferenciar-se ainda, ao ponto de perceber-se separado, para assim desenvolver a consciência da distinção, necessária à consciência do retorno. No entanto, a maioria dos animais já são capazes de perceber a dualidade (fome e saciedade, amor e medo, ausência ou presença de dor etc), embora ainda não alcancem distinguir. O medo nos animais pode ser terrível, pois a eles pode parecer que o próprio mundo é o medo em si, então a defesa dos animais é muito agressiva quanto ao que percebem como medo, pois não podem ainda racionalizar em distinção que aquilo é um símbolo de seu próprio medo.

               Nos já admitimos esses símbolos em nossa própria espécie como “o ladrão”, “o assassino”, “o inimigo” etc. Nas outras espécies isto é percebido como “selvagem”, “indomável”, “ameaçador” etc. Pode-se perguntar se um artrópode como o escorpião pode ser tido como amável. Respondemos dizendo que o amor ainda não deve ser estabelecido como uma noção de compartimentos da vida, pois realmente a criação do filho em equívoco ainda está a “amansar-se” neste mundo. No entanto, a vida em escorpião já salvou muitas vidas, pela sua contenção em tamanho. Certa vez, caminhando com meu amigo João Silvério, vimos um cãozinho da raça pinscher. Esta é uma raça pequenina, mas muito conhecida por conta do temperamento tanto agressivo quanto medroso. Então João presenteou-me com esse esclarecimento: "Deus sabe o que faz. Imagine se o temperamento do pinscher estivesse no Pit Bull." E rimos.

               O homem cabe em si todas as suas selvagerias, mas a vida ainda se estabelece em diversas fases. No entanto, o núcleo criador do princípio vital não é o homem ou a vida humana, mas a vida mesma. Por isso se diz no UCEM que “tudo é realizado através da vida e a vida é da mente e está na mente. O corpo nem vive nem morre, porque não pode conter a ti, que és vida. (Cap. 6, V-A, 1:3,4) ” Portanto, a vida real não está no corpos dos animais,  humanos ou outros. Mesmo se há vida extraterrestre, se estiver contida na esfera da separação (O Universo), ainda assim não pode ser a vida real, que não precisa de um meio material para existir. Isso não pode ser compreendido neste momento da história a não ser através de símbolos.

Os animais e as formas de vida não-humanas são, portanto, o símbolo da vida em estado semi-consciente. Sua ocorrência visa o equilíbrio exato da vida no planeta. Já dissemos aqui que a presença do escorpião na terra pode evitar algum assassinato entre os homens, assim como a existência da barata perdoa muita feiura. Aquele que puder entender, ouça e clarifique.

           Paz entre os vivos, amém.



.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Sobre as diferenças entre educação e cerimônia

Você tem medo de quê?


Pergunta:
o ego do meu irmão é o que eu temo nele?

Resposta: Não. Temes na verdade o Cristo nele.

Pergunta: Hoje vi uma senhora em um banco na praça e não consegui sequer o bom dia. Um homem corria seu cooper e eu não consegui acenar em um cruzamento na corrida. Tive medo de mim?

Resposta: Na verdade, tens medo de sofrer alguma punição por parte do teu irmão. Veja só o que é a loucura do medo de teu irmão: ele parece caminhar em um corpo, que é outro corpo, ele tem neste corpo outro cérebro e outra “mente”, então ele pode pensar de modo diferente do teu. Esta é a lógica do mundo, certo?

SIM.

Ok. No entanto, vejamos a perspectiva de nosso currículo: não existe nenhuma lógica no caos. Não há o que determinar. Se tiveste medo de teu irmão, o que determinastes no caos?

QUE ELE É DIFERENTE E PODE REAGIR DE FORMA DIFERENTE.

Exatamente. Isto só é verdadeiro para o medo, que advoga pela ganancia em manter a si mesmo enquanto assume seus atributos “para sempre”. A defesa é o organismo principal para a manutenção do caos. Podes te nomear tímido ou precavido, mas isto não é verdadeiro. Tens medo de receber ajuda ou amor. A tua irresponsabilidade em relação ao mundo está definida nisto. Se queres mesmo amar a teu irmão, tens que começar amando. Ele não vai te ferir, ele te espera de braços abertos, mas enquanto temes a ele, pode haver uma resposta temerosa realmente, e isso seria falta de educação. A tua responsabilidade em relação a tua própria educação remete à noção de cerimônia, ou de ser cerimonioso.


               Portanto, queres gerir o teu apoio em relação ao mundo como uma ferramenta de discórdia na qual és sempre tímido e com isso passível de ser “perdoado”. Qual é, homem! Não existe medo em ser responsável! Ser amável é recorrer ao teu mesmo com confiança e sem temeridade. Se ele te pedir ajuda, dá a ajuda, ora bolas — eis tudo.

.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Como saber o que realmente quero, estando confuso?



Se “o que vejo reflete um processo em minha mente, que se inicia com a minha ideia do que quero”, como saber o que eu realmente quero, estando confuso? E, segundo, há uma missão para cada um de nós?

O UCEM diz que esta é a nota mestra da salvação. Decerto, quando sabes o que queres, o caminho apresenta o que queres como imagem; um vetor valioso para ti, envolvendo a direção perceptível àquilo que designastes como apropriado. A forma com a qual julgarás isto é inútil, pois aceitar o que é teu envolve apenas a própria aceitação e disponibilidade. Portanto, a questão primordial, além da teoria envolvida é: como saber o que se quer? E, adicionalmente: o que é a confusão? As respostas para estas duas perguntas responderá a terceira, sobre a missão, ou a função de “cada um de nós”.

Estar confuso é ato de grande intensidade mental, pois sempre é percebido como desafiador, desconfortável e desgastante. Desde o início da experiência da existência, cada indivíduo pressupõe para si um mundo de tal forma plural que mesmos as primeiras ideias já estão divididas como pai e mãe em um bebê, por exemplo. Depois, são feitas milhares de outras, até que a linha que iniciou a divisão seja impossível de ser retraçada. Seria como voltar caminhando por todas as ruas que caminhastes até hoje. Certamente, já esquecestes muitas. Inclusive, em muitas delas estavas dormindo em um carro ou um ônibus. É impossível retraçar o caminho das origens do ego, pois foi um caminho que traçastes “dormindo”.

Agora, estás confuso, pois queres entender a complexidade do mapa. O que são todos esses caminhos? Não são coisa alguma — eis tudo! E aí já há resposta. Contudo, a simbologia não abrange a terminologia que pode te aderir a esta ideia com efeitos consolidados para além da apenas emoção causada por uma imagem, como no caso do mapa. Vamos lá, então, tentar compreender, pois a confusão é apenas uma ideia, é a Boa Nova é esta: podes mudar de ideia!

O especialismo é um recorte em torno de algo que valorizas. Qualquer coisa pode ser especial para ti. Teu dinheiro, emprego, posses, valores morais, éticos, ou coisas mais intangíveis como teus dons, o modo como percebes teu estar-no-mundo, o medo, o calor de outra pessoa, o amor pelos filhos, tudo são recortes feitos em meio a outras coisas que vês ou pensas. Claro que algumas têm valor! Mas o especialismo promulga que o valor é dado pela tua avaliação, e não pode ser assim, se quiseres ver a integridade.

Se tu tens que valorizar tudo conforme teu julgamento, quem é o grande juiz acerca do valor das coisas? Quem, desde bebê? Ah! Mas agora virá o especialismo do oposto do bem, para dizer que és maldito, ou condenado, ou finalmente foi revelado o caráter miserável de tua etc. Pois podes julgar em direção ao oposto do bem, igualmente. Podes recortar também os pedacinhos de miséria e julgá-las como terríveis.
O incrível é que tanto o julgamento para o bem como para o oposto do bem são terríveis, em seus efeitos em devastar tua mente e te seduzir para as imagens deste mundo. Pode acontecer contigo um milagre, e ao invés de agradecer a Deus, tu podes louvar o milagreiro! Tudo pode ser julgado, mas o confuso sempre irá julgar erroneamente, porque seguirá o professor errado, isto é, o mestre em rotular.

Vamos com calma, pois não ficaremos muito tempo aqui, nesta demonstração arredia. A resposta virá como deve ser: amorosa, simples e sem medo. No entanto, temos que olhar para a devastação e suas partes, para compreendermos o que é o especialismo e como tens investido nisso. Tua pergunta sobre “saber o que se quer” somente pode ser respondida se tiveres os meios corretos para a escolha igualmente certa, pois podes julgar erradamente, e é isto o que faz do especialismo o tradutor das imagens em recortes mágicos. Agora, para ti, o mundo está totalmente dividido em tua mente, e um mundo dividido somente pode ser um mundo mágico, pois no Céu não há divisões. No Céu não há mágica ou ilusões. Contudo, na experiência da separação isto não pode ser compreendido sem ajuda.

Alguns falam em desapego. Pois bem, o conceito de “desapego” não foi corretamente compreendido. O desapego não significa necessariamente destituir-se. Podes ter filhos não especiais, dons não especiais, dinheiro não especial e até mesmo opiniões sem especialismo são possíveis, desde que possas compreender que, no momento da acepção da opinião, da visão do filho em corpo, do ater do dinheiro em conta, saibas que isso é apenas mágica, não tem valor real, embora tenha Valor Real, quando julgado corretamente via mente certa. Tudo que é visto com amor é real.

Mas não sabes ainda o que é o Amor; portanto, o Valor Real das coisas não está claro para ti. O Valor Real está na apreciação correta que o Espírito Santo faz para ti das coisas especiais que vês separadas. Não é dito no UCEM que, antes do último passo, verás inicialmente um mundo perdoado? Então precisas de disponibilidade para não ser confuso. Como isso se dá? Primeiramente, precisas ver a confusão em toda a sua dimensão, como diz o UCEM, sem minimizá-la. Para fazer isso, cada qual tem seu modo e recebe as instruções, se permitir. Alguns teatralizam no corpo o ato terrível da ameaça, alguns escrevem terríveis cartas, outros percebem pensamentos de ataque, mas cada um desenvolve um modo de encarar seu especialismo sem disfarces. Sem isso, seria difícil que o Espírito Santo pudesse surgir como uma Alternativa, pois tens necessariamente que ver o ego como algo que não queres. Somente através deste contraste a escolha ganhará significado.
Senão, o que fica é aquele “sonho” da iluminação futura, que um dia virá por si mesma para despertar os coitadinhos que etc. O Espírito Santo não pode invadir a tua mente e te obrigar a mudar de ideia! Isso é explicado no Capítulo 2 do UCEM: “Se eu interviesse entre os teus pensamentos e os seus resultados, estaria adulterando uma lei básica de causa e efeito, a lei mais fundamental que existe”. A causa da “iluminação” ou despertar não pode ser imposta, tampouco pode ser que a causa do despertar seja a miséria que tu te encontras. Com isso, quero dizer que não adianta ficar se amarrando no pessimismo para que o Espírito Santo venha a ti por pena. Ele não tem pena de ti, simplesmente porque sabe que tu não precisas de piedade, pois tu és completo como Deus te criou; portanto, Ele pode te ajudar a lembrar disso, e a desfazer o sonho de especialismo, que tanto te corrói.

Agora, limpo de todo o julgamento, a tua função surgirá clara para ti, pois ela não pode ser vista em meio a tanta coisa embaralhada em tua mente. Já julgaste até mesmo tua função como indigna para ti! Não conseguirás acreditar nisso muito em breve, e rirás disso.

Para escolher outra vez, primeiramente lembra-te dos exercícios iniciais, que visam te inferir que nada daquilo que vês tem significado. Lembra-te que aprendestes mal ao pensar que era tu quem tinha que definir o significado das coisas. Lembra-te disso. Depois, procura ver o desamor aparentemente em ti mesmo, sem ocultá-lo. Pede ajuda para ver a devastação em ti mesmo, em uma forma que tu a reconheças, mas que não te atemorize. Presta atenção: precisas muito deste contraste para escolher de novo. Enquanto não vires uma escolha como totalmente desagradável, vais continuar acreditando que não é preciso mudar de ideia, isto é, mudar tua mente, pois certo dia a iluminação virá por si só e etc. A iluminação não pode invadir a tua mente contra a tua vontade. Precisas não querer mais a mente confusa, e para que isso ocorra precisas olhar para a tua culpa sem disfarces. Verás que não faz sentido manter a insanidade. O UCEM é prático e seus resultados são muito favoráveis! Escuta isso: basta pedir ajuda, mas pedir verdadeiramente, pois ninguém quer permanecer onde é atormentado. Este lugar não existe, é apenas a mente errada e seus pensamentos insanos, que projetam no mundo um verdadeiro suplício. Se este é o caminho de Jó, que seja! Mas virás amado, conforme Filho muito Amado de Seu Pai era Jó, Que em certo momento escolheu corretamente, e o ego, ou a mentalidade errada, não teve mais o “direito” de atazanar sua mente.
O direito foi dado por ti, que fizeste um ego, mas pode ser igualmente desfeito, pois tens em ti as mesmas capacidades criadoras que Deus te deu na Tua Criação. Se não as tivesses, não poderias ter feito um ego! Contudo, fizestes um ego para substituir a ti mesmo. O ego é, portanto, uma ideia insana, pois ele é apenas uma forma negativa de ti mesmo, que és o Cristo. Uma forma que é a antítese de Cristo somente pode ser o anti-Cristo. E tu idolatras o teu ego enquanto ele aparenta ser aquilo que tu és.

Não haverá uma batalha nem sequer enfrentamento nisso. Nosso caminho é diferente. Nosso caminho é amoroso, pois visa desfazer e não contrapor. Desfazer o sonho que te colocastes, quando dissestes a ti mesmo: haja luz, e fostes embora do paraíso para dormir com a luz acesa. Agora, na hora de acordar, tens que perceber que é sonho! Tudo que está aí fatiado em partes é sonho de especialismo e alimenta teu ego. O instante santo é o momento em que vês que isso não pode ser assim. Percebes que certo tipo de pensamento “muito amigo teu”, de muitos anos, não pode ser o que pensarias sobre ti mesmo se fosses amado por ti! Perceberás o ódio querendo se voltar “contra ti”, mas não temas, pois não é real. Assim que vires isso, basta lembrar que isso não pode ser amoroso, portanto não é definitivamente real. Para que não tenhas nenhum medo, basta apenas que esta ideia esteja firmemente estabelecida em tua mente: “eu sou o Filho Perfeito de Deus, Que é totalmente Amoroso. Suas ideias são o próprio Amor. Se as ideias que tenho agora não são amorosas, então elas não podem vir de mim, nem são reais.” Reitero: esta ideia precisa estar firmemente estabelecida em tua mente, se vais realizar isto.

E de onde veem as ideias irreais? De lugar nenhum, ora! Elas não existem. São apenas fatias de pensamentos de desamor, que não tem existência real, e somente poderiam fomentar um mundo onde podem haver guerras, doenças, medo etc. Não fosse nossa presença aqui, seriam ainda os dinossauros a devorar uns aos outros.

Se quiseres olhar para tua mente errada, lembre-se inicialmente do que diz o UCEM: “Não tens nada a perder olhando-a de olhos abertos, pois tamanha feiúra não tem lugar na tua mente santa.” Obviamente, perceberás a devastação! Diante de tal perspectiva, a única coisa que poderás fazer é escolher Alguma Alternativa. Não vais querer manter a devastação por muito tempo. Escuta o que diz ainda o UCEM: “Ninguém que aprenda pela experiência que uma escolha traz paz e alegria, enquanto outra traz caos e desastre, necessita de persuasão adicional”.
Diante da miséria, somente se pode ir em direção à cura. Não verás um mundo terrível se fizeres a escolha certa. A escolha certa somente virá se a quiseres, somente então ela te é dada. O UCEM diz que “a Bíblia faz muitas referências às dádivas imensuráveis que são para ti, mas precisas pedir”. Para pedir, precisas estar disposto a pedir verdadeiramente. Não haverá erro em pedir aquilo que não mais temes. A confusão é a escolha pela mente errada, mas a mente certa virá àqueles que escolherem dar para receber, o oposto do pensamento confuso, que acredita que precisa significar tudo (julgar) para receber a resposta. Tua função será percebida muito facilmente após esse processo.

Finalmente, peçamos Ajuda para efetuarmos tal processo e que seja para logo nossa escolha pela mente certa. Amém.

(Obrigado por ler até aqui. És bem vindo aqui. Te amo).

.