terça-feira, 24 de abril de 2012

Desfazer o acusador

Todo mundo quer amor
           


"O papel do acusador aparecerá 
em muitos lugares e sob muitas formas. 
E cada uma parecerá estar acusando a ti. 
Entretanto, não tenhas medo de que ele não seja desfeito."
(UCEM, Cap. 31. V, §16)






           O que significa ver o “acusador” em todas as formas?

Ver o acusador significa que em algum momento escolhestes ver a função de tua mente fora de ti. Assim, o que parecia te iludir gerenciando amor em ilusões de grandeza, e parecia te mostrar um mundo inofensivo, agora não tem mais que esconder-se atrás do manto da inocência, que é apenas uma fraude consistida, como bem dizes, ou ingenuidade. O acusador não existe em si. Ele é a tua mente errada apontando para ti seu dedo de fogo, exprimido em auto ódio e em laivos direcionados de autocomiseração. Enquanto escondias de ti mesmo esse fato, parecia que eras inocente em um mundo odioso, que apenas aparentava esconder de ti o amor que tinhas por ele, e que no final das contas era o lugar dos pobres diabos que nele caminhavam sem saber da glória que era ser tão “santo”. Agora, quando vistes que o ego nada tem de santidade, o mundo passa a ser o projeto de sua afirmação, e tudo o que ele apontava para si, como fosse fogo em ti, passa a ser o mundo de Nero, seu imenso caos ordenado em misérias para as quais o ego introduz seu pensar errático evocando um mundo terrível.
Ver o acusador significa que ao menos tivestes a nesga de lucidez em ver “fora de ti” aquilo que era teu próprio caos interno. As projeções tornaram-se intensas, e agora o dedo de fogo parece real, e te aponta em cada caminho uma forma diferente de medo e de afastamento, e é isso o que o teu ego busca, através de teu isolamento. No entanto, é dito que não deves temer, que certamente isso será desfeito para ti, e certamente o será, desde que estejas disposto a ajudar. Ajudar significa apenas estares disponível ao Espírito Santo, para que Ele possa trazer para ti a Expiação, que é teu direito e tua única possibilidade de cura. Novos caminhos te iludem a todo o momento, te solicitando empenho em teu sonho insano. Veja bem: o que parece ser a acusação do mundo? Parece que és vítima de uma série de enganos e azares que te foram ocasionados aleatoriamente, sem ordenação, e a isso chamas “vida”, ou a “tua historia”.  Diremos no UCEM que isso é o sonho mau que te destes, mas agora esse sonho se revela mau de maneira diferente, um pouco mais lúcido, pelo menos; mas isso quer dizer apenas que, embora ainda haja no sonho a figura do acusador, ele se tornou levemente menos insano, conforme explicaremos.
Poderias conjecturar, com razão, que ver a “face do acusador” em todos os lugares não pode significar que algo melhorou. Mas insisto em te dizer que agora podes ver a tal “face” projetada, e não vês mais a toleima de inocência que era o teu recusar em crer-se violentamente sádico, sendo que a mais bela inocência era apenas julgamento, e o que se via em tua vida era a devastação masoquista, em um jogo tão desesperado que quase não sobraria nada para prover de novo o teu esteio, não fosse tua piedade genuína em buscar ajuda. Não vieste para apanhar e bater, para a luta diária que sonhaste em miséria, mas para apenas amar e amar, e a soma de amar e amar é viver verdadeiramente, amor com amor não ilude, não engana, não imita, amor com amor deixa viver.
Se tens teu talento? Isso é uma pergunta que somente pode ser feita por um que não vê a palmo de seu nariz. No entanto, em teu estado atual, precisas escrever para ti mesmo como se fosses pobre coitado agora, sendo o mundo então muito mal, muito difícil de se viver, e são imperativas grandes mudanças para o ajuste pela “novidade”. Talvez uma “novidade” traga garantias de mudança, afinal de contas o novo possui este caráter: ele transmuta, renova, reacende chamas e revigora as tentativas. No entanto, o novo de hoje é o velho de amanhã, e o caráter de desapontamento que o tal novo traz consigo é o de olhar para trás e acreditar que bom mesmo era a vida de antes etc. Assim, o novo e o velho são extremos que se aliam em busca de “esticar” o tempo para frente e para trás, em uma dialética infinita, de síntese improvável, pois o que o futuro imaginado mostra não é um projeto, e sim uma fantasia.
Portanto, muita coisa há que se fazer para poder “mudar” o futuro para “melhor”. Mas todas elas se resumem na Expiação. Expiar é meramente não querer mudar nada, e deixar que a face do acusador se transforme lentamente na face do amor, que é o indício mais claro que a cura está se aproximando. A beleza que tu procuras em teus atos ingênuos está guardada para ti aonde ainda nem sequer pensaste em buscar. As tais “armadilhas” do ego são trilhas que pretendes enveredar para novas experiências em termos de trabalho, relacionamentos, caminhos, diversões etc. São meios para que tenhas sucesso ou para que obtenhas satisfação. São vários nadas abstraídos de tua mente, que não podem satisfazer, pois não deixaram sua fonte, que é o ego. Sendo assim, o sonho egótico apenas traz consigo vislumbres de futuras reparações. Ele te diz que tudo agora dói, mas se fizeres isto ou aquilo tudo vai mudar. Seu arquétipo nesta manifestação é o do titereiro, e tu és para ele a marionete. Assim, ele traz para ti o seu “mundo” amarrando-te em seus cordões de aço, arrastando tua mão direita para cima e teu pé esquerdo para trás, fornecendo muitas vezes uma aparência cômica ao teu estar-no-mundo. No entanto, anjos pairam ao teu lado, e piram a teu favor, pois falam em tua linguagem, e são apenas o que tu vês como sendo a “loucura certa” do mundo. Apenas nisso teu senso estético está bem preservado. O caos do mundo é uma obra de arte em elaboração. Para ti, muito de Basquiat parece linguagem. Muito de Miró são expectativas justas. Muito de Magritte ainda certamente virá.
(Isso não deve ser interpretado).

Todo mundo quer amor
Portanto, ver a face do acusador significa realmente um avanço. Ao menos estás experimentando o papel de “vítima” com consciência, e apenas assim poderás perdoar. A Expiação serve bem a este propósito. Expiar significa que a “face do acusador” será desfeita a teu favor. Anjos estão aí para te demonstrar que não estás sozinho. E quando o mal parecer invadir tua “realidade” lembra que estás blindado, literalmente. Nenhum mal pode atingir o Filho de Deus, pois não há crueldade nem Nele nem em Ti. Assim, o que é então a crueldade que vês no mundo em termos definitivos? O mal que vês no mundo é tua projeção de tua auto acusação e teu auto ódio. És uma criança de Deus tão amável que teus problemas não parecem sequer tomar forma de problemas para a ilusão a que se chama “sociedade”. Teu sonho ainda é tão gentil em tua vida verdadeira que não se pode sequer dizer que és um malfeitor, embora para ti mesmo não pareça assim. Para ti, melhor seria te chamares “sádico” ou “masoquista”, em termos extremados ilustrativos. Pois aquilo que imitas e guardas, tu transformas em maneira de te deludir. No entanto, como um mago incrível, um que consegue incrivelmente manipular estas coisas que são as imagens, ou a percepção, a que chamas “formas”, tu vês aqui em um belíssimo jogo estético que transforma o que tocas em ouro puro; mas em forma de Midas, sem aproveitamento quase nenhum. Daí pedimos para ti a verdadeira comiseração, que é permitir que a Expiação te mostre o caminho da alegria, pois tu és um que consegue ver alegria demais aqui, ainda nesse estado em que estás, o que é um feito realmente incrível. Quando puderes ver a alegria que há em ti brotar como água que segue curso acima, curso abaixo, alargando margens até ao mar, continentes, serás o doador universal, assim como o sangue tipo “o” negativo vem para dizer o que é apenas doar, sendo negativo pelo que é de amável, sendo que é apenas o que é, pois o sangue “negativo” não é sangue ruim, pois sendo tipo “o”, é para todos. O artista verdadeiro é como o sangue “negativo”. Ele não tem fator que responda ao que lhe é de direito, mas pela própria natureza de sua constituição é adequado a todo o tipo de transplante. Tipo “o” são os grandes artistas. E os grandes artistas não temem sua “negatividade”.
No entanto, ser um “grande artista” não significa que o mundo virá aos teus pés, ou que agora sabes bem qual é tua função aqui etc. Cuidado com essas palavras, pois no estado em que te encontras quase não sabes o que fazer, e não deves empreender coisa alguma sem perguntar ao Espírito Santo como fazer para alcançar a Expiação. Após esse período em que ver ao acusador significa entender sobre as projeções, a tua própria consciência será capaz de perceber os caminhos, e dificilmente conseguirás obliterar tuas escolhas certas. O sonho de sucesso, status etc, nada tem a ver com o “grande artista”. A palavra “grande” aqui é até mesmo inadequada, pois ela promove excelentes meios de julgar. Melhor seria a palavra feliz. És um feliz artista, da arte melhor, que vem de Deus. E quererias algo maior que Seu Aplauso?
No entanto, como dissemos, o que é teu está em seu lugar. Não há sonhos que digam o que és. Deixa o tempo fluir seus espantos enquanto solicita de ti mesmo o empenho em ver. Por enquanto, basta isso: disponibilidade em aceitar a expiação para ti mesmo. Essa é a única responsabilidade de um professor de Deus. Paciência, pois és jovem em termos do mundo, e és jovem também em tua maneira de pensar. Amadurecer significar tornar-se pronto, mas lembra que a prontidão é do espírito, que é perfeito. Portanto, és perfeito como és, pois tu és espírito.
Pedimos, ó Pai, que o teu filho possa novamente ver. Aqui dizemos que nosso empenho é devotado, e não teremos mais vingança em nossas mentes para desdizer de Teu Propósito. Para todos os nossos irmãos guardamos Vossa gentileza, e queremos compartilhar em nossos corações e mentes o que Tu queres que seja doado aos Teus Filhos. Teu Filho é Santo, meu Deus, assim como são santos os Seus Irmãos. Ajuda-lhe a ver, meu Pai, pela glória de Teu Nome, amém. 



Todo mundo quer amor. 
Titãs, na voz de Arnaldo Antunes



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domingo, 19 de fevereiro de 2012

Sobre a neutralidade

Obrigado a Ti!



                1.
                Uma coisa não pode ser neutra, pois possui em si possibilidades. Quando dizemos “possibilidades”, queremos dizer “capacidade para algo”. Assim, se entendermos como conceito de “coisa” qualquer elemento passível de ser nomeado, diremos que a neutralidade é impossível, pois até mesmo o nome de uma coisa já lhe confere atributo. Ora, se podemos dizer sobre “aquela coisa” que ela se chama “isto”, como poderia esta mesma coisa ser neutra? O mesmo pode ser dito sobre as ideias.
                No entanto, não falamos aqui sobre o “valor” de algo. Isto já é outra discussão. Se dermos a alguma coisa um “valor”, esta coisa precisa ser comparada a outra, ou posta em uma escala. Esta escala, ou grau de comparação, necessariamente precisaria estar graduada em valores máximos e mínimos, ou em valores opostos, como “bonito/feio, agradável/tedioso, alegre/infeliz etc.” Logicamente, e pela mesma razão, não é possível neutralidade através de julgamentos.
                Se ainda aqui há dúvidas, lembra-te destas palavras de Cristo: “Essa é a nota mestra da salvação: o que vejo reflete um processo em minha mente, que se inicia com a minha idéia do que quero.” E assim encerramos a discussão com este axioma: a “vida”, e tudo o mais que se vê no mundo, é uma projeção, e não pode ser neutra, pois foi apenas posta aí fora por ti, e é o resultado de um processo equivocado de pensamento. Damos aqui Graças a Deus, pois um equívoco pode ser corrigido, e mesmo aquilo que não é neutro pode ser totalmente inofensivo.
                Lembremos, no entanto, que o fato de algo não ser neutro não lhe confere realidade, conforme estudamos. Uma xícara não existe no Reino, mas seu atributo de “conter” reflete uma ideia, que aqui pode ser o atributo de xícaras, potes, copos, buracos ou recipientes de qualquer espécie. A mesma noção pode ainda ser estendida ao útero, à noção religiosa da Grande Mãe, a qualquer meio de transporte, ou ao estado de transição que se dá entre uma aparente coincidência e a atestação de um fato, que revela motivos que contém plausibilidade, ou ainda eventos relacionados a qualquer tipo de transição em geral, que traduz em si um atributo, permanente ou não, de conter “mensagens”, como nas premonições ou em certos tipos de sonhos. Portanto, a noção de “conter”, existindo como ideia, será atribuída a um sem-número de objetos no mundo físico, ou através do simbolismo de tais ideias. No caso da xícara, ela pode conter café ou chá. Se continuarmos este tipo de raciocínio com apenas estes três elementos, encheremos linhas e mais linhas de especulação simbólica.
                Não é possível esgotar um símbolo. Nem o valor de algo pode ser universal. O dinheiro que vale em um país tem valor diferente em outro, e pode não ser sequer aceito em um terceiro. Não existem coisas neutras, ou coisas sem valor. Existem apenas as coisas, seus nomes e atributos, e algum uso.

                2.
                Convém lembrar que o “desapego” procura elidir o valor das coisas ao desvincular o objeto ao desejo. Este processo nada tem a ver com neutralidade. Apenas um insano desapegaria do uso sadio das coisas enquanto estiver neste mundo em um corpo, ou — já que estamos indo tão profundamente na metafísica — como imagem. É correto lembrar que o amor é a unidade de medida da sanidade. Quando amas verdadeiramente a um irmão, lembra-te de Deus. A noção de unidade se refaz em qualquer pensamento amoroso que tiveres, mesmo em relação aos ambientes. Já foi dito em outro lugar neste blog das sábias palavras de Chico Science: “deixar que os fatos sejam fatos naturalmente/ sem que sejam forjados para acontecer/ deixar que as coisas que lhe circundem estejam sempre inertes/como móveis inofensivos/para nunca lhe causar danos/sejam eles morais, físicos, ou psicológicos.” E eis aqui tudo demonstrado. Deixar os fatos “serem” é liberdade. O vento que beija teu rosto na praia, ou a criança que te dá abraços no jardim jamais serão neutros, mas são amorosos. Assim, o desapego é uma noção de relevância. O que é relevante para ti, neste mundo insano? Nada? Então continues a estender neste mundo o amor. Se “o que vejo reflete um processo em minha mente”, nada pode ser neutro, mas tudo pode ser apenas o estender do amor de Deus aqui neste mundo. Portanto, pense apenas com amor.
               
3.
                E agora perguntamos: existe alguma coisa neutra? Ora, para que algo seja neutro, este algo não pode ser representado por nenhum tipo de ideia. A palavra portuguesa “neutro” vem do latim ne [nem]+uter, utra, utrum [um ou outro]. Ou seja, neutro seria “nem um, nem outro”. Este homem é feliz? Nem uma coisa, nem outra. Este carro é novo? Nem uma coisa, nem outra. Agora, diga: das coisas que experimentas em tua percepção diária, para quais podes dizer: “nem um, nem outro?”, a menos que seja um erro?
Há uma maneira de isso ser assim: devote indiferença àquilo que não existe, isto é, a tudo o que vês no mundo da percepção. No entanto, guarda para ti os pensamentos de amor, pois a pouco já ficaste com raiva também. Assim, eis o mundo retornado pacífico À Tua Santa Mente. E pedimos a Nosso Pai que venha até nós, para nos transportar pela “brecha”, esta “estreita fenda” que nos separa do Reino, e pedimos que seja para logo a compreensão empírica disto. Amém. 



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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

(...)





Ser um artista não significa a expansão voluntária de uma carga mal ajambrada em si mesmo que fornece ocultas maneiras de estar-no-mundo. Ser um artista quer dizer que o empenho do indivíduo está mais apropriado ao seu desafio de estar em seu posto de maior grau em relação ao teu medo de ser como és. Agora, que não entendestes, escuta:
O Amor é um divino meio de encontrar a si mesmo, e Ele não pode ser difundido pelo que tu julgas verdadeiro, mas é falso. Apenas te empenhas em escutar, e não atrapalhes: um sensato ministro de Deus sabe bem o que aprende. O que aprende, divulga, e o que divulga, recebe. Se divulgas medo, serás temeroso, mas não em termos do que vês, mas em um tipo de temor que parece que te move, mas atrasa.
O que é o teu impulso verdadeiro. Isto tu queres saber. O que faria com que todas as dores se fossem? O Que seria verdadeiramente útil para os teus, vindo de ti? Seria o teatro, ou escrever? Seria a aeronáutica, ou o amor? Seria o amigo, ou o vento visto? Seria o sentimento estético, ou o sexo? Qual é a gota de miséria que tiras destas coisas? Nada disto é verdadeiro, são símbolos.
Então, pergunto, qual é o símbolo que me evoca?
Boa pergunta. Estás aqui para servir a Deus. Tens medo disso, pois tua missão é dura, mas fácil, pois é para ti.
E qual é a forma dela? O que é que é “o que é”?
Queres um conhecimento, uma segurança de esteio que te diga: é isto! Mas o “isto” de que se fala não tem nenhuma forma. Não se coaduna com o mundo. Não é “destilável” em vontades. Não se aplica a nenhum tipo de ideia, nem tem para si esteio e lugar. É apenas estar aqui, onde se está.
O que serei, então? O Teatro é insensatez juvenil?
Sim. Seu propósito é te aliar a uma confusão que indicaria o que não tens que fazer. O que tens que fazer para que as coisas façam sentido: falar de Deus. Deves começar cedo a encontrar as pessoas que querem aprender o que tu tens a falar. Podes falar de tudo e usar de todas as formas para falar Disto, mas não serás um artista profano, isto é, que não traz a mensagem do Curso em Milagres ou qualquer outra que O valha.
Como farei isto?
Os meios estão sendo preparados, e não compete a ti determiná-los.
Não devo fazer nada?
Isto mesmo.
O que é este tal Puer Aeternus?*
Significa a pulsão para a atividade. É muito útil para um professor de Deus. Não deve ser desprezado. É uma dádiva, mais que uma maldição. Não te atreverás a querer novamente ser o que sempre fostes: assustado, dinâmico em termos aleatórios, divulgador de ódios, semeador de ilusões. Serás apenas o que és: um que gosta do novo em cada evento, sem enfados demorados. Assim, pareces inútil, mas são tipos como o teu que promovem a mudança mais rapidamente. A cura disto não acontece, pois ser ou estar em condição puer não é uma doença, é tanto quanto um ideário divino, atualizado a cada momento pela acepção e busca de um novo. É desgastante, mas altamente gratificante ao final.
Finalmente, fazer teatro é um sonho, uma ideia, uma conquista que diferencia o militar oprimido do ser altamente libertário. Entre estes dois, estás Tu, livre e apoiado pelo Teu Pai, nestas palavras, a que te permites. Queres ser algo neste mundo, algo de valor. Então...sejas Tu Mesmo. Essa é a nossa indicação validada.
Ser a mim mesmo é...

Não tem forma. É isto.



* Psicólogos analistas alegam que o arquétipo pueril pode levar a problemas psicológicos que ficam patentes pela manifesta imaturidade, narcisismo e a inabilidade de desenvolver uma perspectiva adulta apropriada à vida.
O arquétipo antitético, ou, mais propriamente, o oposto enantiodrômico do puer é o senex (Velho Sábio). http://pt.wikipedia.org/wiki/Puer_Aeternus


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sábado, 11 de fevereiro de 2012

Não tens que fazer nada

Foto tirada por anônimo na cidade de São Paulo.

Para onde quer que eu vá,
como for que eu esteja,
mesmo se for no engano,
Jesus me acompanhará...
e acertarei os meus passos!



                Seriamente, agora abrangeremos os “grandes segredos” que acreditas serem tão ocultos e impenetráveis. Os “mistérios” da compreensão do agir pelo não agir.
Perguntas, então, o que significa não tomar nenhuma decisão por tua própria conta. Como se fazer isso. A finalidade do Livro de Exercícios é que descubras isto por ti mesmo. Não há como dizer ao modo das palavras como se faz isso. Na verdade, a palavra que aponta para este estado com maior eficácia é a palavra “disponibilidade”. É preciso que estejas disponível para receber ajuda. Como “ativar” essa disponibilidade? Simples. Lembra-te que ainda és como Deus te criou, e que nada neste mundo tem valor para além do símbolo que representa. Assim, podes saber que o oculto por trás das coisas (das cores, dos números, dos sons) são tentativas de encontrar naquilo que nada significa uma componente de realidade que não pode ser alcançada jamais. Por conta disto, a natureza dualística do símbolo te enreda no jogo do consciente-inconsciente, e quando acredistas que sabes algo sobre qualquer coisa, logo à frente o panorama muda, e és novamente um incrédulo, quando não um assustado demais.
                A forma de agir pelo não agir não pode ser demonstrada, pois ela pode variar em número infinito. No entanto, como o próprio livro texto aponta, há uma sensação de paz, de estares certo do que fazes, de saberes de modo inequívoco que estás na direção que deverias estar, finalmente, sabes que estás caminhando com o Espírito Santo quando sabes disto e percebes a tudo pacificamente. Tens certeza de que vais no teu caminho, mas nem sempre sabes exatamente onde isto vai dar. Não terás em ti as certezas que o planejamento evoca, pois o planejamento implica julgamento. Mas não estarás mais cansado, pois planejar cansa. É preciso que aquele que planejou algo faça com que os detalhes encaixem em sua ideia das coisas ao ponto de fazer com que tudo esteja no lugar que planejou, e isso pode tomar formas terríveis, pois o controle somente pode ser terrível. Por que dizemos que o controle somente pode ser terrível? Primeiramente por conta do elevado grau de tensão que ele provoca. Jamais alguém se viu tão enfadonho em termos de ser como quando quis determinar o que deveria fazer em todos os exatos passos que caminharia. A sensação de impotência que acompanha o controlador é demasiado grande, pois aquele que invoca com fé um oposto, se angaria inevitavelmente de outro, pois a única coisa que não tem oposto é Deus. Deus É. Mas o planejamento é o oposto do caos, e se queres organizar o caos, estarás sempre tenso, pois precisas de todo o cuidado do mundo para evitar o erro.
                No entanto, te sentirás sempre errado. Como se nunca tivesses capacidade de acertar em nada, e como se fosses apenas um joguete na mão de forças muito maiores que tu. Todas estas coisas já te foram ditas no livro texto, mas gostaríamos que prestasses atenção nisto: não tens que fazer absolutamente nada! por isso se fala em humildade. O significado da palavra humildade está em sua acepção de ser isento, e não “estar abaixo”, ou ser “menos”. O humilde não precisa de nenhuma correlação entre o que faz e o que pensa, pois ele age apenas por agir. Ele não precisa de um modelo mental de sua ação. Não faz uso em suas palavras de concessões dignatárias, nem procede seus termos verbais de cálculos mentais antecipados. Ele é o que ele é. O humilde verdadeira não esconde o seu pensar, ele não pensa de modo algum. Decerto que por vezes é necessário usar o raciocínio, mas o raciocínio apenas serve ao humilde, não foi usado como punição, não cumpre a função de dogmatizar uma vida. Se o raciocínio alcança os termos que são seus apoios legítimos, isto é, a confiança e a Expiação, porque seria necessária gastar o pensar em seus modos trabalhos de “gerir”, se pudemos apenas usufruir dele? Pensa nisso: o humilde não precisa sequer ser educado, pois sua educação vem de saber Quem Ele É. Assim, jamais haverá erros, e a educação será natural, pois o raciocínio certo é sempre acompanhado da gentileza, e não da polidez. A tentativa de ser educado, de agradar com sorrisos, e tão humilhante para o Filho de Deus, que o UCEM trata disso sempre com um tom acima no livro texto, ou como neste trecho da Canção da Oração: “acaso não é demonstração de caridade aceitar o rancor do outro e não responder senão com o silêncio e um doce sorriso? Repara como és bom, como suportas com paciência e santidade a ira e a dor que outro te inflige sem mostrares a amargura que sentes!” (Canção da Oração, Cap 2, subtítulo 2, § 4).
                No mesmo parágrafo encontramos isto: “Este é, também, o objetivo daqueles que querem ser mártires às mãos de outros”. Isto, então, é humildade? Mostrar-se “menor”? Deixar a outro a responsabilidade de ser salvo e bom, às custas de tua dor? Isto é humildade ou insanidade? E não é verdade que um oposto atrai a outro? Se ages humilde assim, que será de ti quando pensares grande? Certamente, virá o especialismo à tua mente. E entre água e água, nada de profundo.
                Não tomar decisões implica em não estabelecer equivalências. Mas para que não tomes decisões é preciso que queiras apenas isto: ser feliz. Se quiseres ser feliz, então aguardes pelo que há de vir mergulhado totalmente no agora imediato, no instante este. Esqueça qualquer valor, ideia, noção, atributo e se entregue completamente ao que está acontecendo agora. Peça ao Espírito Santo que Ele mesmo te oriente, e deixe que Ele proveja o necessário para que teu dia seja assim.
                Ter um dia feliz é um presente, porém, assim como qualquer presente, não pode ser dado de ti para ti.          
                Agora pedimos, ó Pai, a tua intervenção por teu Filho Santo. Faça-lhe ver que ele é como Tu mesmo És. Pedimos que o deixe partilhar de Sua Própria Vontade, obliterada em um sonho infantil. Que seja amigo de todos os seus irmãos, para ajudá-los a descobrir Quem São e como voltarem à Casa, meu Pai. Assim pedimos a Ti que venhas hoje, que reconheças que Teu Filho apenas errou, e que ele é livre tal como O criastes e amas. Amém.


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