segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Sobre o tempo e o espaço



Gostaria de compreender a seguinte passagem do Livro Texto: “O tempo e o espaço são uma ilusão única, que toma formas diferentes. Se foi projetada além da tua mente, pensas nela como tempo. Quanto mais é trazida para perto de onde está a tua mente, tanto mais pensas nela em termos de espaço.” (T-26, VII, 1:3-4)

Queres saber sobre o funcionamento do nada? Pois bem, vejamos então como se dá a ocorrência entre um pressuposto e seu efeito:

O espaço não é uma distinção natural das coisas. Ele aparenta distinguir, no entanto. Por exemplo, uma coisa que está ali se apresenta tanto ou mais distante de outra coisa que está acolá em relação a um ponto fixo, que neste caso seria um observador, "tu". Então, a parede está atrás da porta, e depois da parede há outra porta. Três coisas estão alinhadas entre si, mas separadas pelo espaço. 

Isto prova que há três coisas no mundo, certo? Então, concluímos facilmente que há mais de uma coisa possível. Nada é um, unitário, ou unido, pois o espaço entre uma coisa e a outra prova que são várias. Sobre a mesa, posta em tantos objetos, quantos eles são? Podes conta-los todos, é claro; mas será a própria contagem algo real? Não te foi dito oportunamente que as palavras são símbolos de símbolos? O que quer simbolizar em símbolo a palavra DOIS? Por outra: se eu sou o teu segundo, então qual o espaço que nos contém? O corpo? Será o corpo o envelope no qual duas coisas ou mais coisas podem caber no mesmo espaço? Isso é impossível, pois o corpo pertence ao mundo da matéria, e as leis da percepção são rígidas como uma pedra newtoniana. O único lugar — que não é absolutamente um lugar — onde é possível solucionar o paradoxo em que dois se tornam um é a mente. Não que a mente reproduza o mundo em termos unitários. Muito desejo metafísico conduz a mais desejos de êxtases místicos. Não estamos em busca disso. Mas a consciência que atravessa a percepção como sendo “uma só imagem” é a resposta que pode ser percebida com a mente certa, em revelação. Quanto mais te aproximas de tua mente certa, mais perceberás o espaço em volta de ti como “uma coisa só”. Não que vejas uma coisa só, mas não vês a separação entre o aqui e o ali. Estás aqui e ali. Por isso é pedido nos exercícios iniciais que primeiro treines a mente com objetos próximos a ti, e depois com objetos mais distantes. Demora um pouco para perceberes que não há dois, ou três, pois estás também aqui, ali e acolá.

Não parece divertido para o aturdido. Realmente, o espaço e o tempo são uma piada. São aquilo a que o Filho de Deus esqueceu de rir. No céu, na roda dos anjos, se riem por conta de os homens acreditarem que poderiam estar confinados em pedacinhos de carne, nomeados corpos. Os anjos não temem mais aos homens, pois há muito aprenderam que Deus tem mais atenção aos homens por conta de sua fragilidade, e é por isso que Deus toma conta deles. Os anjos também velam pelos homens, pois eles querem que eles lembrem. É por isso que Deus tem cuidado de ti e te vela em Espírito Santo, sempre, sempre, demais. Não fostes esquecido por acreditares bobamente que para saíres daqui para o ali precisas de, sei lá, um carro, ou uma bicicleta. Mas não estamos aqui para a propaganda do tele transporte místico. Isso não tem utilidade, não adianta ser super-herói no mundo. No verdadeiro mundo, no Mundo Real, não há distância para a alegria, pois ela não é condicionada por tempo ou espaço. Ela não está aqui ou ali, nem no passado ou futuro. A alegria é apenas estar em si, alegre por estar desperto. E é a felicidade que parece relativa em um mundo no qual o tempo e o espaço tem valor. Por conta disso, precisamos ainda dos milagres. 

A felicidade parece estar aqui, ali, antes ou depois. Às vezes, ela aparece agora; mas — fugidia — logo se vai com os imprevistos que o tempo “traz”, as coisas que o espaço “leva”. Enfim, não há termos precisos para diferenciar as momentâneas ocorrências de dúvidas em considerações precárias nas imagens. Precisavas mesmo era de amor. E isso tiveste em ti, de ti para ti, e nisso aproveitamos para entender mais sobre o tempo e o espaço. Agora, se tu resolveres dar amor, então o mundo se torna muito mais rapidamente um lugar de espaços e tempo elididos em felicidade perene, muito mais inclusiva do que imaginas. Serás amado mesmo no mundo, com o TEU amor. E ensinarás a tantos a lembrar. Então, verás que o amor elide espaço e tempo. Não o amor como uma teoria romântica, de algo que se foi, algo que “pode te salvar” se for encontrado em alguém, ou na justiça etc. Mas  verdadeiramente no amor a tudo, a dois, a três e a mais. Até que o número em amores seja o mesmo, e dois seja igual a três em vias de mil. Assim, o tempo para realizar um ato em amor nos seis bilhões é o mesmo tempo para que esse ato seja ocorrido em um. Disto, podes lembrá-los facilmente, com o teu amor.
Não temas a fragilidade do amor. Não és para ser temido, nem estás em contrassenso com o teu mesmo. Se precisas de preparação para amar, então o tempo e o espaço possuem significado e precisas de cura. Realmente, neste momento precisas de cura. De cura e de cura. Mas o tempo não vai durar mais que a sua precisão. Quanto mais te aproximas de ti mesmo, verás que o aperreio que ocorre ao teu redor não tem mais significado que as bombas na Síria ou em Bagdá. A guerra precisa ter fim, caro irmão. O fim da guerra é o fim do significado do míssil. 

Portanto, não precisas atacar para negar o amor, mas nega-o precisamente quanto atacas. Podes negar o amor com espaço, através do isolamento, e assim atacas a ti mesmo. Mas a mente, que não está confinada, pode não compreender em pensamento a formação dos espaços. “Todo pensamento produz forma em algum nível.” Não está escrito? Pois bem: lembra que a responsabilidade deste mundo é tua! Sejais para eles um anjo. Cuidai deles, em teus pensamentos. Assim, distribuis mais, e acordas mais cedo. Mas não penses que por conta de tua responsabilidade sejas tu culpado de alguma coisa!  Neste mundo separado, nada está acontecendo na realidade, por isso que não tens culpa. Basta apenas a ti que assumas a responsabilidade pelo mundo que vês e ele desaparece em espaço-tempo. Simples assim.

Se não parece simples para ti agora, tens Ajuda. Pede Ajuda. Não é sinal de humildade tentar resolver todas as coisas sozinho. É arrogância, é orgulho. “Pedir ajuda não é um ato covarde” (Criolo). Podes pedir ajuda ao teu irmão, se não a quiseres em ti, pois a ajuda também está nele. Mas, sozinho, estás te acovardando em espaço. Isolado, temeroso, contemplando em cela o mundo que está livre e aberto para ti, por fora de teus pensamentos torturantes — são apenas esses pensamentos que impedem que vejas o que é o mundo em realidade. E o medo do amor em teus irmãos está te fazendo crer-se um imprestável social, uma negação de tua função, um desperdício de talento — tanto parece mesmo que és um cego! Mas apenas por conta de uma venda que amarrastes aos teus olhos. “Estou cego! Estou cego!” Não enganas ninguém... retira a venda, Filho de Deus  e vem ajudar também aos homens. 

“Pai, ajuda o Filho, meu Pai.”  Amém. 

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terça-feira, 26 de novembro de 2013

Sobre a honestidade e a confiança

               
              A confiança é um estabelecimento seguro acerca daquilo que a entrega associa e condiz. Dissemos “condiz”, pois o significado da entrega está ligado ao pressuposto do benefício.  Obviamente, não é uma barganha. Também não se diz que o termo está atrelado ao significado como uma expectativa. Mas confiar é acertadamente um depósito em favor de uma melhoria, mesmo assim.

               Não se espera nada da confiança, somente assim ela pode ser honesta. Falemos de honestidade, então. Quando se É verdadeiramente, quando lembramos Quem Somos, a ilusão de ser uma identidade torna tudo muito falseado pela transparência. Não podemos mais jogar o lance de ilustração da personalidade, da qual o ego muito se compraz. Nada será mais oculto, a visão torna tudo muito claro, e o que era obscuro é agora visto sob a perspectiva da luz. Aquilo que tem valor real permanece.

               Não existem pensamentos privados, mas uma vida privada parece ser o ideal do ego. Uma vida especial, digamos. Estamos, portanto, sonhando em manter. A honestidade comprova rapidamente que o falso não pode ganhar energia, pois não se granjeia a verdade. Tampouco o medo pode substituir a honestidade ao dizer que não. “Esconda isso”, “não deixe ninguém ver isso”, “seja mais assim”, “o importante é o amor” — tudo muito sussurrado, muito à espreita, sorrateiro como um ladrão. Um ladrão pode dar bom dia quando você sai de casa para depois invadi-la. Palavras de alto valor investidas pelo ego fazem um ego “bom”. Mas, obviamente, o ego “mal” não gosta de si mesmo, nem do ego bom, e a guerra contra ti mesmo está em evolução diante da perspectiva dos ocultos pensamentos de medo. Por o isso UCEM adverte que “o que fazes vem do que pensas. Tu não podes separar-te da verdade “dando” autonomia ao comportamento. (T-2, VI, 2:6,7).” Se acreditas que és “dois seres em conflito” então a guerra está lançada. E inimigos precisam esconder coisas uns dos outros, não é verdade?

               Então, o menino bom precisa esconder as travessuras do menino mal. O senhor responsável precisa varrer pra debaixo do tapete sua isenção. As escoras da prudência precisam ser fincadas no sólido terreno do isolamento, para não deixar escapar nenhum equívoco. O certo e o errado não são categorias, diz o censor. O medo é só uma ideia, diz o ego, com a luz apagada e uma arma na mão trêmula e o choroso caminho de solidão é “revelado” como o especialismo de uma “alma sensível”. Tudo terror em noções que não são percebidas claramente, posto que, nestes exemplos, tanto o erro como a correção estão fundidos em uma só ideia, mas vistos separadamente, sob a forma de conselho e prudência.

               O ego se ri de tudo isso. Depois, ele pode te oferecer a culpa como consequência de teus “atos desonestos”, definindo qual a prenda que deves pagar. É uma loucura mesmo! Se ao menos por um instante lembrarmos que a honestidade prescinde de prudência, tudo isso se torna impossível. Como bem observastes, a educação existe para não ser necessária a cerimônia. Aqueles que são desonestos são cerimoniosos, precisam de muita ilustração para viver. Quando são defrontados com as circunstâncias reais, entram para o casco da tartaruga e ali ficam, para viver o sofrimento da paralisação, muitas vezes em tormentos de mal humor e sentimentos profundos de solidão. Ao seu redor, uma plêiade de formas atoleimadas do UCEM são resgatadas para sussurrar-te baixinho: “o salário do pecado é a morte”, “daquilo que queres, Deus não te salva”, com ênfase, obviamente, no “temor a Deus”. O objetivo é que temas a Deus e também o UCEM. Temas a tudo e terás, finalmente, a dádiva da salvação que o ego fornece.

               Não precisamos continuar assim. Por estes poucos exemplos, está claro que o objetivo de todo este estratagema do ego é fazer com que fique patente para ti que és um miserável pecador. Assim, não podes jamais ser como Deus te criou, pois “manchastes” a criação de Deus. Contudo, uma coisa não é colocada jamais em questão: que culpa pode haver em sonhar um sonho? Se sonhares durante a noite que foste roubado, não acordas pela manhã procurando a delegacia. Sabes que as imagens do sonho noturno são símbolos.  Mas como teu investimento neste “sonho lúcido” ao qual chamas mundo é muito alto, precisas pagar a prenda para manter a salvo a tua imagem nele, que neste caso se chama André Sena. Olha, meu caro: tudo nesse mundo roga para derrubar a verdade. Ele é o cenário de um equívoco que não se cumpre em estatísticas.  Enquanto não quiseres assumir a responsabilidade sobre ele, tudo virá na forma desorganizada de uma vida mal vivida. Nada pode ser “arranjado” nele que te traga paz. Fama, dinheiro, poder, inteligência, veneração é tudo a ponta de um oposto. Nada é permanente naquilo que é experienciado sob o domínio do tempo.

               Agora, queres saber se existe uma saída. Se pensares assim, ages como o homem que trancou o carro com a chave dentro, estando ele também dentro do carro. Não podes ver o problema “sendo” o problema. Identificar-se como o problema “é” o problema em si. A saída está em mudar teu modo de pensar.  Para isso, os exercícios do UCEM são tua ferramenta para mudança da mente. A leitura dos textos também. Certamente, já tens agido no mundo de acordo com estas novas ideias em inúmeras situações, mas tais eventos ainda são vistos como separados e, consequentemente, podem ser julgados. Ver em unidade precisa de preparação, pois pode vir a ser um evento muito traumático se não estiveres preparado. Já falamos diversas vezes aqui do caso do alemão chamado de Bruder Klaus, o homem do campo citado no livro Os Arquétipos e o Inconsciente Coletivo, do psicanalista Carl Jung. Com ele ocorreu uma revelação direta, Klaus viu a “face de Deus” em uma revelação. Como não compreendera o que viu, voltou com diversas dificuldades para entender o mundo, pois ele não tinha um treinamento anterior que o advertisse que o mundo é um sonho. Suas ideias não estavam estabelecidas nisto. Em sua tribulação, procurou um monastério e passou anos desenhando mandalas, para dar significação mediante a abstração de seus desenhos para aquilo que lhe ocorrera. Finalmente, desenhou uma mandala na qual luzes saiam dos olhos, nariz, boca e testa de um homem coroado como um rei, e assim entendeu que vira a si mesmo como “imagem e semelhança” de Deus. Isto ocorreu também com Paulo dos Evangelhos, que após ouvir a Voz Que Fala por Ele ficou cego por três dias. Estes são exemplos extremos, há inclusive casos contemporâneos como Eckhart Tolle, que leu o UCEM depois, para entender o que lhe ocorrera. Há muitos outros exemplos deste tipo de despertar, mas, como diz o UCEM, isso não precisa ser assim. Um Curso em Milagres veio como uma ferramenta para auxiliar o Filho de Deus a lembrar-Se. Como é dito no texto, “não tenhas medo de ser abruptamente erguido e jogado na realidade. O tempo é benigno e, se o usares em favor da realidade, ele manterá contigo um ritmo gentil na tua transição. (T-6, VI, 8:1,2).”

Mandala de Bruder Klaus
               Portanto, a honestidade não é um valor positivo ou moral, ao qual se dá como paga para uma barganha. O que te importa se não és um homem perfeito? És perfeito tal como Deus te criou e isso basta para qualquer argumentação sobre qualquer pecado que pensas que cometeste. Se acreditas que ages mal com os outros, quê outros? Se todos são perfeitos tal qual Deus os criou! Se vês a miséria no mundo, qual mundo? Se vês a decrepitude da velhice, qual corpo? Se tens problemas financeiros, dai a César — e Trabalho! Se vês o sofrimento da doença, o espírito pode ser em doença? Os milagres surgem de tua negação da mentira, da ilusão. “O mundo que vês tem que ser negado, pois ver isso está te custando um tipo diferente de Visão. (T-13, VII, 1:1).” Isso não significa que serás um insensível, um alheio. Isto seria varrer para debaixo do tapete. Mas, quando fores tentado a ver o pecado em forma de doença, decrepitude, miséria etc, pergunta a questão que o UCEM coloca sobre tua reação a estas coisas: “É isso o que eu quero ver? É isso o que eu quero?” E a tua resposta definirá o tipo de visão de apoias.

               A honestidade está em assumir a posição da verdade, que não priva ninguém de nada. O que escondes, privas. Eis aí uma questão sobre a moral e a ética que pode ser levantada. Mas, te digo: que moral ou ética podem substituir a Certeza? Se estás incerto, não estás em tua mente certa e te balizarás por estas coisas. Fazer o que é belo e bom nunca conflita. Aqueles que sabem a verdade te apoiarão e ficarão felizes contigo. Negar o mundo não é chutar a lombar do mundo. Negar o mundo é ensinar-lhe que o desamor é um equívoco. Para isso, preparemo-nos pedindo o auxílio do Espírito Santo de Deus, Que é Aquele Que ensina conforme precisamos aprender.


               Pai, pedimos aqui o auxílio de Teu Espírito Santo, para que a ponte entre Ti e Teu Filho seja lembrada em Cristo. Ele está pronto, Meu Pai, pelo que pede em honestidade conforme sendo sua herança o Teu Amor. Que a revelação do Teu Reino seja lembrada a Ele pelo Teu Espírito Santo, para que a verdade em amor revele todo um mundo amoroso, para que venha a Ti o Teu Filho Santo, conforme é Tua Vontade, amém. 

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segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Dificuldades com os exercícios



UCEM busca salvar-te, mas se o Curso fala de Si para Si, sendo tu apenas o intermediário, para quê servirias? Claro é que o Curso não fala ao teu ego, mas fala realmente a Ti. Contudo, se acreditas que UCEM fale de Si para Si, enquanto tu és apenas aquele que “atrapalha a conversa”, então tu te excluis da salvação. Isso significa que te identificas com o ego, e não com o aprendizado; ou, ainda de forma mais completa, não te identificas com o Ser Único, que realmente fala de Si para Si, conforme seja essa a TUA salvação.

Atente nisto: a salvação não pode te excluir. Isso é indigno de ser considerado, pois Deus não trai. Ele não faria todo um Curso para te excluir, nem teria o trabalho de criar o Seu Espírito Santo para te enganar. Seria isso plausível, meu amigo? Claro que não! Então, esta ideia apoia o ego em ti, se não for compreendida corretamente.

Dizem que todo o cuidado é pouco. Mas todo o cuidado é dado a ti pelo Espírito Santo. Lembra que o ultimato em dar não é um veredicto que tirará de ti o que é teu. Doar não é retirar. Não podes ter o que não existe, isto é certo. Mas não serás lançado ao término de teus dias se quiseres ser Aquele Que És. Tampouco é uma questão de escolha, apenas o tempo existe para guardar tua decisão. Não há apoio divergido de propósito nisto.

Os ensinamentos do UCEM são reiterações de tua mente certa. As ideias são contidas em invólucros de palavras, pois precisavas delas. São os símbolos que trazem a ti a experiência. Tais símbolos não são exclusivistas, mas atente para o fato de serem, como dito, tua linguagem. Em certos períodos parece que não consegues aprender com isto, que a experiência não chega, que não estás conseguindo atingir a meta do Curso e que és um mau aluno. Decerto, alguns empenhos pedem devoção, e ser devoto é um carisma necessário para o aprendizado. Confiar é disponibilizar, não duvides disso; mas angariar a confiança apenas para atrair novidades é renovar o UCEM em terminologias diferentes, para te dar a ilusão de um imenso currículo. Isso está claro neste escrito e em todos os outros do blog, mas não se diz que sejam erro ou uma falha. Tens que lidar com as ideias de alguma maneira, e esta é a tua. Não significa, entretanto, que isto seja tua função, ou que de alguma forma estás a prestar um serviço para as pessoas. Quais pessoas? Quais são as pessoas as quais as diretividades podem apoiar? Aqui voltamos ao pressuposto deste escrito: a sabedoria lembra a Si em Si Mesma, e não pode ser derivada do especialismo. Não há mistério algum nestes escritos, há simplesmente disponibilidade em lembrar-te de ti mesmo. Lembra que sabes o que é o amor, pois doas. Nisto, claro que pode haver bons proveitos. Mas lembra-te de que o amor é para todos, conforme sendo todos o amor em si. Esquecidos disto estão a divagar. Melhor então é buscar um apoio para a divagação no qual o termo do alheamento seja favorável ao teu objetivo. Se teu objetivo é a salvação, então seria bom que encontrasses formas de te disciplinar. “Não há mistério em se descobrir o que você tem, e o que você gosta. Não há mistério em se descobrir o que você é, e o que você faz.” Portanto, não temas a ocorrência da sabedoria em ti mesmo, pois falas também, em Mim, de Ti para Ti.  Assim, é impossível excluir qualquer pessoa, inclusive a ti mesmo.

Parece a ti que os exercícios não surtem efeitos claros. Obviamente, este é um erro de julgamento. Teu processo é muito dificultado pelo fato de quereres purificar o impuro, nivelar o desnível, refazer o errado, considerar os propósitos e adequar o teu empenho acerca do que tens que fazer aqui. O que tens que fazer aqui já te foi dito há muito tempo: perdoar. Se perdoares, perdoarás os trajetos, os propósitos, todos os equívocos e certamente todas as tuas criações reaparecerão, as novas e as antigas doações. Tudo aqui, para ser apreciado pelo teu amor. Não é bacana isso? Que coisa seria melhor que a alegria e a felicidade? Será que teus planos podem te devolver tuas criações? Certamente, quando crias, mesmo desacordado, tuas vivissecções da criação apenas indicam que há algo em ti que cria. No entanto, não aproveitas disso. Como pode ser assim? Porque quererias te excluir das tuas criações? Qual a vantagem para ti? Coragem, já o dissemos, é “agir com”. Sozinho não podes! Não poderias, pois o amor é um estado de completude e sozinho te vês apenas como uma parte. Esse plano, muito bem montado pelo teu ego, faz uma vida artificial parecer real, através de sonhos de futuro. A inteligência não entra aqui, pois todo ego é fruto de uma inteligência. É uma ideia, derivada de uma inteligência. Melhor seria pensar na fonte da inteligência. Estás temeroso demais para ouvir sobre essas coisas, mas temos muita alegria em ver que teu propósito é certo e a meta é clara. Não estás te enganando em ser uma mentira em ego, mas estás te enganando em fazeres de teu ego a fonte da mentira e te engalfinhares com ele.

Não há uma disputa. Não haverá um “vencedor”. O ego não será vencido, e o Espírito Santo, que a nada se opõe, não conhece o conceito de vitória. Isto é explicado no UCEM ao se debater a impossibilidade do triunfo. Tu não precisas realmente purificar o impuro. Não és o salvador moral do mundo. Tua Mente real não se importa com essas coisas. O mundo é uma invenção, nada será consertado aqui como efeito do caos, pois o caos não tem conserto e não haverá harmonia completa até a transcendência, que pode efetuar a transmutação clara de pressupostos em harmônicos definidos e claros, que apontam na direção do amor. O oposto do caos é amor, pois apenas o amor é ordem. O resto — é sonho de sonhar amor.

Vamos louvar o amor em ordem não querendo saber de nada. Não temos ideia do que seja o mundo. Seus meios são o erro e o erro não dá concerto nem conserto. Tenha paciência e fé em ti mesmo. Se não queres ouvir sobre ti mesmo, em abstrato serão dadas as tuas formas. Demanda mesmo grande coragem tal processo, e muito, muito se estima uma pessoa sensível em saber disto. Mas não há diferenças: todo o propósito visa diferenciar o teu caminho em ideias de tuas ideias do caminho. Não pressuponha nada. Nem deste escrito. Estamos contigo e somos Um em Nosso Pai. Não há erro aqui. Pedimos tua compreensão e agradecemos a ajuda.

Pai, vimos em busca de Ti. Em Tua Lembrança sabemos Que Somos, e damos graça ao Teu Espírito Santo Que nos traz paz. Queremos louvar Teu Nome e agradecer por toda Ajuda. Que toda a honra e toda glória seja dada a Ti, a Quem amamos e lembramos. Amém.

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domingo, 27 de outubro de 2013

Sobre a inveja



             A inveja parece ser uma condenação do sujeito a uma expectativa exterior a si, da qual não faz parte e não pode ter como sua. Assim, a inveja é uma satisfação em sonho, naquilo que se quer abranger como seu. É bem uma falácia em contraposição, pois a inveja garante que nunca será possível ter, já que o objeto almejado “está fora”. Diante desta perspectiva, invejoso é todo aquele que quer ter para si uma vontade diferente da sua própria.

O invejoso é, portanto, um sujeito bem confuso. Ele acredita que a diretividade é sua, isto é, acredita que pode dirigir a si mesmo, mas nisto não sabe como fazê-lo; e acredita que o caminho exterior é plausível em imitação. O invejoso quer-se cópia, mas ele não sabe sequer discernir de qual original a fonte procede.

Então, sem objetivo certo, o invejoso atravessa os dias a querer mais para si. Pode ser mais de qualquer coisa, desde que esta coisa não seja sua. Ele não acredita que possa ter algo novo ou criativo, e neste sinal de desesperança, advoga para si um espelho malgrado em miséria e complacência, no qual vê a si mesmo desvalido e sem condições de criatividade e força. Adianta, então, algum sonho; acredita que neste sonho futuro — pode ser qualquer coisa mesmo — está a felicidade, e nisto ele investe todas as suas forças. O objetivo é comprovar, pela diferença, que aquele caminho não servirá para ele. Receberá desta peleja muita frustação, e finalmente o ego dirá, categoricamente: “viu, como tu não serve para nada?” ou variações do mesmo tema, algumas bem incisivas, com o intuito sempre redarguindo para o fato premente de que o filho de Deus não poderá jamais encontrar sua função.

A inveja é o sucedâneo da culpa em projeção. O ego acredita que alguma coisa pode ser sua mediante o querer, mas este querer pode não ser genuíno, pois em estado de grande confusão, um pode não saber mais sequer o que gosta, e se jogar para os infindos abismos do desejo, no qual se quer algo a mais, algo diferente, algo que seja, preferencialmente, bem sucedido para os outros.

Como resultado certo, apenas a incerteza prevalecerá nisto. Nada verdadeiro será apresentado, e nada restará. A vontade de poder será o condutor de sua maledicência, pois muita malícia é necessária para efetivar tal processo, e segundo diretivas totalmente apartadas do amor, o filho de Deus poderá, finalmente, provar que não existe felicidade para si, somente para alguns outros. Sua busca será devotada, entretanto, para encontrar algum outro ego, tão miserável como ele, que queira supor sobre tais coisas em discursos morosos de derrocadas, nas quais um prova ao outro que não prestam, e a tal coisa podem até nomear “amizade”.

Este é um panorama minimizado das desventuras de um invejoso. Em suma, inveja é fazer uma vontade em conflito. Seus resultados não serão mais divulgados daqui por diante. É muito doloroso emitir um conceito desapropriado de amor como guia, pois a identificação pode surgir como uma garantia de que “é assim para ti também”. Mas vejamos agora tal ponto de vista sobre aquele que se confundiu ao ponto de se acreditar desvalido: será que a inveja pode ser determinada antecipadamente? Digamos: será que se vês algo que “te falta” e queres ter para ti não estás apenas a aderir um significado de tua falta projetado em uma coisa física? Mais facilmente: será que não estarias, portanto, apenas acreditando que podes preencher teu senso de incompletude com um modelo de completude fornecido “pelo mundo”? Acreditar nisso não é idolatria?

A inveja é idolatria, portanto. Não há em si nenhuma garantia de sucesso. Um vê que a sua proposta no mundo em imagem pode ser bem sucedida e logo visa aderir a si meios de copiar as formas de ver o mundo como seu. O dono do mundo seria o supremo invejoso, nesta perspectiva. Temes a mim porque quero apresentar para ti um mundo limpo de toda a inveja, de toda a tentação em teres o que não é teu. Tens medo do conflito, pois ele demonstra, em infelicidade, que estás a optar erradamente.

Há, no entanto, meios para a mudança. Não és a bagunça que as ideias mal ajambradas em tua mente gostariam de fornecer. Tu te confundes com essas ideias apenas para “parecer ser”. Mas se entregares as tuas ideias mal ajambradas à correção, como poderias “sair perdendo”? A ganância é culpa em escassez, decerto. Se gostas de ter, tens que tomar. “Ter” não está associado a “gostar”, mas a “receber”. E se recebes o que é teu, não terás medo de ter, pois será sempre dado e não tomado. Apenas recebe-se o que é dado, não podes tomar uma imagem ou uma profissão. O mau humor que vige nestes pressupostos está em aguentar uma forte disposição em contrário da paz.

Amado amigo, que não está perdido nestes escritos tensos e altamente investidos em culpa, escuta isto: não és uma imagem. A imagem que “roubastes” não é tua; não a inventastes, o teu ego não é a ti mesmo, e tudo o que queres como teu é erro. Há acerto em encontrar ajuda e pedir ajuda, mas o Ajudante que pode te fornecer a verdade não é aquele que pode ser um dia admirado e condizente com as glórias do mundo, com o reconhecimento do mundo, pois o mundo reconhece Jesus em uma cruz e até hoje não entendeu a ressurreição. Quererias mesmo que eu estivesse ainda pregado a uma cruz, meu amado? Achas que essa imagem agrada a fé que estou a te ensinar? Se não crês na morte, porque acreditas que precisas de coisas finitas para seres feliz? Percebe que em cada dia devotado à cópia tu apenas te empenhas mais e mais em querer repetir a crucificação. Eu não preciso mais ser crucificado, já escapei disso contigo. Que tal sairmos agora pela porta da frente, hein? Que tal se apenas víssemos o visto, sem pressupor. Não aguardando mais que o amor de nossos irmãos? Parece difícil, eu sei, eu já estive aí, mas veja que o amor não é impossível, pois tu consegues fazer, não é mesmo? Então, como não poderias CRIAR?

Olha, não te perturbes mais com o que não entendes. Não te peço que saia daqui para encontrar o ali. Não se trata de como vais te perceber, entende? Não será apenas através de diretivas que encontrarás a paz, entendes? A mudança na mente é certa, mas é preciso que estejas disponível para seres TU a mudança, entendes assim? Não ocorrerão mudanças no que não existe. As ilusões de amor, paz, felicidade, glória, amizade etc são ilusões, nada mais que isso. Não significa que, por não existirem, não possam simbolizar amizade, esperança, paz, felicidade, alegria, bem-aventurança etc, mas não esteias nas imagens destas coisas a sua fonte. A fonte de toda a alegria do mundo és tu mesmo, meu mim. Lembra-te de Mim?

Senão, não temas o que virá como coisa. Planeja, se quiseres planejar, mas não te atenhas ao planejamento como se fosses te salvar. Olha: vê aos exercícios do UCEM na fé que te guarda e ajuda, pois eles ajudam a mim também e eu virei para te salvar. Com CERTEZA. Não temas, minha criança, pois não são as ideias destes textos que podem te ajudar. Não precisas temer as ideias. Não precisas temer a nada, pois nada há a temer. Eu estou atrás e à tua frente. Eu guardo para ti tuas criações. És demasia em alegria e pelos teus tantos, que levaremos conosco em lembrança, eu agradeço neles, por eles, agora em benção, pois há neste instante, querido irmão, muita alegria, mesmo aqui. Podes vê-la, podes tê-la para ti, sem ser tua, entretanto.

Calma nisto! Decerto que se faz muito pouco em julgar. Adianto que um se atrasa na medida em que se adianta pelos mistérios de grande e forte devoção, fé genuína e disponibilidade atestada em crase! Quisera ter dois irmãos como André. E tenho — pelo que este mundo está salvo — pois enquanto há dois falando sobre mim, eu estarei com eles.


Pai, lembra a teu filho de Mim. Não temes ele a Mim, mas ao seu anseio mal atraído, Pai, pois ele teve ideia de que não valia nada. Teu Filho, Pai, perdeu-se por um instante nessa ideia. Ele não lamenta, ele não sabe; mas peço a Ti, que tens lembrança de Nós, que traga a Nós o Vosso Reino, Seja feita Tua Vontade, e para nós seja dada a lembrança em harmonia e alegria, conforme é assim Tua Vontade e é Nela que queremos voltar, Amém.

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