terça-feira, 12 de março de 2013

O medo de Deus


             

             O medo de Deus é realmente uma definição totalmente clara quanto ao que te atrasa em relação à salvação. Acreditas que o atraso está nas formas. Pois bem, qualquer ídolo pode te atrasar, e para isso todas as formas podem aderir julgamento impróprio. A única certeza sobre o que é o teu irmão é dada a ti pela interpretação do Espírito Santo. Tu acreditas que podes fazer uma interpretação tua. Mas já entendestes sobre o teu julgamento em favor do sucesso e do fracasso em termos de sua relatividade.
               O amor não é uma propriedade atributiva aos corpos ou às imagens. Já dissemos várias vezes que não é o corpo do teu irmão que é amado por ti. Segundo a perspectiva doente, o amor é doença. A única verdade sobre o amor na separação surge então da construção de um amor especial, feito aqui mesmo, e por ti, para assim te defenderes do amor real. Daqui podemos recair em toda a nossa discussão anterior sobre a defesa.
                  A única maneira de abandonar o medo de Deus é lembrar-se de Cristo. Isto pode ser muito facilitado pelo perdão e acelerado através do instante santo. Não pense que o Espirito Santo desistiria de ti por conta de um equívoco teu. Mas os equívocos dirigidos são atrasos espontâneos, e Ele precisa esperar por tua disponibilidade. Não temas o futuro, pois ele ainda não veio em tua mente, e o que já aconteceu não pode ser mudado. O empenho em favor disto é inútil. O livre arbítrio pode ser direcionado? É claro que podes te atrasar, se queres saber a resposta. Mas a direção de tua real Vontade é inequívoca, não pode ser alterada pelo atraso. O livre arbítrio é real, pois tudo o que vem de Deus é real.
               Não gostarias de encontrar com tua real vontade? Pois o empenho em direção a isto não pode ser desperdiçado. Enquanto acreditas que estás fazendo feio, talvez estejas em direção do espírito, se isto estiver associado à real alegria. Tens que ter novamente cuidado aqui, pois teu ego gostaria que tu acreditasses que ele pode prover a alegria. No entanto, a alegria do ego é solitária e inadequada ao compartilhamento. Seu resultado óbvio é o isolamento e a alienação, precisamente em te acreditares portador de algumas certezas.
               A alegria do ego virá, portanto, em termos de certeza. A necessidade de isolamento em certeza trará uma alegria solipsista, geralmente cruel, ácida e irônica. É isso o que queres como simulacro da alegria verdadeira? Claro que não! No entanto, o medo de Deus provoca como resultado em oposto a alegria inversa, ou a vontade dedicada aos contrários. Isto não pode jamais ocorrer, pois o Espírito Santo já recebeu de ti a disponibilidade necessária para o início do processo do desfazer de tua insanidade. Não percebes isto ainda, mas lembrastes que És como Deus Te criou.
               Agora precisamos trazer isto à tua consciência. O medo de Deus ainda acontece para ti porque crês que trarás ao teu universo mental a revelação através de teus próprios métodos. Isso não pode ocorrer assim. Terás que disponibilizar-te ao Espírito Santo em amor e continuidade. Assim, poderás afrouxar as rédeas de tua direção equivocada e aceder ao que é real. Parecerá mesmo que estás “perdendo” muitas coisas, pois o que virá será uma diferenciação que, simbolicamente, traduzirá uma mudança na perspectiva das coisas que chamas de tuas, ou das ideias que te destes. No entanto, nada deixará de ser gentil, pois és amado com a qualidade do mesmo em teu irmão, conforme aprendes a perdoar. Este mundo retornará para ti a tua gentileza, e não será em suas formas que terás prazer ou premiação.
              Deus, quando é lembrado, acontece como uma diferenciação entre o que é verdadeiro e o que é falso. É algo bastante simples, mas para uma mente devastada parecerá o “novo”. Obviamente, não é nada novo, apenas uma redescoberta. Lembrarás disto, mas mesmo assim ficarás contente, pois perceberás no amor de Deus a tua libertação, e a libertação para quem decidiu voluntariamente pela servidão parece uma coisa nova. No entanto, o filho de Deus nunca foi escravizado, apenas não se lembra disto em suas imagens de terror formato mundo.
               Deus não se aproxima de ti, pois a distância para Ele é um conceito destituído de significado. Deus não está para ti assim como uma ferramenta de dispersão está para o ego. Deus És Tu, pois Tu estás Nele. Uma coisa unificada a outra são da mesma natureza.  Em breve falarás de Deus sem pudor, e sem mecanicismo. Fica contente, pois o amor veio para te buscar. Saúda-o com alegria, Criança de Deus!
               Lembra, portanto, que sempre que tens raiva de teu irmão, estás a ocultar de ti mesmo duas coisas: o medo de ver a Cristo nele, e a tua indisponibilidade para o perdão. Não há exceções a isto. A raiva indica que o medo se apoderou de ti como um conselheiro acerca do julgamento merecido pelo teu irmão. E o medo não aparece, pois ele fica “justificado” pela raiva. Obviamente, o perdão será imerecido. E se tiveres que dar perdão, será então o perdão-para-destruir, que suja para depois lavar.
               Não faz sentido ter raiva de teu irmão. Ele jamais te fez nada e nem pode fazê-lo. Ele é teu igual, o mesmo, sendo que a raiva que vês nele é a raiva de ti mesmo, projetada. Ele não pode te interferir, pois ele não alcança a tua vida separada. Isto já deveria estar claro para ti agora, pois já vimos que a unidade em ego é impossível. E se parece que ele te fez alguma coisa, isso não deve ser julgado ou associado à raiva. A ausência de raiva fortalece a presença do perdão, que desmascara o medo e o desfaz, através do amor.
               O medo do amor é um corolário do medo de Deus. Temes ao que o teu amor em irmão quer te entregar em formato lírios. Acreditas que terás que devolver para ele o mesmo, e isto tem que ser verdadeiro! No entanto, o teu ego dirá que dar “o mesmo” é impossível, pois para ele o medo impera como uma realidade; atestada em teu investimento na defesa. A escassez surge para te provar que és miserável, e o ego tenta “voltar ao controle” para tentar dirimir tuas dúvidas quanto ao que és.
               O ego não sabe o que és. Tu sabes, mas não lembras. Para lembrar, saiba que tudo aqui está de “cabeça para baixo”, como diz o UCEM. É bem possível que te lembres de Deus sem temor, se fizeres como diz a Bíblia: “De tudo o que se tem ouvido, o fim é: Teme a Deus, e guarda os seus mandamentos; porque isto é o dever de todo o homem (Eclesiastes 12:13).” Pois o temor a Deus, em mundo de cabeça para baixo, é um conceito em símbolo de tua necessidade de amor, que pode chegar para ti como algo terrível, como se Deus fosse algo terrível, e é por isto que também é dito na Bíblia: “assim, meus amados, como sempre vocês obedeceram, não apenas na minha presença, porém muito mais agora na minha ausência, ponham em ação a salvação de vocês com temor e tremor (Filipenses 2:12).”  
O terror e tremor que aqui se comenta equivale a esta passagem do Curso: “No entanto, Deus pode levar-te ate lá [além das imagens], se estiveres disposto a seguir o Espírito Santo através de aparente terror, confiando em que Ele não te abandonará e não te deixará lá (T-18. IX. 3:6).” Deus não quer aproximar seu filho do medo, mas seu filho pode sonhar que O teme, e a salvação precisará que tu venhas a Deus, mesmo com medo, pois o Espírito Santo não te abandonará, e ele será gentil em te fazer ver que o terror e tremor são infundados, e que tudo o que tu realmente queres te será dado em Deus.
Portanto, não há justificativa para a raiva de teu irmão por medo de Cristo, nem para o medo de Deus em crise de escassez. Tudo é teu, não há diferenciações no mundo real. Esperamos pelo teu empenho santo hoje e sempre. O Espírito Santo está contigo para te envolver em amor e fazer-te ver que nada falta ao filho de Deus, e que seu investimento em escassez não teve realmente nenhum efeito.
Pai, viemos aqui sem medo ao lembrar que És amoroso, que estás em nosso favor, e que tudo o que precisamos nos é dado em Ti, meu Pai. Pedimos Tua intervenção em nós, para que o Amor seja restaurado em Sua plenitude em nossa memória, e para isso aceitamos o medo até percebermos sua ilusão em formas, para a plenitude do amor de volta, e para que nosso empenho seja dirigido em favor de Tua Vontade, conforme por Ela esperamos, e em amor Te pedimos, amém.

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O medo de Cristo




               Ver ao teu irmão como o mesmo não significa que ele vá pensar como você. Ora, apenas na separação parecem existir ferramentas como a linguagem e a personalidade. Somente se todas as personalidades fossem iguais, teríamos a unidade do ego. Logo vês que isso é irrealizável. Também, no mito da Torre de Babel, está localizado o limite da linguagem como elemento unitário, pois o que teu irmão pensa através de palavras ou imagens separadas está bem distante da coincidência em termos daquilo que pensas de modo semelhante a ele.

               O medo marca estas diferenças. Obviamente, se teu irmão pensa diferente de ti, ele constrói um universo diferente, o que pode certamente estragar teus planos. Na separação, a única maneira de fazer com que o teu irmão se torne igual a ti é dominá-lo. Ou, através de muita humildade falseada, deixá-lo dominar-te. A contraparte dominante/dominada será o objeto de um relacionamento especial. E o lastro disto tudo será, obviamente, o medo.

               Claro que é o medo! Se afrouxares tuas cordas um pouquinho que seja, se deixares cair tuas defesas, pode ser que a “construção” de teu irmão prevaleça; ou se fores pior do que ele neste jogo insano, pode ser que ele seja prevalecido por ti, enquanto te “fazes de burro”. Não é dito nos suplementos em termos de irônica observação sobre o “quanto és bom?” Não se diz na Canção da Oração que recebes ofensas e respondes com sorriso, silêncio e complacência? A mímica do amor não chega perto sequer da mecânica do instante santo. Perdes tempo demais se queres apenas relacionamentos especiais, para cumprir contigo associações, grupos, conluios, camaradas envolvidos no medo de encontrarem a si mesmos “no mesmo”.

               O medo de teu irmão não pode ocorrer verdadeiramente. O que fazes é jogar o jogo da separação em “verdades separadas”. Se todo o mundo tem razão, não há razão alguma. Em um mundo de opostos, a unanimidade não ocorre, a não ser em oposição à abstenção. Quando todos são a favor, são contra ser contra. Não existe salvação no enleio do mundo. Por isso se diz no UCEM que “uma pergunta dupla pergunta e responde, ambas atestando a mesma coisa em formas diferentes. O mundo não coloca senão uma questão. Ela é a seguinte: “Dessas ilusões, qual é verdadeira? Quais delas estabelecem a paz e oferecem alegria? E quais podem trazer um modo de escapar de toda a dor da qual é feito esse mundo? (T-27. IV. 4:3-5).” A unanimidade escolhe alguma coisa em maioria separada, pois a unanimidade somente pode ser unânime em grupos. Nada é consenso no mundo da separação, pois aqui não é possível a unidade.

               Tens medo de ti mesmo. Apenas isso. Temes encontrar contigo mesmo em teu irmão, pois acreditas que ele representaria o teu “auto-ódio” e traria para ti a morte lenta que tramas em segredo. Obviamente, e mais uma vez, não és tu quem tramas o teu assassínio, mas teu ego, enquanto dormes. Mas dormes e sonhas; e o teu sonho em André Sena como corpo está parecendo muito doloroso para não questionares a valia dele como real.

               O medo surge de uma oposição. Se és inocente, precisa existir um culpado. Se és feliz, precisa haver tristeza no mundo. Percebes como é óbvio? Isso também implica em dizer que as “boas ações” não são mesmo garantias, pois seu oposto será chamado para concretizar a diferença em níveis. Como o milagre poderá surgir em um contexto no qual te encontras feliz em oposição à tristeza, ou curado em oposição à doença? Obviamente, o tempo se encarregará em cumprir teus enganos, pois a mutação é regra para o pensamento em opostos, e de tanto te acostumares com a mudança, em breve não confiarás mais na alegria, no amor, na temperança, pois acreditarás que tudo isto surge diante de um contexto que recua frente aos opostos. E faz muito tempo que experimentas o mundo desta maneira. Não será já uma prova de que o cenário não muda?

               A única mudança verdadeira vem através da única mudança possível. Ela também precisa vir passo-a-passo, pois não lembras como a tua mente funciona em sua forma original, e precisas entender o que ocorre contigo. Para isso, tens que vir em raciocínio, mas baseado na Razão, que não vê o erro dos conluios dos opostos. A unidade te será apresentada assim que quiseres ver de forma diferente. O diferente, neste caso, é o oposto do mesmo, pois apenas assim o mesmo e o diferente podem ser discriminados para que tu faças a escolha.

               Ver ao teu irmão como o mesmo é dizer que a revelação dele como o Cristo é verdadeira para ti. Não temes a teu irmão, nem ao nome dele, o cargo que ocupa, enfim, não temes o mito que ele representa. Temes ausentar-te completamente de defesas e veres nele o Cristo, pelo que verás o Mesmo, e serás imediatamente desvanecido, pois verás um evento em plena unidade, resgatado dos opostos. Isso pode ocorrer a qualquer momento, com qualquer um, e a confiança em teu irmão como o mesmo pode abranger a tua observação de um mundo sem diferenças em todos aqueles que te parecem corpos separados. Quando vires a Cristo em teu irmão, verás a confiança surgir em ti restaurada. Pouco a pouco, aprenderás a perdoar não apenas este que vistes em unidade, mas a todos, estendendo a cura em teus irmãos, participando com eles do retorno a Casa.

               Mas para isso não podes temer teu irmão, ou a “superfície” dele. Aquilo que vês no teu irmão é uma superfície. Podemos até dizer que é como uma casca, uma bem máscara inteira, nomeada “corpo”. A este corpo constróis uma história, e adicionado a ele surge o mito de cada um, pois cada pessoa que vês te parece restrita a um corpo, nome e mito. Mas lembra da característica inerente dos mitos que aprendeste em nosso currículo: cada mito tem personagens bons e maus. Teu irmão hora é bom, hora é mau. Para isso acontecer, foi criado neste mundo separado o julgamento.

               O julgamento que dás ao mito de teu irmão é a historinha da carochinha do que ele é. No UCEM isto é chamado de travesti de Deus : “Fica contente por teres escapado à caricatura de salvação que o ego te ofereceu e não olhes para trás com saudade do travesti grotesco que ele fez dos teus relacionamentos (T.16. VI. 10:1)”. O julgamento bem traveste teu irmão em um mito. Ele adiciona ao que ele é o teu julgamento sobre ele. Isso não faz de ti um grande mago? Um deus? Mas não é isso que queres. E não penses que o mito que o teu irmão representa para ti é o mesmo para outro irmão que também se crê separado. Pois na verdade cada um que se crê separado também se crê um mago, um deus; e é por isso que não podes ver unidade de opiniões sobre uma mesma pessoa entre aqueles que ainda dormem.

               Não é para isso que queremos olhar agora. Vejamos, portanto, como escapar ao medo que acreditas ter de teus irmãos.

               Se teu irmão não é um mito, o que ele é, então? Certamente, acreditas que não temes a santidade nele. No entanto, é justamente isto o que temes, pois a revelação da santidade de teu irmão como o mesmo, ou a Face de Cristo nele, demonstraria a tua impotência em seres deus, em julgar. Mostraria que todas as tuas construções são falhas, pois se opõem umas as outras. Imediatamente, Deus traria o Seu Julgamento para ocupar o lugar que deixaste vago, caso queiras olhar para um irmão — basta um! — com fé perfeita em que ali não existe um corpo limitando-o; sequer um mito ambulante. Ali estás tu, o mesmo, em unidade perfeita, e eis aqui: é isso o que temes tanto em teus irmãos!

               A sensação de isolamento nos altamente temerosos é premente, e pode ser auxiliada com fervor pelo Espírito Santo em direção ao livramento. Dizem que certa vez Jesus disse a Helen - a professora que transcreveu o Curso - que a única coisa a se fazer em um deserto é fugir. Não queres ficar por aqui, pois este mundo em opostos não pode ser estabilizado. O mutável não pode ser estável. Tudo o que é direcionado em favor do amor como um oposto ao medo — os amados, os parentes, os amigos — são o oposto em mito, no tempo, do medo que tens em perdê-los — os traidores, os rejeitadores, os inimigos — e isso não vai ter fim, pois o mundo dos opostos existe através do raciocínio circular.

            A única mudança possível vem através da ausência de defesas, que é força verdadeira. A partir deste primeiro passo, podes ver ao teu irmão novamente como alguém que pode ser amável, pois o medo que tens de que ele te mate pode ser deixado para lá. A seguir, podes perceber o teu irmão em si, ainda que em formato mito, pois a mente certa é o teu apoio na separação em direção à revelação. Ele não vai te matar. Ele quer estar perto de ti. E se ele mesmo estiver em medo, tu não ativas o teu medo em resposta, mas vês o pedido de ajuda, e amas ao teu irmão, pois também já passastes por isso, quando crias na mudança e nos mitos. Agora podes ajudar ao teu irmão, o mesmo, e recebes ajuda. Por isso se diz que é dando que se recebe, pois dás ao mesmo. Quando Jesus disse “o que fazes ao mais pobre dos meus irmãos fazes a mim” Ele quis dizer isso: fazes ao teu irmão o que fazes a ti mesmo. Tu não o vês em pobreza de mito, nem em escassez, mas vês o teu irmão como ele é — o mesmo.

                     Lembra-te do caráter abstrato das imagens. Ama ao teu semelhante, pois é isso que ele é. Esquece o que ele te fez, pois em um mundo de mutações é possível “fazer”. Mas se queres ver um mundo em criação, precisas mais que urgentemente abolir tuas defesas. Os próximos passos te serão explicados a seguir. Por enquanto, pratica isso.

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segunda-feira, 11 de março de 2013

As duas metades


           

             Somente é possível perceberes a ti, neste mundo de opostos, como íntegro ou dividido. No entanto, apenas um destes estados corresponde à tua mente certa. Assim, aquele que te parece “o outro” também será, de acordo com o modo como o vês, dividido; e o encontro entre duas pessoas, diante da perspectiva da separação, é um arranjo que pode ou não “dar certo”.

               A metade de ti mesmo que apresenta sanidade está aparentada em teus irmãos santos. Se não queres vê-los santificados, como poderiam cumprir como espelhos de tua sanidade? Deus não te deixaria enxergar a ti mesmo como insano, pois isso seria a “prova” de tua insanidade. Por isso é dito no UCEM que o Espírito Santo representa a outra metade de tua mente que é negada, enquanto ocupas parte dela com o teu ego.

               A cisão surge em projeção como um conluio de corpos. Diversas pessoas são dispostas como outras metades de ti mesmo, mas em cisão. Portanto, são as cópias de tua mente errada, e não são de maneira alguma confiáveis. Segundo teu julgamento insano, o medo das pessoas é segurança, pois te provem o recuo necessário para que possas “pensar” tuas relações. O medo é garantia de que jamais metade de ti será corrompida novamente, pois antes de tua separação, a unidade da mente era certa, mas veja quantos ladrões há agora no mundo! Cada irmão roubou de ti metade que era para ser tua! Eles são ladrões! Precisas mesmo te defender!

               Agora, não podes falhar em teu pensamento. O raciocínio é a única saída. E enquanto pensas, pensas, pensas, o Espírito Santo observa calmamente, te chamando em cada oportunidade dada, que jamais é desperdiçada, para que vejas teus irmãos de novo como eles são: metades de ti mesmo, devolvidas a ti pelo mesmo, sendo sempre o mesmo, pois a metade de dois em um é Um.

               Os instantes santos provem o recurso necessário para desenvolver a confiança em tua metade remanescente. Queres entregar o que sobrou ao Espírito Santo para que Ele possa te ajudar e entregar-te a cura? Ele não se contem em ansiedade para fazê-lo! Ele te ama, e ele olha para teus irmãos nos entreolhos deles, pelo que te ensinou a veres o duplo, a área em torno dos olhos que é sempre limpa; e é para lá que olhas em metáfora de corpo quando vicejas confiança. Mas não é no corpo de teu irmão que está a metade de ti mesmo que foi “lançada fora”. Esta metade está em ti, recuperada pelo Espírito Santo quando disponibilizas a tua fé verdadeira em mim. O teu irmão não é uma criação impossível. O teu irmão — metade dele nunca existiu. Assim como metade de tua mente está ocupada demais com raciocínios. Mas vejas, aqui, como tudo pode ser santificado, bastando a disponibilidade! Achas mesmo que isso pode ocorrer apenas em literatura? Achas que o Espírito Santo, Que fala para ti por Deus, pode ser limitado? Ele, que te cura e particiona as metades em quartos santos, pelo qual podes ver que metade da metade “já foi” restaurada? Em quantas partes pretendes dividir a ti mesmo até encontrar a devastação?

               A devastação é impossível, pois o Espírito Santo representa a certeza, e a certeza não pode ser abolida, mesmo no mundo dos opostos, pois a certeza é o oposto da incerteza. Um mundo incerto pode ser consertado pela certeza. É assim que age o Espírito Santo, reencontrando em ti a certeza. No entanto, não existem mil metades de ti mesmo. Existe a mente certa e a mente errada. Os papéis aos quais tais cisões aderem podem ser variados, e a isto as pluralidades de personalidades no mundo servem bem ao papel de irmãos em diferenças. Metades são diferentes, pois são porções, não são íntegras. É para isso que serve o mundo e seus muitos e diferentes plurais. Os arroubos de unidade que o mundo prega como justiça são enleios de forma. Sabes muito bem que a justiça não olha para o erro!

               Agora é para se ver bem: metade que foi promulgada como santa, mas através de teus pressupostos descritivos, são apenas julgamentos. O relacionamento especial é isso: metade em amor, metade em ódio. Como poderá se estabilizar algo assim? Não adianta tentar! Precisas de algo novo, uma nova forma de pensar, não podes mais alcançar o perdão através do raciocínio, mas teu raciocínio perdoado pode e será muito útil, como diz o UCEM: verdadeiramente útil.

               Vamos compreender agora como duas metades surgiram em tua mente. Já compreendes que em um mundo de opostos, tudo é particionado em dois. Até mesmo Deus é irado ou bom, segundo a definição que se dá de Deus por lá. Então, a mente precisava estar restaurada (em Espírito Santo) e separada (ego). A parte de tua mente que pensa estar separada é aquela que crê que a unidade da mente é impossível. No entanto, a unidade da mente é a salvação. Metade de tua mente acredita em separação, e metade não pode crer, embora veja a separação e não acredite nela. Esta metade que não crê na separação és tu mesmo, mas a outra metade remanescente precisa de ajuda, pois ela foi “negada”, e precisou construir a si mesma, e o mundo veio a “parecer existir”, e outras pessoas são seus plurais em diferenças, pois ela precisa, para crer que não existe, ser de alguma forma atacada. A divisão da mente em vários corpos foi o “plano” no qual isso pareceu acontecer.

               Realmente, é preciso que se entenda que o universo físico não existe. A mente Una existe, e apenas Isto existe. A separação foi a tentativa inútil de criar duas mentes unas, cuja contradição já se dá na própria terminologia. Por isso surgiram todos os temas da queda, da grande guerra etc. Na verdade, o que houve foi um sonhar maluco, do qual estás despertando.

               Não estás perdido! Ora, tu vês quase a coisa toda, e queres o quê? A prova? Pois a prova te será dada, se pedires honestamente. Mas não será uma prova em absoluto, pois é apenas “o mesmo” revelado. A revelação da mesma coisa não pode ser exatamente uma revelação, pois é a mesma coisa, não é? Portanto, lembrar-te-ás de Deus e de tua Unidade Nele.  E se tu mesmo estarás unificado, restaurado, íntegro, não poderás ver novamente “outra metade”. Isso será para ti a revelação de Quem São os Teus Irmãos. E quanto adorarás a Deus e serás grato pelos teus irmãos! E como trarás contigo o teu tanto, em Si, pela lembrança real na memoria deles de Quem São.

               Não percamos tempo, então! Lembra que com uma metade só não é possível restaurar, mas o Espírito Santo te lembra de Ti Mesmo para Ti. Para teres confiança, abra mão da defesa. Esse primeiro passo é importante, pois pode fazer com que a confiança se fortaleça, pois não verás o ataque que crês, mas verás a gratidão de teu irmão pelo que fazes por “vocês dois”. Não o julgues, não podes julgá-lo! O que terás que fazer te será dito, não precisas de raciocínio construído, pois a Razão te apoia nisto.

               Tem fé no teu irmão. É impossível que metade de ti não cumpra a restauração. O esquecimento é um fenômeno temporário, pois pertence ao tempo. A memoria do que é sempre ainda está disponível. A salvação não azedará o mundo, muito pelo contrário! Verás o teu irmão bater à tua porta ainda hoje, se assim quiseres. E com ele e o teu tanto verás o Único Deus restaurado em Tua Mente como certa. E não terás medo de ti mesmo em teus irmãos, pois serão um em Sua Mente, pelo que serão felizes e gratos, esquecidos de empenhos degenerados, e rememorados da Glória de Deus Nele Mesmo. Assim seja, para breve.

               Pai Nosso, estás conosco em Ti, pela memoria de Ti que não olvidamos, não podemos olvidar, pois nossas metades não existem. Pedimos Teu Chamado, Pai; para vermos nossos irmãos como são, para que possamos chamá-los também até à lembrança de Quem Somos em Ti. Nosso empenho é o Teu, Pai. E por isso pedimos a restauração de nossa mente íntegra, segundo a Vontade de Tua graça, em paz pedimos e chamamos por Ti, Meu Pai, amém.

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domingo, 10 de março de 2013

A cura da separação




                A vontade dirigida fortemente em favor de empenhos separados pode certamente fornecer as características associativas da separação. A doença a que chamamos “separação” não é em si mesma uma doença, mas uma fornecedora do “lugar” no qual as doenças podem acontecer. O medo da separação é infundado, mas é factível que a doença em decorrência da separação seja claramente perceptível neste contexto como sofrimento.
                A grande premência do sentimento de isolamento é um óbvio efeito do investimento errado. Vejamos: se investes na separação como teu esteio, o teu sentimento de si mesmo será o de um separado. Parecerá que estás destacado de tudo, mas que isto vem pelo custo de alto empenho em independência. Teu ego não deixará de fornecer os elementos aos quais devotas tua idolatria e apresentas como empenhos aos quais merecem tua “dedicação”. Assim, a morte surge como um evento separado, que cortará de vez a tua vida de todas as outras vidas, pois esse é o ápice da separação.
                No entanto, enquanto não surge a meta principal, as meta secundárias em direção a este terrível sonho advogam que a separação não ocorreu, por isso são precisos arranjos entre ti e o mundo para que possas transitar nele; separado, mas pertencente à sua roda. Tu és um dos habitantes do mundo, tens o direito de estar aqui, mas neste “aqui” os corpos e os diferentes objetos devotam para ti a prova de que a separação ocorreu em um contexto no qual teu empenho falhou, e precisas agora defender-te, sob pena de receberes o ataque, que virá nas formas de falta: de amor, de dinheiro, de companhia, de pessoas para conversar etc. Em outros termos mais simples, é a crença na escassez.
                Obviamente, parece que não vale a pena deixar isso para trás, pois o medo surge agora como o elemento “protetor” da separação. O separado crê que entrou em uma bolha, mas que pode conviver com outras bolhas e com as “coisas bolhas”, sem jamais tocar em nenhuma delas, e totalmente à parte de tudo o que percebe como sendo externo a si. Essa sensação, que é fortemente defendida pelo medo, pois o que poderia ocorrer caso todas as bolhas estourassem?[1] Ele seria totalmente dissolvido e “perderia” sua identidade. Ele precisa muito temer as “outras coisas” ou os “outros”, pois em caso de contato, ele pode ser dissolvido, eliminado, totalmente destruído pelo que é externo a si, e agora que surge, como cavaleira da insanidade, a batedora oficial da separação, a tão insanamente protegida “culpa”.
                A culpa surge como a faca que aponta para teu peito a ameaça: “tu estás errado quanto ao que és”. Obviamente, isto — e apenas isto — está correto segundo a perspectiva da culpa. No entanto, enquanto o Espírito Santo diz que o erro nunca existiu, que és amado e que basta apenas mudares a perspectiva para veres a cura, a culpa, por outro lado, dita que a cura não existe, que  morte é a única certeza deste mundo, e que irás para o túmulo mais rápido se tentares te aproximar demais. Ela continua com a faca apontada, uma faca de espuma, mas te hipnotiza em argumentos aos quais devotas teus empenhos dizendo: mas a morte será que é meu fim, o que posso fazer para escapar? E da culpa, do medo e da morte surge o ego, que te diz o que queres ouvir para estar separado, mas em defesa contra a separação.
                Isso é possível? Será que estarás seguro se defendendo a favor do que queres escapar? Ele gostaria que visses em tudo a faca, apontada de volta para ti, pronta para estourar a tua bolha e te colocar indefeso frente a frente com o inimigo. Sem tuas defesas, serias trucidado pela separação, e o teu irmão poderia finalmente completar sua vingança, tramada em meneios escondidos, aos quais não tens acesso, mas que visam te jogar sempre no túmulo, pois a tua morte não tem final sem que o tempo possa dizer: “agora, uma coisa virá atrás da outra”, e por fora das bolhas surgem as horas, os minutos, o passado e o futuro, e se estiveres disposto a perceber a insanidade em tudo isso, o perigo aumenta, e teu ego tentará, de todas as maneiras possíveis, te retrair para “dentro”, sendo este tal “dentro” uma marcação em perspectiva, localizada com o centro em teu umbigo, sendo o corpo o grande troféu pelo qual, em certeza de defesa, podes agora respirar aliviado, pois finalmente esta faca está longe, longe; encostada em alguma outra coisa — teu corpo —mas não pode te atingir jamais.
                Agora, a separação é real. E podes ouvir o professor que fizestes, para provar que a culpa, o medo e a morte são reais. A sensação de opressão vem como um prêmio, pois podes dizer: “realmente é assustador!” Agora minha pergunta é: para quê isso? Qual é o propósito? Querias experimentar a dor, o medo e o ataque? Pois bem: não tivestes já muito mais do que o suficiente? Eu vim para te buscar. Nas queres te deixar ir desse sonho? Em verdade, não vais embora de lugar nenhum. Pensa nisto: no universo, rondando em torno de mil milhões de planetas, está a terra, que é um micro ponto em meio a esta “imensidão”. Dentro deste micro ponto, estás tu, minúsculo em relação a ele, como um corpo, um nanoponto dentro de um ponto. No entanto, acreditas mesmo que, se apanhas aquela xícara no mercado, compra-a com as tais “tiras de papel”, podes dizer agora que um ponto é dono de outro pontinho? O sonho permite que o teu corpo seja o centro de todos os pontos, e o teu umbigo está mesmo bem no centro de uma rosa dos ventos, cujo o norte é a tua vontade e o universo inteiro para diante de ti, para fora, externo em pontos e mistérios, todos com uma faca apontando para ti. Realmente, para te defenderes disto, terias que ser um mago, e viver em mágica.
                A mágica chama de vida, e o mago chamas André Sena. Pronto, eis a loucura revelada em ponto. Obviamente, André Sena será o nome de um corpo neutro, restaurado, conforme seja tua vontade de estar em paz, sereno, claramente destacado da loucura em acreditar que uma construção pode tomar o lugar de Deus. De acordo com a insanidade, Deus seria Aquele Que fornece a faca à separação, e Jesus é o culpado por ter divulgado o cangaço celestial. Tudo isso é até para se rir, para compor piada. Não aconteceu nada, nada se separou na unidade, e já dissemos que a culpa é a produtora das imagens. Portanto, a culpa de Adão forneceu-lhe os meios para “existir fora do lugar bom”, o medo fez com que o lugar “fora” fosse real, pois ele pode matar, e o ataque virou a defesa necessária. Daí as guerras e os motes em favor de angariar pontos nesta vida como um grande fortalecedor do sujeito como portador de coisas. E se ele possui coisas —e “coisas” são todas as imagens — as coisas fazem dele o sujeito de todos os seus predicados construídos.
                O perdão restaura, o amor pacífica, a ausência de defesas liberta e a paz vem. Somente através da ausência de defesas poderás perceber que a tal faca é um brinquedo de espuma. Tolo demais para ser levado a sério, e por isso se diz no UCEM que é “despedido com uma risada”. A faca de espuma é temida pela crença em que ela possa ferir. Ela não pode ferir. O hipnotismo em anos que te é sussurrado como verdade foi capaz de te iludir, mas estás percebendo a ilusão, para quê continuarias então em busca de nada?
                Os símbolos de amor não te serão tomados. Por fora da bolha está tua verdade, e tu és amor, portanto, verás apenas isso. Para veres a faca de espuma, escuta a Teu Professor. Confia nele enquanto vês as imagens de amor que ele te demonstra como sendo Tua real Vontade. Não há erro em acreditar em amor como a única verdade, pois todo o temor surge do medo da faca de espumas e dos assassinatos que cometestes com ela. É para se rir! Será que matastes com uma faca de espuma? Então a culpa é para se ver apenas em tolice, e o que vier para ti em imagens podes ver apenas em amor, sem nenhum tipo de julgamento, pois o julgamento do nada é apenas o nada decalcado.
                Devota teu dia hoje ao amor. Parece realmente doloroso o empenho em ausentar completamente de defesa. É como uma criança caminhando para tomar um bom banho de mar em um dia de sol, temendo a água fria no caminho e os seres marítimos e o medo de morrer afogado. No entanto, no caminho um amigo amoroso lhe diz a verdade, que a praia é em Natal, que a água é quente, que não há nada a temer, que ele pode confiar no mar se ele mesmo souber agradecer ao mar em empenho de nadar em lugar de calma, e que o grande amor de todo o mar é dele, e eis o banho bom, sem medo algum, embora a um tempo atrás parecesse que era temível e terrível aquele evento que se reconhece agora no bom. Amém, amado. Empenha-te neste dia em amor. Ausência de defesas é cura da culpa. O que revelarás é o que és, e só pode ser amoroso. Não queres continuar como fantoche da culpa. Deus está a falar para ti através de Teu Professor. Escuta-o hoje, e ele te conduzirá com amor, mesmo diante de “aparente terror” no caminho do bom banho de Natal. Esperamos por ti em paz. Amém.


[1] A metáfora da bolha é de empréstimo a Marcos Morgado.

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