segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Sobre a oração




Há garantias sobre tua salvação. Não estás perdido no espaço em termos que garantem apenas o teu afastamento de Deus. O amor não é uma doença da qual precises te livrar. Certamente, alguns pensamentos terríveis podem buscar o teu empenho e aliança para que estejas destituído de tua mente certa. Este é o momento em que se diz: Não quero este pensamento, escolho em lugar dele _________”. Pode-se colocar aqui algum exercício que melhor se adeque à situação ou um elemento qualquer retirado de passagens do Curso. Possivelmente, isso será tua guarnição, se assim escolheres.
Falamos do ato mecânico, da “mecânica do instante santo”. Pois bem, há algo mais mecânico que as disposições do ego? Suas fantasias são totalmente evocadas através de imagens. Não é possível ocorrer um relacionamento santo através do que teu ego diz ser bom ou valioso. Ele quer o total afastamento de tu em tua vida. Será que isto é possível? 

Não só é impossível como é irrealizável. No entanto, podes sonhar que é possível, e assim dar asas à imaginação e aderir ao teu comprometimento com Deus uma cláusula: serei de vez em quando “livre”. Isso não é bem uma ideia boa. O teu compromisso com Deus é total, simplesmente porque é o teu comprometimento contigo mesmo. Ora, se estiveres disposto a não ter para ti mesmo uma vontade igual à Sua, para quê queres outra vontade? Será que através de uma relação desafiadora Deus irá entregar para ti o Seu Trono? Será que vencer Deus pode ser uma meta razoável, se tu e Ele são Um? O UCEM repete inúmeras vezes que vencer a Deus seria vencer a ti mesmo, e tu serias também incluído nisto, pois a derrota de Deus seria a tua derrota. Não percebes a insanidade em duplo de todas essas coisas?

O mundo dos opostos funciona bem como uma balança. Teu compromisso total com um deles te lançará indefinidamente ao outro. Assim, quando te esforça em manter tudo muito correto e organizado, pode ser que estejas criando uma bagunça, na medida em que transforma o útil em vício. Uma correção moral, uma perspectiva certa, uma vontade disposta aos contrários é o mesmo que nada, se visto segundo o ponto de vista de tua mente errada. 

Orar é o caminho para a salvação. Não existe nenhum outro, pois a oração acontece entre Deus Pai e Seu Filho, sem intermédio de nenhum atributo ao qual o filho se atenha enquanto pensa estar separado. Ele não pecou, não está condenado por Seu Pai. A oração acontece segundo ascensões de suas forças mediante uma disponibilidade. O ritual da oração pode ser o mecanicismo do instante santo, ou a funcionalidade em ilusão de perdão ou ainda a certeza devotada à petição de Ajuda ao Ajudante, mas a oração em si funciona perante uma disposição significativa entre o que se diz amor e aquele que realmente ama. Não há erro em dizer que a oração é o veículo dos milagres, pois ela associa o que é real ao que ainda não acordou, está inconsciente, mas apresenta provas de devoção e fé, pois é aceita como é recebida, e quando o Filho ora a Seu Pai, Ele sempre responde.

Tal oração prescinde de palavras. Não há necessidade de ater uma consequência que seja ao ato da verdadeira oração. Se ativeres a ti uma devoção mecânica, conforme concebemos anteriormente em relação ao instante santo, então o que virá a ti será mecânico em suas formas, mas subsistirá aí, ainda que perceptivelmente, uma certeza de que existe uma carinhosa e amorosa presença em ti que jamais te abandonou. A oração divulga isto em seus meios verdadeiramente vantajosos, pois assim não troca o que pediu por um conceito, mas esteia em seu conceito de si mesmo o desapego, até que esteja imersa em Outra Coisa, que não é perceptível em suas formas, mas adere ao que causa conforme sendo ela mesma a causa. A oração não pediu mudanças nos efeitos, mas apenas aderiu a si a causa, e tornou-se efeito de Deus. 

É possível orar todo o tempo, mesmo enquanto estás cumprindo atividades não relacionadas à devoção. Orar não é estender-se em meditação ou prostrar-se em petição, embora se possa atingir através destes mesmos meios o propósito ao qual se devotam, que é encontrar a Deus, pois Deus está disponível com o caráter de sempre. Não existem críticas aqui. O que estamos a apontar é o fato de que a oração é o veículo dos milagres. Portanto, não há ordens de dificuldade em orar. É possível orar durante todo o tempo da tua vigília, podes até mesmo orar enquanto dormes. Seguramente, pois dormes apenas o corpo. Orar é uma espécie de concentração, mas votada a manter a mente certa em si, enquanto associa o que vê ao que pensa, pois o que vês é reflexo de tua mente. Orar é pedir para ver no mundo o “mundo santificado”, ou o mundo real, e acreditar nas imagens que vês como sendo perdoadas, plenas da validade de tua adoração, pelo que, na vida, o que nomeias morte pode ser a vida, e o que nomeias vida pode ser atraso, visto que a oração associa o que és ao que pedes, mas sempre verdadeiramente. Se a oração corrige tua mente, ela mesma provê os milagres que atestas e vês, pois a tua mente recebe os milagres em imagens de cura, mas não será como pensas e queres. As imagens virão, certamente, pois estabelecestes uma prova definitiva. Nenhum tipo de cura acontece sem tua permissão. Não podes deixar de orar, pois oras quando estás em tua mente certa, e não podes estar sempre errado. Mas lembra-te disto: “Alguns dos teus maiores progressos julgaste como fracassos e alguns dos piores retrocessos avaliaste como sucesso (T-18. V. 1:6)”. Assim, recebas as imagens que te chegarem como oriundas de tua mente. Não sabes se as imagens estão certas ou erradas, pois ainda não aprendestes a distinguir bem a tua mente certa da tua mente errada. Mas perdoas a todas em oração, disposto a ver o visto, e assim recuperas a sanidade em qualquer situação e encontras o lugar ao qual retornar, “o centro de quietude, no qual tu nada fazes”. Não precisas orar para orar. Não precisas fazer nada. Eis a quietude demonstrada.

A situação a qual encontras a ti mesmo é oração. Ver a face de Cristo em teu irmão é o efeito real da oração. Enquanto estiveres em oração devota, podes te disponibilizar a isto, e certamente ocorrerá para ti. Mas não temas a alegria em teu irmão; o ego que ele fabricou não tem nada a ver com isso, mas certamente teu irmão agradecerá, mesmo que não entenda o que está acontecendo em termos de encontros. Fica contente com sua alegria, pois é a tua liberação, sendo dada a ti por ele. E agradece a Cristo nele, para que sejam salvos os dois, em Um, conforme apraz a tal encontro santo.

Assim, não pediremos ao Pai em palavras, mas nos disponibilizamos segundo Sua Vontade. Estamos prontos, pois aprendemos que coragem é amar com fidelidade real, segundo o verdadeiro amor, que não diferencia o que vê de sua própria mente, e assim entenderás que o mundo não está fora de ti; entenderás finalmente que “um mundo está aqui, é óbvio que ele está dentro da tua mente, mas aparenta estar do lado de fora (T-18.II. 5:2)”. Mas compreenderás isto por ti mesmo. Não temas o teu irmão, o que ele te diz ou que ouves dele ou vês, pois tudo isso só pode vir de dentro de ti mesmo. Teu irmão não pode ser a causa do que vês, nem do corpo alheio que vês. Mas tu e ele “são para sempre efeitos de Deus”.

Coragem não é co-agir, mas “agir com”. 

Ao que: 


Amém.


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domingo, 24 de fevereiro de 2013

A Casa de Deus




               A busca por um ideal que é visto como impossível, irrealizável e totalmente arrogante tem mesmo que parecer uma luta diária e totalmente sem sentido. No entanto, este é o raciocínio do ego, quanto ao que realmente queres. Ele gostaria que concordasses consigo que esse trabalho é inútil e que teu empenho em direção a Deus é uma busca em conto-de-fadas. Se experimentares o tédio de teu corpo como tua casa, obviamente tens para ti mesmo uma saída realizável em si. Pois se o tédio do teu corpo, ou dos teus dias, se estabelece com algo ao que não te assegura alegria e sentimento vivo de estar em paz, então o que buscas não pode estar aqui, onde o corpo e o tempo estão.
               Portanto, se buscas com fé perfeita por alguma coisa que não pode ser definida pelo corpo, essa coisa tem que estar realmente em outro lugar. O ego não pode deixar de habitar teu corpo. Ele não pode “sair” para encontrar algo maior que sua sensação de localização. Sendo circular em todo o seu raciocínio e ação, o corpo é para o ego um meio e um fim. Se sentes o tédio de teu corpo ou de teus dias, onde estás abrigado? Onde pensas que é a casa que te guarda?
               Desconfiar do ego não é suficiente, mas é um começo. Não significa que, pelo fato de desperdiçares o teu tempo em encontrar saídas satisfatórias em divulgações de tua caminhada, como, por exemplo, nas publicações de teus textos ou em enredos de aventuras, estejas preparado para encontrar uma relação aprazível com o que “está fora”. Não há nada fora. O que é então o tédio?  É um encontro entre o que está divulgado como certo e aquilo a que se nomeia razão, ou julgamento pelo mundo. Achas que não estás fazendo algo que te alegraria, precisas confirmar o princípio da escassez, pelo qual o tédio é justificado, visto que “te falta alguma coisa”.
               No entanto, e verdadeiramente, não te falta nada. Veja que o dia do tédio é o dia em que o mundo não está girando em seus papéis ou ficções sociais. O dia do tédio é uma especulação e até mesmo uma teoria da separação. Nele, vês que o divertimento é uma escapatória tão irreal quanto o trabalho e as realizações ficcionais do mundo. É preciso muita coragem aqui, pois estamos a dizer que tudo o que mundo cria como feitura é sem significado. Não possui realidade em si mesmo e contesta o que apresenta em relações circulares, para que sempre te falte daquilo que ele produz. Tudo o que queres remover ou adicionar é sonho. Como já foi dito, a Revelação não é uma coisa adicionada, mas reconhecida, isto é, novamente conhecida.
               Onde fica a Casa de Deus? Não pode ser no teu coração humano, tão inconstante que é incapaz de amor perene, e julgador em suas formas de amar segundo o que o mundo dita como sendo “amor”. Seria na tua mente? Decerto que sim, mas não no ato elaborativo do pensamento, conforme o amor seja concebido e teorizado vindo a ser uma dádiva questionável, passível de ser testada para assegurar sua validade. Não é assim com o amor dito “racional”. Porém, a esperança de encontrar amor nos corpos e na própria ideia de amor é uma tarefa muito viciante para aqueles que se creem separados, pois encontrar o amor passa a ser uma meta, no futuro do tempo. E o tédio parece ser ausência deste amor localizado no futuro. Assim, também é justo, para acabar com o tédio, procurar amor.
               Queres parar de escrever para ir ali? Aqui e lá são lugares distintos, portanto, aparentam separados. O Aqui é irmão do Agora, mas não podes querer o agora do ali. Está é a confusão que o ego te apresenta e acreditas que não podes entender porque não vale a penas buscar a cura do tédio em outro “fazer”. A resistência a criar é uma meta do ego, pois ele adiciona à tua resistência a prova de que “não adianta buscar a Deus, isso é impossível, é só para alguns especiais”. E nisto ele está certo, pois sua evocação de alguns como especiais é a tarefa da divulgação do especialismo como sendo a realidade dos teus irmãos. E tu, que és diferente destes “iluminados”, estás perdido, pois Deus já garantiu a tua escassez, e não vai te dar Seu Amor como teu sustento. Terás então que procurar por ti mesmo, e o tédio é a certeza de que não achaste — — — ainda. Sempre se pode buscar lá ou ali, não é mesmo?
               Certamente, no início de tua longa des-hibernação, precisas perceber que o sonho não é mais o lugar onde pensas estar. Às vezes, durante o sono noturno, podes ter um sonho muito favorecido pelo teu empenho em dirigir e acordar deste sonho assustado, de modo abrupto, e por um curto espaço de tempo não consegues saber onde estás, e perguntas a ti mesmo “que lugar é esse?”, sendo que ali é a tua casa, não é mais o sonho no qual pensavas que estava, e de repente estás completamente submerso em uma dúvida temporária, como se habitasses um “não-lugar”. Essa confusão, que, no entanto, não é favorável, pois ela desancora de um sonho para acordar em outro, essa confusão pode ser utilizada como uma metáfora do estado anterior ao ato de soltar os sonhos do mundo, em direção à Casa de Deus. Na medida em que percebes que estás soltando tuas amarras deste mundo, uma confusão e uma sensação de desordem podem seguramente ocorrer. Este é o momento da fé, como diz o Curso. Nas mudanças que são reais, que na verdade são uma só, sempre é possível que surja uma sensação de perda, pois estás transmitindo a ti mesmo a mensagem que não querias ouvir, que é está: tudo o que vês com os olhos do corpo ou que percebes com quaisquer dos sentidos não existe, e se empenhas teus esforços em direção a isto, estas abraçado fortemente à nada, e não queres soltar, pois perderias os valores, as realidades que não existem absolutamente. Soltar é muito perigoso para o ego, pois soltar é abrir mão de tuas defesas “contra” Deus, em favor de alguma utilidade que vês aqui. E por isso, mesmo o tédio te é valioso, pois ele pode ser experimentado e dar favor e testemunho pela separação. Principalmente como uma tese da escassez do filho de Deus.
               Na Casa de Deus, que é a Tua Casa também, de Lá tu não precisarás voltar. Na Casa de Deus só existe o Amor e todas as coisas boas estão Lá, e nunca se vê por Lá o tédio, pois a Casa de Deus é viva de verdade. Na Casa de Deus todos são bem vindos, e é Lá que estamos todos juntos, Unidos em Um, pelo que a Casa não é um corpo, e não tem paredes, nem teto, nem nada. Desta casa, que lembras de tua infância em intuição do mesmo, em música, é esta mesmo, que é para os bobos, sendo estes os que para o mundo o bobo é: um sonhador.
               Enquanto sonhas o sonhar do mundo não podes deixar de ser um bobo tonto. Podes vir a ser um destacado, mas serás um bobo tonto em destaque. O mundo oferece só o que não adianta nem atrasa, pois o que o mundo oferece não existe. Mas tu podes te atrasar demais, se achas que buscar pelo mundo uma coisa ou um estado meditativo ou uma forma de comportamento vá te trazer a “revelação”.
               Pai, pedimos novamente a Ti a revelação de Nossa Casa. Queremos estar de novo em Teus amorosos braços, para que possamos lembrar-nos de Ti, como nossa própria mente fornece em sugestões do mesmo, pelo que pensamos certo. Pai, precisamos de Ti, e queremos lembrar de Ti. Teu filho santo está em disposição pelo Teu Chamado, conforme prometeste, e por Ti ele espera, ciente de Teu amor, conforme És Tu Aquele pelo Qual chama o Nome que é o Seu Próprio. Assim pedimos, Pai. Esperamos tê-lo feito em nossa mente certa. Amém.


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Sobre a mecânica do instante santo





                O homem que alcança o seu próprio caminho é na verdade o homem que encontrou o caminho mais comum. Não há destaques nele. Seu pressuposto passa a ser a vida mesma, e não uma aventura destacada em conveniências. Esse mundo advoga muita coisa meramente conveniente como necessária. Assim, a insanidade pode ser elevada ao patamar de “uma boa causa”. A existência de defensores e mártires das tais “causas” mostra seu caráter desviado do caminho comum. O comum, reduzido ao conjunto de pessoas no mundo em prol de uma única causa, é uma atadura fixa, um antolho, uma mera disposição ao compromisso com o nada. No entanto, se apenas a união de dois egos é impossível, quanto mais de todos.
                Assim, o único axioma que garante a atadura fixa em termos mecânicos é o amor. Existe até uma mecânica do amor, que não é especial. Parece contradizer o que o Curso diz acerca do amor verdadeiro, pois obviamente tu já lês julgando. Não esperas sequer as palavras completarem seu sentido. No mundo do tempo, uma idéia vem dividida em partes, fragmentos nomeados como relações entre causas e efeitos. Portanto, uma causa julgada premeditadamente provoca neste mundo todo o tipo de pré—conceito.
                O Curso diz: “Podes praticar a mecânica do instante santo e muito aprenderás em fazê-lo. ( T- 15. II. 5:4)”. Como podemos dizer que algo realizado por mim pode ser mecânico, se o que dizes que está destacado de ti não existe, e é mecânico? É verdade que não é possível controlares o comportamento indefinidamente, e a sensação de opressão que este estado causa é intolerável. A aparente infalibilidade das leis mecânicas deste mundo, dos resultados em efeito e causa são patentes na separação e, de certa forma, é o modus operandi dela. Dizemos obviamente nos referindo à percepção diretiva, pois está claro que a matéria questiona-se como criação a nível quântico, se quiseres chegar até o fundo do nada para certificares que o átomo do nitrogênio em Tomé é o mesmo em uma pedra, ou na água, se Tomé fosse corpo e a água existisse.
                Estás com medo? É arrogância, então. Ou não acreditas ainda no que o Curso diz. Preste atenção: a mecânica do instante santo vale à pena, mas não pode ser evocada eternamente. Em certo momento, ela precisa ser ultrapassada por um evento unificador, presente em tua memória desde sempre, e que elide os corpos em verdadeira união. Mecanicamente, através do comportamento adestrado, isto é impossível.
                Portanto, será útil para ti saber como se dá a mecânica do instante santo. Ocorre de maneira semelhante à mecânica estrutural dos exercícios, através da evocação e entrega, em títulos determinados como princípios indutores da mente certa. Os 365 exercícios do Curso são as bases deste princípio. A repetição deles, isto é, sua aplicação mecânica, farão com que tua mente direcione-se por si mesma no curso correto. É impossível que um indivíduo que tenha feito todos os exercícios do Curso não tenha sido tocado, como o próprio Curso afirma. Ele pode não ter percebido, e acreditar que foi mais um tipo de exercício espiritual ao qual se entregou e falhou. Mas isto não significa que ele não teve benefícios reais. Seu julgamento não é o indicador disto. E se ele abandonou o Curso, como abandonou? Se o Espírito Santo nunca o abandonará? O Curso em Milagres está muito além deste livro que vês.
                Assim, antes de julgar a teu irmão, entenda: um amigo que vem para decidir o que é certo,  pode ser até que ele mesmo não esteja certo, mas ele é capaz de certeza, pois a certeza não vem dele. No entanto, se ele se disponibiliza, e pratica a mecânica do instante santo, como perderá com isso? Ele ainda não está ciente do que diz, mas se através dele é dito (e muitos acasos que nomeastes coincidências, sincronicidades ou mesmo avisos, são apenas diretivas mecânicas de tua disposição em ouvir a Voz por Deus) mas se através dele é dito, porque apenas tu te beneficiarias?  Isso, não tem glória envolvida. Não pode ter, pois o comum parece destacado no mundo, pois todos acreditam que devem chegar até um ápice da separação, e parece um elogio dizer: “fulano é muito incomum”.
                Deixemos de lado os meios e vamos ao que interessa: como praticar, no dia a dia de tuas alterações de humor, a mecânica do instante santo? E quais são os proveitos que ela te oferece? Responderemos então estas duas perguntas separadamente, de forma que sejam vistas como uma só.
                A mecânica do instante santo é uma disposição. Dispor-se é “estar em posição de”. Portanto, a mecânica do instante santo espera que estejas a postos. Se tiveres raiva por um momento, e não conseguires te livrar desta indisposição, mesmo que a causa da raiva tenha sido esquecida, ou resolvida, significa que não queres a solução de um problema ou “soltá-lo”; queres apenas a raiva, pois não consegues te livrar dela mesmo após o ato que aparentemente a causou tenha se passado. Não é assim? O rancor não pode demorar anos? E não parece justificado pelas leis do mundo? Aquele que errou no mundo tem que pagar caro, e pagar aqui? Essa é a lei que eu vim para desfazer. Em mim, não temas, pois eu te disse que viria se tu te disponibilizasses, e por isso vim. Não me receberás com alegria?
                Graças a ti também, quem ajuda a ti mesmo em teus irmãos. Vejamos o que é a loucura da raiva e do rancor. O rancor é a permanência da raiva no tempo, sabemos disto. O que não sabemos é que o rancor visa “estender” a raiva. Como se fosse possível criar com o pressuposto eterno das criações, a raiva “estendida” não pode ser associada a um elemento que a desfaça. Portanto, a solução de um problema nunca é suficiente para aplacar a fúria do ego, pois ele precisa de mais raiva para se manter, e para isso ele precisa sempre te apresentar a ti mesmo como escasso, entendes? Falta algo que alguém te tomou. É justo sentires raiva.
                No entanto, o ego não diz que essa raiva tu fabricas “do nada”. Pois se mesmo um motivo que justificasse a raiva fosse embora, e tu ainda mantivesses teu estado mal humorado, por que seria assim? Manténs agora a raiva justificada na falta de algo que já recuperastes? Então, tem que ter algo faltando. Onde está esse algo? Está na confusão que o ego te induziu para crer que te falta algo. Por isso acreditas que tens que ultrapassar alguém nesse mundo. Precisas ser melhor que outro. Falamos anteriormente sobre a educação das crianças e de seu senso induzido à escassez, pela necessidade em adequar-se ao especialismo. Agora, é a mesma coisa, com a diferença que agora quem o faz é uma pessoa “madura”.
                Criança de Deus, não há dificuldade aqui. O que estamos dizendo é que a raiva não tem justificativa, mesmo quando parece ter, pois ela é destacada de sua causa exterior, pois no exterior não te falta nada; e é bem verdade que “vieste” para cá sem nada e sem nada daqui retornarás. Dá graças a Deus! Não sabes o quanto deverias agradecer por teu Pai ter te mantido completo, conforme não precisas de nada deste lugar de imagens densas, feitas pedra. Não percebes que tudo aqui é pedra?
                Então, o que é a escassez? A escassez é bem uma assombração que teu ego fornece conforme argumentos entre ti e as pedras que te faltam. “Ah! Faltou essa pedra aqui!” “Aquele te tomou uma pedra que era para ser tua!”, “poderias beber mais pedra, se não te faltassem pedras no Banco das Pedras”, e por aí vais à raiva. Banalizar? Pois bem, vejamos o que é banal, então. O Filho de Deus não pode ser banal, pois a Sua importância não existe, pois a importância atinge um limite em Deus, para Quem a importância não tem significado. O que importa então para ti nas pedras? Teu conceito de ti mesmo? O conceito de outros egos? A tua paz interior? Matarias pela tua paz interior? Nesse caso, teu sonho de paz interior é pedra também. E assim surgem os terroristas, e é melhor pararmos por aqui, pois esse mundo já sofreu demais em teus pesadelos.
                Eu vim para te dizer que deves parar. Parar significa estender a si mesmo em centro. A ação parece então que está parada. Veja só: um sonho, minha Criança, não pode ter efeitos. Se sonhares com um tesouro e acordares pobre, de que adiantarão os juros? A raiva é um juro, sendo um juramento que fizeste de jamais perdoar, de aceitar o que te acontece como sendo sempre falta, escassez. Assim, mesmo o que é bom nunca é suficientemente bom, está apenas quase bom, ou há o êxtase com o qual tu compras teus sentidos de prazer ou dor, mediante significados de que “agora, sim, está bom”. Ora, agora é sempre a hora do bom, pois o bom é sempre estar em presença do centro em si. Mas este agora não é uma meta, um “agora finalmente”, um agora que surgiu da soma de outros “agoras” anteriores. Então, a eternidade é a soma dos “agoras” felizes? Achas mesmo que a eternidade é feita de escassez, ou esmolas?
                Não peças esmolas ao teu ego! Não é isso que tu és. A dureza da lição vem de uma necessidade em relembrar-te que És como Deus Te Criou. Sem escassez nenhuma. Pois quando estás consciente disto,  és amado por teus irmãos. O mundo se torna tão bom, que quase parece que é real. Pois o amor “realiza” o mundo para ti, em amor também, pela extensão. Não vale a pena então, mecanicamente, te sentires bem através de uma disponibilidade corajosa? Para isso, tem uma história:

                Hoje eu e minha esposa saímos para almoçar em um restaurante. Eu estava indisposto porque me faltara uma pedra. Então, estava com cara de mau, emburrado em ser um cara mau. Isso, no entanto, me dava uma sensação de que eu sabia quem era. Eu era o cara que tinha perdido a pedra. Naquela hora, eu poderia então me referenciar no tempo espaço e dizer: “eu sou um cara mal humorado”, e assim eu estava “sendo”. Eu poderia até me definir, se quisesse. E era isso o que restava de mim como filho de Deus.
                Então, no semáforo, percebi que era orgulho manter rancor, mas isso veio para mim porque lembrei em repertório que “Eu Sou Como Deus Me Criou, eu sou livre”. Então, resolvi criar coragem e olhar para minha esposa mesmo com raiva, que nem era raiva dela, mas era uma raiva nos espaços, e olhar para e ela e dizer alguma coisa, tipo: “não quero estar assim, mas estou. Isso é uma verdadeira pedra!” Mas não disse nada. No entanto, um segundo depois, se muito, olhei para ela com coragem em desfazer aquilo que me fazia mal. “Pelo menos, eu posso decidir que não gosto do que sinto agora (T-30. I. 8:2)”. Outra, do repertório benfazejo.       Então, apenas olhei para o lado e a vi. Ela olhava para frente, mas de repente virou o rosto para mim e fez um sinal afirmativo com a cabeça, com um único gesto firme. Eu respondi igualmente. E, nisso mecânico, posso dizer que a raiva não se desfez imediatamente, mas não tinha mais a mesma firmeza de antes, e dali a pouco eu estava bem. Eu não perdoei a raiva que tinha, eu perdoei a falta que eu pensava que em mim havia. Então, aprendi que coragem é um ato de querer se livrar do que não presta. E sentir-se mal não presta.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Sobre a concentração


Obrigado


Concentrar é manter o centro. A atenção visa contribuir com a resposta do Espírito Santo. Nunca estás atento quando estás submerso em teu ego. A atenção que ele procura estabelecer garante a manutenção da tua suspenção em continuidade, ao que parece que tua vida está garantida como um centro irradiado para fora. A “concentração” do ego é totalmente periférica.
Quando vês o que é a tua atenção, estás imerso em um estado completamente associado a tua disposição. No entanto, a disposição que o ego apresenta como certa é uma miríade de opções. Muitas vezes, enquanto fazes algo, o teu ego pressiona tua mente em certeza de comentários ou imagens que são associadas a coisas que não sabes de onde vem! Ou por outra: muitas vezes aparentas estar totalmente concentrado em algo que o ego te apresenta como “tua função”! Mais uma vez, seu intuito é manter-te distante, enquanto acreditas que estás por perto, ou focado.
Não é possível se concentrar em dispersar-se. A contradição não é um conceito válido para nosso aprendizado. Se dizes que podes te concentrar para isto, mas depois não consegues concentração para repetir este “isto”, então a concentração não depende do que fazes. O ego quer dizer-te que a concentração depende de seus planos insanos. Apenas se aderires indiscriminadamente ao que ele acreditar ser verdadeira, aparecerá para ti uma disposição para ficar parado mais tempo.
A atenção, segundo o ego aprisiona e evoca, não tem em si nenhum tipo de recompensa. Ela está para o amor assim como as pedras estão para o mar. No mar existem pedras; se vê tantas praias impróprias para um banho seguro. Mas o mar não é a pedra que ele contém. A pedra sob o mar é apenas pedra.
Um dia em que te deténs a concentrar-te em atividades egóticas é um dia perdido. Dizes que há nessas atividades um propósito. Mas quem nomeou este propósito como válido? Foste tu mesmo? Então o resultado de tal propósito deve ter sido completamente feliz, e seu atento estado disponível em ti deve ter abarcado uma sensação de realização e de fuga da realidade. Foi assim? Pois te digo: isso não é atenção — é suspensão. A verdadeira atenção não requer ação, embora possas agir atento. Aquilo que o ego comenta como sendo a verdadeira atenção são as dádivas que ele aproveita para te seduzir com garantias de que isto ou aquilo te farão feliz, ou ocuparão teu tempo. Meu Deus, não creias que isso seja atenção! A verdadeira disponibilidade faz feliz em apenas estares presente, vendo o visto, e esse visto pode ser qualquer coisa. Não é o que vês que te faz prestares atenção. Como podes ver o que produzistes e não ater a isto atenção? Apenas se não quiseres considerar o mundo como um espelho plano que reflete as imagens de tua mente é que poderás dizer: ah! Isto não me chama atenção! pois a atenção funciona apenas quando te sentes vivo.
Podes dizer que te sentes vivo quando sentes dor? Então, acreditas verdadeiramente que teu corpo é a tua vida. Se for assim, como poderias crer que não és um corpo? Que és totalmente livre? E ainda que és como Deus te criou? Será que podes te concentrar até encontrar uma resposta?
Os exercícios não pedem concentração. A disponibilidade não é concentração de modo algum. Se assim fosse, poderias dizer que os casos em que a própria revelação surgirá para ti 'deverá' ocorrer quando estiveres atento, conforme a tua definição de estar “imerso em”. Pois eu te digo: a Revelação pode surgir do mais banais dos atos, se nesse ato existir fé. A fé não é uma disposição em favor de algo. Não existe um algo a que a fé se apegue, pois a fé transita neste mundo como um conceito sobre a crença em algo que não é possível de alcançar através da percepção. Quando dizemos “fé em Deus”, queremos dizer que Deus é algo ao qual o pronome algo não pode repetir ou conter. A linguagem não pode sequer dizer o nome de Deus. Quando fazes uma coisa qualquer, qualquer coisa que seja, e percebes com tua dedicação verdadeira que aquilo não existe, que não significa coisa alguma, então percebes verdadeiramente, e te concentras em teu centro. No entanto, isto é uma ideia, e uma ideia é muito diferente de um pensamento. Se pensas ativa e fortemente, através de muita disposição, que esta chave de fenda não existe, então construirás um conceito utilitário da mesma chave de fenda e dirás: isto não é o que é. Dizer que algo não significa nada é dizer que um conceito não traz em si uma total disponibilidade tua em afirmar o que é verdadeiro. Vamos facilitar aqui: um clip de papel serve para ater várias folhas de papel. Se ele não tem significado, ele atém várias partes de nada, mas a estas partes chamas papel, e o clip é o mesmo que o papel atado. É a mesma imagem, dividida em duas coisas. Pronto. Isto é o máximo que pode ser dito como exemplo para ti, por enquanto.
Então, vejamos: suponhamos que o ato concentração está perfeitamente disposto ao que é certo. Se tal concentração for definida como atenção através de um pressuposto, digamos, moral ou legal, esta disposição tem que ter fundamento no mundo. A concentração não é deste mundo. Não está passível de ser distribuída através de um pressuposto. Em resumo: tu não te concentras porque alguém mandou. 
A concentração periférica do ego está sempre envolvida em um pressuposto. Não há concentração em um ato público, pois para ele, o público é apenas a soma de vários egos, ou vários juízos. Isto geralmente ocorre em predisposições correlatas entre o que distribuis através do teu ego, e assim ganhas os aplausos meros. Mas muitas vezes, o “aplauso mero” vem da concentração que dizes ser verdadeira, e o aplauso se torna uma resposta. Não há razão em querer uma resposta. A única resposta possível vem de Deus.
Já ficastes com raiva novamente. Então queres te concentrar em ti mesmo, com o centro em tua aparição física? Não é isso que queres, podes ter certeza disto! Mas queres o amor de teus irmãos novamente, queres isto agora, sabes mesmo a falta que teus irmãos te fazem. Então, para quê te concentrar em estar divulgado como um “ser especial”? precisas da simplicidade da concentração verdadeira para encontrar teu centro. Não poderás te aproximar de ninguém se te julgas um astronauta ou um grande destacado. No entanto, podes ser astronauta em destaque na função de Deus. Ad astra et ultra (Aos astros e além).
Amigo de Deus. Feliz Filho Amigo dos Filhos Dele. Sendo todos Um Nele, escuta: não vieste até aqui por uma esmola de atenção. Tu não precisas fazer nada. Atente para isso apenas uma vez, agora: nada é nada. Entendeu? Assim, podes apertar os parafusos com tua chave de fenda, aceder aos astros com tua palavra, maravilhar o mundo com o teu sorriso, e não estás fazendo absolutamente nada! Apenas assim estarás verdadeiramente atento.
  Reza por este momento como uma disposição às palavras. Não mantenhas em teu corpo nenhum tipo de segurança ao que é certeza. O corpo não tem certezas. Não queiras de esgueirar de teus compromissos. Estar compromissado não é estar preso, mas pode-se prender facilmente ao que é alheio. Nada pode te dar um elogio, mas aceita os elogios que te derem. Os símbolos da criação estão dispostos “no” e “em” Amor. Nenhuma palminha nas costas associa símbolos ao que é verdadeiro, mas pode-se mesmo bater nas costas com amor, e disto sabes bem, quando estás fugindo.
Não fujas mais do amor. E aqui falamos finalmente da concentração: é um estado de espírito e não demanda esforço. Não está associada a nenhuma imagem, e por “imagem” queremos dizer tudo o que pode ser visto ou percebido. A ação não entra nisso, mas a inação também não é um pressuposto da verdadeira concentração. Ela vem de uma graça a qual te disponibilizas sem esforços, e está neste mundo apoiada na ilusão do perdão. Já sabemos pelos nossos estudos que o perdão é uma ilusão e as implicações benfazejas disto. Então, perdoa o que fazes, e o fazes bem, se assim. 
Amado Pai, segundo nosso todo Amor, viemos mais uma vez a Ti. Pedimos a revelação do mesmo, ó Pai, porquanto o que sabemos é pouco, mas tua graça é alta. Não temos mais palavras para Te pedir a Ti o retorno a Casa, mas estamos em disponibilidade em concentrarmos em Ti a nossa disponibilidade, pois o retorno certo é Vontade Tua. Teu Filho faz o que é Tua Vontade, meu Pai, e assim cria em Teu Nome, pela graça que pede, jamais em resposta, mas a Verdade Vossa, em Amor e Graça, pedimos. Amém.


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