segunda-feira, 11 de março de 2013

As duas metades


           

             Somente é possível perceberes a ti, neste mundo de opostos, como íntegro ou dividido. No entanto, apenas um destes estados corresponde à tua mente certa. Assim, aquele que te parece “o outro” também será, de acordo com o modo como o vês, dividido; e o encontro entre duas pessoas, diante da perspectiva da separação, é um arranjo que pode ou não “dar certo”.

               A metade de ti mesmo que apresenta sanidade está aparentada em teus irmãos santos. Se não queres vê-los santificados, como poderiam cumprir como espelhos de tua sanidade? Deus não te deixaria enxergar a ti mesmo como insano, pois isso seria a “prova” de tua insanidade. Por isso é dito no UCEM que o Espírito Santo representa a outra metade de tua mente que é negada, enquanto ocupas parte dela com o teu ego.

               A cisão surge em projeção como um conluio de corpos. Diversas pessoas são dispostas como outras metades de ti mesmo, mas em cisão. Portanto, são as cópias de tua mente errada, e não são de maneira alguma confiáveis. Segundo teu julgamento insano, o medo das pessoas é segurança, pois te provem o recuo necessário para que possas “pensar” tuas relações. O medo é garantia de que jamais metade de ti será corrompida novamente, pois antes de tua separação, a unidade da mente era certa, mas veja quantos ladrões há agora no mundo! Cada irmão roubou de ti metade que era para ser tua! Eles são ladrões! Precisas mesmo te defender!

               Agora, não podes falhar em teu pensamento. O raciocínio é a única saída. E enquanto pensas, pensas, pensas, o Espírito Santo observa calmamente, te chamando em cada oportunidade dada, que jamais é desperdiçada, para que vejas teus irmãos de novo como eles são: metades de ti mesmo, devolvidas a ti pelo mesmo, sendo sempre o mesmo, pois a metade de dois em um é Um.

               Os instantes santos provem o recurso necessário para desenvolver a confiança em tua metade remanescente. Queres entregar o que sobrou ao Espírito Santo para que Ele possa te ajudar e entregar-te a cura? Ele não se contem em ansiedade para fazê-lo! Ele te ama, e ele olha para teus irmãos nos entreolhos deles, pelo que te ensinou a veres o duplo, a área em torno dos olhos que é sempre limpa; e é para lá que olhas em metáfora de corpo quando vicejas confiança. Mas não é no corpo de teu irmão que está a metade de ti mesmo que foi “lançada fora”. Esta metade está em ti, recuperada pelo Espírito Santo quando disponibilizas a tua fé verdadeira em mim. O teu irmão não é uma criação impossível. O teu irmão — metade dele nunca existiu. Assim como metade de tua mente está ocupada demais com raciocínios. Mas vejas, aqui, como tudo pode ser santificado, bastando a disponibilidade! Achas mesmo que isso pode ocorrer apenas em literatura? Achas que o Espírito Santo, Que fala para ti por Deus, pode ser limitado? Ele, que te cura e particiona as metades em quartos santos, pelo qual podes ver que metade da metade “já foi” restaurada? Em quantas partes pretendes dividir a ti mesmo até encontrar a devastação?

               A devastação é impossível, pois o Espírito Santo representa a certeza, e a certeza não pode ser abolida, mesmo no mundo dos opostos, pois a certeza é o oposto da incerteza. Um mundo incerto pode ser consertado pela certeza. É assim que age o Espírito Santo, reencontrando em ti a certeza. No entanto, não existem mil metades de ti mesmo. Existe a mente certa e a mente errada. Os papéis aos quais tais cisões aderem podem ser variados, e a isto as pluralidades de personalidades no mundo servem bem ao papel de irmãos em diferenças. Metades são diferentes, pois são porções, não são íntegras. É para isso que serve o mundo e seus muitos e diferentes plurais. Os arroubos de unidade que o mundo prega como justiça são enleios de forma. Sabes muito bem que a justiça não olha para o erro!

               Agora é para se ver bem: metade que foi promulgada como santa, mas através de teus pressupostos descritivos, são apenas julgamentos. O relacionamento especial é isso: metade em amor, metade em ódio. Como poderá se estabilizar algo assim? Não adianta tentar! Precisas de algo novo, uma nova forma de pensar, não podes mais alcançar o perdão através do raciocínio, mas teu raciocínio perdoado pode e será muito útil, como diz o UCEM: verdadeiramente útil.

               Vamos compreender agora como duas metades surgiram em tua mente. Já compreendes que em um mundo de opostos, tudo é particionado em dois. Até mesmo Deus é irado ou bom, segundo a definição que se dá de Deus por lá. Então, a mente precisava estar restaurada (em Espírito Santo) e separada (ego). A parte de tua mente que pensa estar separada é aquela que crê que a unidade da mente é impossível. No entanto, a unidade da mente é a salvação. Metade de tua mente acredita em separação, e metade não pode crer, embora veja a separação e não acredite nela. Esta metade que não crê na separação és tu mesmo, mas a outra metade remanescente precisa de ajuda, pois ela foi “negada”, e precisou construir a si mesma, e o mundo veio a “parecer existir”, e outras pessoas são seus plurais em diferenças, pois ela precisa, para crer que não existe, ser de alguma forma atacada. A divisão da mente em vários corpos foi o “plano” no qual isso pareceu acontecer.

               Realmente, é preciso que se entenda que o universo físico não existe. A mente Una existe, e apenas Isto existe. A separação foi a tentativa inútil de criar duas mentes unas, cuja contradição já se dá na própria terminologia. Por isso surgiram todos os temas da queda, da grande guerra etc. Na verdade, o que houve foi um sonhar maluco, do qual estás despertando.

               Não estás perdido! Ora, tu vês quase a coisa toda, e queres o quê? A prova? Pois a prova te será dada, se pedires honestamente. Mas não será uma prova em absoluto, pois é apenas “o mesmo” revelado. A revelação da mesma coisa não pode ser exatamente uma revelação, pois é a mesma coisa, não é? Portanto, lembrar-te-ás de Deus e de tua Unidade Nele.  E se tu mesmo estarás unificado, restaurado, íntegro, não poderás ver novamente “outra metade”. Isso será para ti a revelação de Quem São os Teus Irmãos. E quanto adorarás a Deus e serás grato pelos teus irmãos! E como trarás contigo o teu tanto, em Si, pela lembrança real na memoria deles de Quem São.

               Não percamos tempo, então! Lembra que com uma metade só não é possível restaurar, mas o Espírito Santo te lembra de Ti Mesmo para Ti. Para teres confiança, abra mão da defesa. Esse primeiro passo é importante, pois pode fazer com que a confiança se fortaleça, pois não verás o ataque que crês, mas verás a gratidão de teu irmão pelo que fazes por “vocês dois”. Não o julgues, não podes julgá-lo! O que terás que fazer te será dito, não precisas de raciocínio construído, pois a Razão te apoia nisto.

               Tem fé no teu irmão. É impossível que metade de ti não cumpra a restauração. O esquecimento é um fenômeno temporário, pois pertence ao tempo. A memoria do que é sempre ainda está disponível. A salvação não azedará o mundo, muito pelo contrário! Verás o teu irmão bater à tua porta ainda hoje, se assim quiseres. E com ele e o teu tanto verás o Único Deus restaurado em Tua Mente como certa. E não terás medo de ti mesmo em teus irmãos, pois serão um em Sua Mente, pelo que serão felizes e gratos, esquecidos de empenhos degenerados, e rememorados da Glória de Deus Nele Mesmo. Assim seja, para breve.

               Pai Nosso, estás conosco em Ti, pela memoria de Ti que não olvidamos, não podemos olvidar, pois nossas metades não existem. Pedimos Teu Chamado, Pai; para vermos nossos irmãos como são, para que possamos chamá-los também até à lembrança de Quem Somos em Ti. Nosso empenho é o Teu, Pai. E por isso pedimos a restauração de nossa mente íntegra, segundo a Vontade de Tua graça, em paz pedimos e chamamos por Ti, Meu Pai, amém.

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domingo, 10 de março de 2013

A cura da separação




                A vontade dirigida fortemente em favor de empenhos separados pode certamente fornecer as características associativas da separação. A doença a que chamamos “separação” não é em si mesma uma doença, mas uma fornecedora do “lugar” no qual as doenças podem acontecer. O medo da separação é infundado, mas é factível que a doença em decorrência da separação seja claramente perceptível neste contexto como sofrimento.
                A grande premência do sentimento de isolamento é um óbvio efeito do investimento errado. Vejamos: se investes na separação como teu esteio, o teu sentimento de si mesmo será o de um separado. Parecerá que estás destacado de tudo, mas que isto vem pelo custo de alto empenho em independência. Teu ego não deixará de fornecer os elementos aos quais devotas tua idolatria e apresentas como empenhos aos quais merecem tua “dedicação”. Assim, a morte surge como um evento separado, que cortará de vez a tua vida de todas as outras vidas, pois esse é o ápice da separação.
                No entanto, enquanto não surge a meta principal, as meta secundárias em direção a este terrível sonho advogam que a separação não ocorreu, por isso são precisos arranjos entre ti e o mundo para que possas transitar nele; separado, mas pertencente à sua roda. Tu és um dos habitantes do mundo, tens o direito de estar aqui, mas neste “aqui” os corpos e os diferentes objetos devotam para ti a prova de que a separação ocorreu em um contexto no qual teu empenho falhou, e precisas agora defender-te, sob pena de receberes o ataque, que virá nas formas de falta: de amor, de dinheiro, de companhia, de pessoas para conversar etc. Em outros termos mais simples, é a crença na escassez.
                Obviamente, parece que não vale a pena deixar isso para trás, pois o medo surge agora como o elemento “protetor” da separação. O separado crê que entrou em uma bolha, mas que pode conviver com outras bolhas e com as “coisas bolhas”, sem jamais tocar em nenhuma delas, e totalmente à parte de tudo o que percebe como sendo externo a si. Essa sensação, que é fortemente defendida pelo medo, pois o que poderia ocorrer caso todas as bolhas estourassem?[1] Ele seria totalmente dissolvido e “perderia” sua identidade. Ele precisa muito temer as “outras coisas” ou os “outros”, pois em caso de contato, ele pode ser dissolvido, eliminado, totalmente destruído pelo que é externo a si, e agora que surge, como cavaleira da insanidade, a batedora oficial da separação, a tão insanamente protegida “culpa”.
                A culpa surge como a faca que aponta para teu peito a ameaça: “tu estás errado quanto ao que és”. Obviamente, isto — e apenas isto — está correto segundo a perspectiva da culpa. No entanto, enquanto o Espírito Santo diz que o erro nunca existiu, que és amado e que basta apenas mudares a perspectiva para veres a cura, a culpa, por outro lado, dita que a cura não existe, que  morte é a única certeza deste mundo, e que irás para o túmulo mais rápido se tentares te aproximar demais. Ela continua com a faca apontada, uma faca de espuma, mas te hipnotiza em argumentos aos quais devotas teus empenhos dizendo: mas a morte será que é meu fim, o que posso fazer para escapar? E da culpa, do medo e da morte surge o ego, que te diz o que queres ouvir para estar separado, mas em defesa contra a separação.
                Isso é possível? Será que estarás seguro se defendendo a favor do que queres escapar? Ele gostaria que visses em tudo a faca, apontada de volta para ti, pronta para estourar a tua bolha e te colocar indefeso frente a frente com o inimigo. Sem tuas defesas, serias trucidado pela separação, e o teu irmão poderia finalmente completar sua vingança, tramada em meneios escondidos, aos quais não tens acesso, mas que visam te jogar sempre no túmulo, pois a tua morte não tem final sem que o tempo possa dizer: “agora, uma coisa virá atrás da outra”, e por fora das bolhas surgem as horas, os minutos, o passado e o futuro, e se estiveres disposto a perceber a insanidade em tudo isso, o perigo aumenta, e teu ego tentará, de todas as maneiras possíveis, te retrair para “dentro”, sendo este tal “dentro” uma marcação em perspectiva, localizada com o centro em teu umbigo, sendo o corpo o grande troféu pelo qual, em certeza de defesa, podes agora respirar aliviado, pois finalmente esta faca está longe, longe; encostada em alguma outra coisa — teu corpo —mas não pode te atingir jamais.
                Agora, a separação é real. E podes ouvir o professor que fizestes, para provar que a culpa, o medo e a morte são reais. A sensação de opressão vem como um prêmio, pois podes dizer: “realmente é assustador!” Agora minha pergunta é: para quê isso? Qual é o propósito? Querias experimentar a dor, o medo e o ataque? Pois bem: não tivestes já muito mais do que o suficiente? Eu vim para te buscar. Nas queres te deixar ir desse sonho? Em verdade, não vais embora de lugar nenhum. Pensa nisto: no universo, rondando em torno de mil milhões de planetas, está a terra, que é um micro ponto em meio a esta “imensidão”. Dentro deste micro ponto, estás tu, minúsculo em relação a ele, como um corpo, um nanoponto dentro de um ponto. No entanto, acreditas mesmo que, se apanhas aquela xícara no mercado, compra-a com as tais “tiras de papel”, podes dizer agora que um ponto é dono de outro pontinho? O sonho permite que o teu corpo seja o centro de todos os pontos, e o teu umbigo está mesmo bem no centro de uma rosa dos ventos, cujo o norte é a tua vontade e o universo inteiro para diante de ti, para fora, externo em pontos e mistérios, todos com uma faca apontando para ti. Realmente, para te defenderes disto, terias que ser um mago, e viver em mágica.
                A mágica chama de vida, e o mago chamas André Sena. Pronto, eis a loucura revelada em ponto. Obviamente, André Sena será o nome de um corpo neutro, restaurado, conforme seja tua vontade de estar em paz, sereno, claramente destacado da loucura em acreditar que uma construção pode tomar o lugar de Deus. De acordo com a insanidade, Deus seria Aquele Que fornece a faca à separação, e Jesus é o culpado por ter divulgado o cangaço celestial. Tudo isso é até para se rir, para compor piada. Não aconteceu nada, nada se separou na unidade, e já dissemos que a culpa é a produtora das imagens. Portanto, a culpa de Adão forneceu-lhe os meios para “existir fora do lugar bom”, o medo fez com que o lugar “fora” fosse real, pois ele pode matar, e o ataque virou a defesa necessária. Daí as guerras e os motes em favor de angariar pontos nesta vida como um grande fortalecedor do sujeito como portador de coisas. E se ele possui coisas —e “coisas” são todas as imagens — as coisas fazem dele o sujeito de todos os seus predicados construídos.
                O perdão restaura, o amor pacífica, a ausência de defesas liberta e a paz vem. Somente através da ausência de defesas poderás perceber que a tal faca é um brinquedo de espuma. Tolo demais para ser levado a sério, e por isso se diz no UCEM que é “despedido com uma risada”. A faca de espuma é temida pela crença em que ela possa ferir. Ela não pode ferir. O hipnotismo em anos que te é sussurrado como verdade foi capaz de te iludir, mas estás percebendo a ilusão, para quê continuarias então em busca de nada?
                Os símbolos de amor não te serão tomados. Por fora da bolha está tua verdade, e tu és amor, portanto, verás apenas isso. Para veres a faca de espuma, escuta a Teu Professor. Confia nele enquanto vês as imagens de amor que ele te demonstra como sendo Tua real Vontade. Não há erro em acreditar em amor como a única verdade, pois todo o temor surge do medo da faca de espumas e dos assassinatos que cometestes com ela. É para se rir! Será que matastes com uma faca de espuma? Então a culpa é para se ver apenas em tolice, e o que vier para ti em imagens podes ver apenas em amor, sem nenhum tipo de julgamento, pois o julgamento do nada é apenas o nada decalcado.
                Devota teu dia hoje ao amor. Parece realmente doloroso o empenho em ausentar completamente de defesa. É como uma criança caminhando para tomar um bom banho de mar em um dia de sol, temendo a água fria no caminho e os seres marítimos e o medo de morrer afogado. No entanto, no caminho um amigo amoroso lhe diz a verdade, que a praia é em Natal, que a água é quente, que não há nada a temer, que ele pode confiar no mar se ele mesmo souber agradecer ao mar em empenho de nadar em lugar de calma, e que o grande amor de todo o mar é dele, e eis o banho bom, sem medo algum, embora a um tempo atrás parecesse que era temível e terrível aquele evento que se reconhece agora no bom. Amém, amado. Empenha-te neste dia em amor. Ausência de defesas é cura da culpa. O que revelarás é o que és, e só pode ser amoroso. Não queres continuar como fantoche da culpa. Deus está a falar para ti através de Teu Professor. Escuta-o hoje, e ele te conduzirá com amor, mesmo diante de “aparente terror” no caminho do bom banho de Natal. Esperamos por ti em paz. Amém.


[1] A metáfora da bolha é de empréstimo a Marcos Morgado.

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quarta-feira, 6 de março de 2013

Sobre a ausência de níveis de dificuldades em milagres




            O julgamento seleciona e classifica. Ele atribui os parâmetros da separação, apresenta os níveis e classifica os meios. Seus pensamentos em separação são divulgados como diferenças, e o quê vês como diferente é “o outro” ou “outra coisa”.

            O imutável não pode aceder diferenças. O Espírito Santo vê as diferenças que tu vês, mas não acredita nelas, conforme aprendestes. Ele responde e fala pelo Imutável. Como poderia o imutável mudar através de formas? Apenas se houvesse um plano no qual o imutável pudesse ser visto através de diferenças seria possível que o imutável fosse partido em dois, e daí em mais. Uma situação parece mais terrível que outra, e uma aparência parece mais aprazível que outra. O fato de não haver ordens de dificuldades em milagres quer dizer que o milagre não está vinculado às aparências. Se pedires um milagre, ele te será dado onde pedires, sem discriminação em níveis, pois  não está sujeito às partições.

            Alguma coisa te impulsiona em devoção a um oposto? Pois essa coisa apenas pode ser dividida em causa, pois o efeito não pode ser dirigido à parte da causa. As diferenças atraem perguntas que se refazem de forma dividida, pois elas englobam tentativas de estabelecer diferenças em retrospectiva, na medida em que aciona a memória em favor do especialismo ao qual as diferenças atestam ordenação na separação. A separação, portanto, é aprendida. Ela não é dada. Não temas os efeitos da separação, pois eles não são possíveis. A ordem de dificuldades aparente na separação apenas impede o milagre. Deus não fala através de códigos.

            Se acreditares em ti mesmo como fraco, a parte do mundo dividida em fraqueza surgirá como efeito de teu próprio pensamento. Isso não acontece diretamente, através da mágica, pois as imagens não são diretas, são simbólicas. O que importa é se estás escolhendo com o professor certo, pois as imagens são impossíveis de alcançar significado através do julgamento. O Professor certo pode interpretá-las para ti, se te disponibilizares a isso. A única coisa que pode garantir se estás escolhendo certo é a alegria. A felicidade é o termômetro que indica a validade de teu pensamento.

            Jesus esteve aqui como homem, mas não dirigia Sua Vontade através dos sentidos do corpo. Era atribuído, por assim dizer, através de uma diretiva sagrada, definida pela Vontade de Deus, através da realização em si dos atributos do Espírito Santo, em Si Mesmo. Ele ouviu apenas a Voz por Deus, no sentido de direcioná-Lo à Visão de Cristo em seus irmãos, e assim percebeu a inexistência de uma ordem de dificuldade em milagres, ao que cumpriu Sua missão em inevitabilidade de erros. Esteve em conceito definido como santo, mas atinha-se em qualidade ao que mais humilde pode haver: perceber o irmão como si mesmo, destruindo assim qualquer vocação aos inversos, através do pressuposto meramente simbólico da separação. Por isso, Cristo fazia milagres     Nele Mesmo, não em símbolos, ou em corpos nomeados e divididos em ordenações de diferentes “pessoas”.

            Deus não discrimina. Ele não está partido, ou cindido; não pode asserir uma separação em Si mesmo. Como poderia, então,  haver ordem de dificuldades em milagres? Seria necessário que a discriminação fornecesse os parâmetros para a adesão do milagre a este ou aquele efeito, segundo o merecimento ou o valor. Ora, se Deus não discrimina, o milagre não pode ser discriminativo. Então, acreditas mesmo que o milagre não possa vir a ti? Pois este é o pensamento em arrogância, ao se acreditar discriminado, devolvido a ti mesmo pelo isolamento em corpo. Negar o milagre é o mesmo que crer em ordenações ou separação.
           
            No entanto, enquanto a mente cindida, ou devastada em cisão, crê que está separada das outras mentes, surge um grande investimento em defesa. Neste caso, tal investimento insano pode surgir em imagens na forma de opressão em teus irmãos, coincidências apontando “defeitos”, direções equivocadas na vida, má sorte etc. Pois a cisão precisa de várias formas, não é mesmo? Ela é dividida. A unificação dos pressupostos da cisão em dois somente surgirá quando um evento miserável puder ser perdoado completamente. Isto não precisa de nenhum esforço de tua parte, pois a tua parte é não interferir. Jesus Cristo é o símbolo máximo da não interferência. A ti só é pedido que te empenhes nos exercícios e procure dirigir a tua mente em propósito santo, conforme são as lições. Este é o teu repertório. Perdoar é nascer de novo, pois vês o mundo limpo, não para projeções, mas em devoção genuína ao ato de ver o visto, em imagens, pois os pensamentos sãos que tens ensinado a ti mesmo são as imagens sãs que verás.

            As imagens são contempladas em equívocos quando temes. Ora, se estás temeroso, com pensamentos temerosos, como verias imagens de amor? Perdeste tua carteira, ou esquecestes a chave do carro, foste picado por uma abelha, pequenas ocorrências do dia parecem totalmente enlouquecidas em tua mente, como se tivesses má sorte. É preciso cuidado aqui. Como diz o UCEM, algum eventos que julgas como sucesso foram teus maiores fracasso e vice e versa. Pode ser que a “sorte” seja um evento simbólico de tua própria confusão. Em um empenho fortemente devotado à miséria, um pode ganhar na loteria e bloquear, em sedução idólatra, sua função aqui. Mas para o mundo, este seria um homem de “muita sorte”.

            Por isso não gostamos de dar exemplos. Os símbolos da separação não são unívocos, ou imutáveis. Tanto é que se diz: “o bem de hoje é o mal de amanhã”. E não podes cair em idolatria ao aceitar isenções para este ou aquele formato em imagens. Não se trata de julgar, mas te manteres o Espírito Santo em unificação, sem interferências. Isto, já foi dito, pode te ser ensinado, mas não és tu mesmo quem te ensinas a ti.

         Segregações não são aceitas. Não há diferenças entre os filhos de Deus, mesmo se estão adormecidos. As imagens de seus corpos não são o que eles são. As características em separação não são o mesmo que os eventos criativos que dirigistes em tua própria direção. Segundo tua “assessoria” em interpretações, o empenho em direções parece aprazível de acordo com o julgamento de valor através do “sucesso”. Ora, demos o exemplo do sucesso em loteria, e percebestes que o engano não variou por conta disto, embora o “vencedor” tenha se acreditado em “sorte”. Não há acasos no plano de Deus para a salvação, mas tu podes te atrasar muito, enquanto tentas dirigir a correção. Obviamente, tudo pode ser utilizado pelo Espírito Santo em teu favor, mas dificilmente uma prerrogativa diretiva será o caminho em salvação, se ela estiver destacada em mágica ou miséria ilustrada.
           
            O “caminho do outro” não existe, por isso a inveja é uma repetição. Repetir o mesmo não é possível, pois o mesmo está, em nosso currículo, associado à unificação. Portanto, repetir, no contexto da separação, parece valioso, pois o caminho do “sucesso” já foi trilhado por outros, com ênfase na distância entre a felicidade destes outros e a tua miséria. A diferença em vontade de alcance, ou repetição, é definida como “inveja”. Parece que tens mais ou menos que um outro Filho de Deus. No entanto, os dois tem tudo.

            Segurança surge no contexto da devoção. Agradece a Deus pela tua sanidade restaurada. Perceba o quanto o amor de Deus te abrange em alegria e amor diante de dias bons que tiveste em isenção de vontades ou desejos. Não apeles para a miséria em busca de sorte ou empenho em favor daquilo que não é para ti. Não temas os eventos aos quais nomeias “acaso”, pois não podes construir nada em imagens que não venha de tua mente, e acreditar em “maldade do mundo” é acreditar em mágica. E não penses que há uma revelação ou impulsionamento do mundo em direção àquilo que te machucaria, pois não podes julgar o que o mundo é. Mas disciplina a tua mente. O caminho te foi dado. Ver o mundo real é absolutamente possível para qualquer um, e este é o único caminho ao qual o teu irmão passará contigo, mesmo que isto ocorra aparentemente em diferença no tempo. Nisso não há inveja. Desejar a salvação não é salvação, mas aquilo que pedes mediante Sua Vontade, Deus proverá.

            Adicionalmente, não há mensagens no mundo. O mundo é bem uma fabricação densa de teus pensamentos. Mas como teus próprios pensamentos são símbolos do que estás a imaginar ser, o mundo passa a ser a ilusão densa de tua imaginação. Enquanto quiseres te machucar a ti mesmo, experimentarás um mundo impiedoso, variando em suas formas como “falsidades”, “injustiças” etc. No entanto, a correção está em ti mesmo, disponibilizada por Deus, sendo portanto infalível. Escuta-A. Os meios te foram dados. Esperamos por ti em paz.


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terça-feira, 5 de março de 2013

Sobre a renovação





               O aspecto devoto às imagens surge da própria devoção à culpa. A culpa mantém as imagens em pensamento conforme mundo. O novo, em sentido mesmo de “novidade”, surge em comportamento como sendo aprazível, pois tem para si a vantagem de instituir as características renovadas nas imagens que vês, reforçando a separação, pela possibilidade de “o novo” fazer com que o tédio se vá. Ele instrui a tua mente a ver a culpa aliviada, pois o que vês como novo remonta às possibilidades higiênicas da projeção. No entanto, já vimos que o empenho devotado a um oposto invariavelmente ativa o outro, e o que é novo, diante desta perspectiva, será apenas o velho, ou a mesma velha ideia renovada, pois as ideias não deixam sua fonte, e a fonte da culpa é sempre esta: a ideia de que o Filho de Deus separou-se de Seu Pai.
              
               Não há variação acerca do que é verdadeiro. A culpa associa as imagens que vês à projeção de ti mesmo, e se a projeção de ti mesmo surge diante de um contexto em culpa, o ataque será tua única fonte de defesa. Desta forma, o mundo ameaçador parecerá real.

               A busca pelo novo projetado nas imagens é uma tentativa de salvação pela mudança de lugar. O novo aparece no contexto da alegoria, apresentando diversas formas diferentes, e através deste mesma diferença ele advoga que tudo agora está “mudado”. Obviamente, a mudança não é estabilidade. Os caracteres da mudança são voláteis e totalmente variáveis, aderindo hora a um oposto, hora a outro, e o que se vê em contraparte é uma decisão em favor do mesmo: o apelo do Céu ao filho de Deus, para que ele se lembre de disponibilizar-se ao Espírito Santo.

               O novo também associa a possibilidade de novos ataques ao que é venerado em forma de ídolo. A idolatria é uma associação ao que é benéfico diante de um deslocamento. A projeção em ídolo afiança que a imagem, em ação ou não, passa a ser o próprio Deus, ou o Filho de Deus, em projeção, por fora de ti. Ele é cultuado como uma memoria associativa, na qual Deus pode ser rememorado, mas em imagens e, portanto, através da culpa. O ídolo bem adverte sobre a culpa, pois ele mesmo não pode “perdoar”, sendo imagem e origem da culpa. A idolatria é, portanto, uma fórmula em enganar, na medida em que apanha uma parte das imagens e a associa ao amor, através de uma devoção em sentimento, pois o ídolo sempre envolve um sentimento de pertencimento e apego, ao que se refaz em imagens, e pode mudar de lugar frequentemente. Ele precisa do signo da novidade, mas pode muito bem asserir suas certezas por longo tempo, pois seu caráter “renovador” emprega, através de teu apoio, diversas situações nas quais o amor de Deus é devotado ao que se diz novo ou renovador, mas é apenas projeção em idolatria e apego à separação.

                O amor que vês no teu caminho não é novo, mas aparenta ser uma novidade para ti. Tens uma memória do amor muito viva em tua mente, e podes acessá-la quando quiseres, se estiveres disposto a isto. Não são as novas imagens que fazem de ti mais feliz com o mundo, mas as mesmas imagens do mundo, renovadas. O novo é um ídolo em competência pela atenção com brilhos falsos. Parece que o novo desfaz o que podia ser estabelecido novamente em tédio, pois ele fornece imagens fresquinhas a tua frente, e podes postergar o tédio por mais alguns instantes.
              
               A criação não é nenhuma novidade, mas parecerá para ti uma renovação. Um talento há muito esquecido pode parecer o novo, mas é apenas a associação do real com a memória. Como o real sempre existiu, não pode ser chamado de “novo”. O novo não reaparece em formas diferentes, pois na verdade, o novo não existe.

               Novos pensamentos são apenas diferentes formas de executar o mecanismo da separação. Gerarão imagens diferentes, se pensares de forma diferente, mas isso não significa que as imagens aparecerão em um lugar diferente. O modo de ver, com a verdadeira visão, é que se torna diferente, e a renovação surge de acordo com a perspectiva devotada ao sucesso. Dizemos “sucesso”, pois queremos que entendas que a disposição às imagens certas é sempre um degrau a mais na escada para o Céu.

               Portanto, o novo não surge do rearranjar do velho. As mesmas formas de pensamentos, devotadas aos mesmo erros, são apenas suposições de novidade, e o máximo que alcançam é a fomentação de ídolos, para devotares os aspectos da renovação aos pressupostos anacrônicos da projeção.
               Deixe que as imagens novas ocupem em tua mente um lugar isento de projeção. O novo parece bom, e o velho desgastado ou mau. As imagens não boas nem más, elas representam apenas teu estado mental. Se vês um mundo novo, podes ter novos sentimentos de culpa a surgir; mas se vês o mundo renovado, então há mudança real, e a certeza de um novo dia é garantida pelo revelar do mesmo.


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