terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Uma nota sobre homossexualismo

               



             O homossexualismo pode ser compreendido como especialismo para alguns, que se viram como “diferentes”. Do mesmo modo, aqueles que são heterossexuais podem se contrapor aos homossexuais e acreditar que são “diferentes”, pois são “normais”. Na verdade, a ideia de contraposição, na qual alguém se crê diferente e se percebe em luta para ser igual ou defender-se fundamenta todo tipo de ódio e separação.

               O Curso em Milagres não é moralista, não fundamenta um comportamento único no qual a certeza da salvação estaria garantida na forma. Na verdade, diz que a forma não existe em si, algo já descoberto há muitos anos pela filosofia de Kant e por pensadores como Platão e Diógenes; mas nem mesmo essas ideias, que fundamentaram a existência de ideias e, portanto, de livros, podem ser compreendidas sem uma base, mesmo rudimentar, de aplicação. Neste sentido, o UCEM fornece uma via nova, com o Livro de Exercícios. Nele é possível encontrar um modo de treinar a mente em direção à compreensão de que a mente superior, ou a mente certa, não está divulgando caminhos diretivos na forma. Ninguém está certo ou errado. No entanto, quando alguém procura “forçar” uma certeza, numa aplicação totalizadora, como no intuito em se dizer que todos são homossexuais ou todos são heterossexuais, há produção de diretivas em forma de defesa. Ou seja, cada um gostaria que a “sua verdade” fosse a verdade de todos, para assim justificá-la. Somente alguém que busca justificativas para seu posicionamento precisa forçar verdades, e forçar verdades é totalitarismo. Já vi declarações de gays que diziam não gostar da parada do orgulho gay, pois não é preciso ter orgulho do que se é realmente; e também já vi declarações de heterossexuais que diziam nunca ter se preocupado muito com esse assunto.

               Não é preciso forçar a verdade para que ela seja tal como é. Nem há garantias de que exista uma propaganda capaz de dignificar o ser humano em tendência justa, isto é, sendo como ele é na verdade. Chico Science dizia que “não há mistério em se descobrir, o que você tem, e o que você gosta”. E é bem verdade que a própria natureza apresenta formas diferentes de ser que nada tem a ver com comportamentos diretivos.


               O perdão não é a busca por certezas, mas a certeza de que tudo que é buscado já tem em si o código de algum erro. Ame seu irmão, estando certo ou errado em sua composição de vida, e você sempre será benefícios. Deus é amor e é só isso que Ele tem para dar através de todos nós.

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terça-feira, 21 de julho de 2015

Sobre a continuidade entre o passado e o futuro


“Lembra-te que a ênfase que ele [o ego] coloca na culpa
lhe permite assegurar a própria continuidade,
fazendo com que o futuro seja como o passado
e assim evitando o presente.”
(Texto: Cap. 13 , IV , 4:3)


               Pergunta: Por que é dito no UCEM que o ego quer que o passado seja igual ao futuro?

               Resposta: porque a experiência do presente para ele é insuportável. Ele quer que o próprio tempo se estenda como um contínuo que não revela nenhuma forma de instante, a não ser que possa ser entendido como um momento em que se tem alguma sensação ou percepção envolvendo o corpo. Sendo desta forma, o tempo será o que ele quer fazer dele, estando preferencialmente atrelado a algum tipo de empenho no sucesso ou fracasso. Certamente, não haverá diferenças entre passado e futuro, pois o que é contínuo não pode conter nenhum intervalo, a não ser que o corpo queira alternar-se como bem ou mal sucedido em relação ao futuro ou ao passado.


               Por outro lado, o instante santo não é um intervalo. Ele não está atrelado à percepção e por conta disso é invariável. Ele é o mesmo, e o futuro aparece no instante santo como o mesmo instante sempre, estendido a partir do presente. Para o ego, há este instante e instantes subsequentes, onde as imagens se sucedem em intervalos regulares a que chamas tempo. No instante santo, o tempo é suprimido em favor da sabedoria, e não é percebido como uma dinâmica que favorece a continuidade das imagens. Por isso se diz que, às vésperas da revelação, um período de certa desorientação pode de fato acontecer. Mas também se diz que não ficarás sem um quadro de referências. O UCEM relembra que sem o ego, tudo seria amor. 

Uma nota sobre vegetarianismo

Há vida na semente


               Pergunta: se tudo o que comemos é vivo, ou foi vivo, como pode o vegetarianismo ser uma condição que preserva a vida?

               Resposta: Jesus comia peixes. Ele também dizia: “o que contamina o homem não é o que entra na boca, mas o que sai da boca, isso é o que contamina o homem.” (Mateus 15:11). Entendemos mal a circunstância da vida neste planeta e, embora classifiquemos a vida em gradações, o seu pressuposto em sofrimento está mais aparente nos animais. Isto não quer dizer que há uma “conduta” na alimentação que “salva”. No entanto, cada vez que se pressupõe um alimento como morte, uma ideia é aderida a este pressupor; e ideias são as bases da constituição do aprendizado. 

               Somente pode se alimentar verdadeiramente quem está fazendo o que faz por vontade própria. Não há pressupostos condicionais ou ideológicos que garantam o corrigir da mente. Se alguém se apropria da carne ou de um bom churrasco enquanto congraça com seus irmãos no amor, bendito seja tal churrasco. Enquanto outros na mesa podem muito bem resistir à ideia de ser carnívoro pressupondo, no entanto, uma conduta alternativa que, baseada numa mentira, pode vir a ser muito prejudicial.


               Tampouco o vegetariano está a “preservar a vida”. O caso é evitar maior sofrimento. Os vegetais são seres sencientes, mas não conscientes. Eles não podem adicionar ao campo das ideias a noção de sofrimento. Por isso dizemos que preservar os animais da dor é uma atmosfera bastante favorável à ideia de sofrimento que produz o afã do comércio alimentício no mundo. No entanto, um vegetariano “forçado” seria ainda um pequeno equívoco neste momento da história, pois ele poderia recusar a compreensão disto e se ater a uma neurose em “fazer” ao invés de “criar” em sua alimentação. Não estamos prontos ainda para uma preservação da vida no planeta como um todoe há muitas pessoas realmente amáveis que se alimentam de carne, pois a noção deste tipo de alimentação ainda vigora como ideia e não pode ser suprimida à força por comportamentos. No entanto, já há para além dos vegetarianos os veganos, fornecendo uma  outra forma de pensar; e para além destes há os que se alimentam de água e luz, somente de luz, e alguns poucos que já se alimentam somente de ideias de alimentação, pois “tudo é uma ideia.” (UCEM, Texto, Cap 5, I, 2:4).   




terça-feira, 21 de abril de 2015

Sobre desconfiar dos próprios motivos




               Pelo bem se vai além, diz-se. Mas, esse tal bem, quem o conhece? Qual categoria de bem é irrevogável? Tu julgas o bem como uma categoria vigente nas proposições nas quais o mundo diz “isto é bom”, mas dá uma olhada para esse mundo sem emoção. Será mesmo que aquilo que o mundo diz que é bom é confiável?

               Perguntas, então, se as pessoas que construíram a “melhoria” do mundo são realmente pessoas boas. Será, por exemplo, que os ‘Médicos sem Fronteiras’ são pessoas que estão a perder tempo? Seria Irmã Dulce uma pessoa que perdeu seu tempo? Então, se não acreditas mesmo nisto, qual será a parte da tua mente que se ilude com o “bem de mundo” como uma falácia em “bem estar” orbitando no umbigo? Queres mesmo saber se há bem no mundo? As pessoas que querem fazer o bem são as melhores pessoas que aparecem para outras.

               Mas não entendem de ser melhores para outras obedecendo a leis exteriores. Elas não estão divulgando a si mesmas em suas ordenanças gentis. Elas nem sabem que são boas. As pessoas realmente boas geralmente nem se entendem assim. Há muito personalismo no bem que se vê bom.

               Aliás, é bom que saibas que o bem, no sentido de um volver em direção à mente certa, dá um trabalho danado! Quase nunca traz o envelope de glória e satisfação que o tolo sonha obter. Vide a vida de Jesus. Mas Jesus era um trabalhador de milagres, o maior que existiu, e decerto que era muito feliz. Somente um homem feliz poderia fazer o que ele cumpriu.

               O que se diz no UCEM é que a parte Dele já foi cumprida e por isso se diz que Jesus Cristo trouxe a salvação do mundo. Não precisamos mais de sacrifícios e mesmo Ele não viu Sua função cumprida como tal. Mas precisamos de espelhos claros do que Ele deixou, em mensagem de salvação, qual seja: "amar ao próximo como a ti mesmo". Entretanto, se tu acreditas que o próximo tem que te amar primeiro, há uma perspectiva invertida em teu pensamento.

               Agora o trocadilho acerca do que foi dito poderia vir à tua mente desta forma: ‘ora, se no UCEM é dito que servir ao Espírito Santo, ou seja, cumprir nossa função, não dá trabalho nenhum, por que então se diz aqui que a felicidade verdadeira e o verdadeiro bem são trabalhosos?’ Na verdade, eles não são trabalhosos em perspectiva verdadeira, do ponto de vista do conhecimento, que não vê diferença em níveis e não classifica. Mas há um empenho verdadeiramente visto como trabalhoso em se fazer, em um mundo de cabeça para baixo, algo de cabeça para cima. Pelo menos, por um tempo, pode ser assim. Mas não é verdade que existem pessoas que cumprem trabalhos exaustivos, mas não percebem tais ações como sendo sacrifícios, posto fazerem aquilo que gostam? Até que possas ouvir uma Única Voz, o teu trabalho em voltar-se para Deus é uma acepção de tua aceitação do mesmo, ou seja, do outro, que ainda vês como diferente. Isso pode ser difícil no começo, como diz a canção. Mas trará novamente a alegria de trabalhares duro, com significado. 

               Se quiseres ser amado, doe amor. Essa é a prerrogativa básica do UCEM. Nunca se sabe quem vai receber amor no estado de amado. Alguém pode estar muito doente. Estes precisam dos trabalhadores de milagres em devoção total. Quem pode se crer bom vendo a miséria em imagens? Ele está se curando, se ajudar. Ele divulga o aprendizado generoso em compreender que amar ao próximo não é ater-se ao que precisa. Nisso, o amor ao próximo configura o perdão. Louvados sejam os irmãos que sabem que a salvação nesse mundo urge!

               Não há duas pessoas aqui. Portanto, podes receber amor se deres amor, pois dás ao mesmo, se não há dois. Na verdade, não é aquilo que dás que configura o teu amor. Podes certamente dar um milhão em moedas de ouro para uma pessoa em condições tais que venhas até mesmo a humilhar tal pessoa. Podes, por outro lado, em um bom dia sincero efetivar uma cura aparentemente impossível. Não é isso que o mundo prega, pois parece que o valor verdadeiro está nas coisas. Os símbolos do ego podem vir até mesmo na forma de um santo generoso!

               [Raul Seixas dizia: “o meu egoísmo é tão egoísta, que o auge do meu egoísmo é querer ajudar”]

               E foi grande a sacada dele. Uma percepção correta em disponibilidade, pois não é a ajuda que configura o amor, mas o contrário. Em um mundo de cabeça para baixo, parece que amar é pagar com amor o amor que se paga. Mas o amor não se troca por si, pois se reconhece no mesmo e apenas se dá. Ele não cobra nem paga. Decerto, para uma pessoa muito orbitada em seu umbigo, às vezes é preciso começar com o aprendizado da ajuda meramente ensinando uma forma de ajudar, como um princípio em reeducar. Isso é o que deveria ser praticado com nossos irmãos nos presídios, por exemplo. Pelo castigo não se reeduca, mas pode-se realmente enfatizar a correção com um exemplo forte. Isto, diante de nosso aprendizado, estará a cargo de quem sabe disponibilizar.

               Finalmente, se teus motivos implicam em desconfiança, lembra donde as boas intenções residem, quando tortas. Para saber se tua intenção é boa, ama ao próximo na tua disponibilidade em intenção. Não é aquilo que fazes que vá dar significado ao amor, mas o amor é simbolizado no que fazes, se fazes com amor. Por isso, não há tamanho nem valor que possa substituir algo dado por uma criança, por exemplo. Muitas das vezes é uma coisa bastante simples, como um desenho, uma flor de mato, um abraço, mas aquilo vem agregado a uma total disponibilidade, e é isso que cura. Às vezes, o amor pode vir em forma de estetoscópio ou numa moto usada. Apenas a culpa indica medo e falta de propósito verdadeiramente generoso. Eis uma regra boa: se fores a doar, despeça-te.


               A caridade — que sabemos ainda ver diferenças em níveis — é, no entanto, um princípio valioso na reeducação. Tu sabes que podes. Vá à prática e não te faltarão ajudantes. Perceberás facilmente o que significa dizer que “Eles Vieram. Eles vieram, afinal.”

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