segunda-feira, 24 de julho de 2017

Sobre a liberdade





O tempo dita as regras do cotidiano. Uma causa não admite jamais que não haja sobre ela um efeito. Se tu és um efeito de Deus, como poderia que a Causa disto pudesse ser uma evidência em favor do tempo? O diâmetro que circunda os dias, as eras, a história como ciência ou como uma procissão de fatos não nos diz quem somos. Um tempo virá em que o momento presente será a medida de todas as coisas. Até lá, a ciência histórica ou a procissão dos fatos dirá sobre o homem o que significam seus erros, traduzidos em efeitos e causas. 

Mas — repito — se tu és um efeito de Deus, como então admitir que de alguma maneira o tempo possa te determinar e dizer quem és, ou onde erraste? O pior inimigo da verdade é a mentira sobre si mesmo, não é? A proclamação de independência não pode ser contextualizada se não houver uma metáfora que a reitere como causa, diante de fatos. Assim, por mais memória que se aplique ao reter dos fatos, sempre haverá um resíduo de julgamento. 

Até onde pode ir um homem em busca da verdade sobre si mesmo? Se ele pensa que pode encontrar uma memória que repita seu ser diante de sua história — como uma injustiça recebida ou cometida — necessariamente ele se condena ao passado. A causa estaria lá onde foi cometida/recebida a injustiça. Como voltar lá para remediar/restaurar? 

A servidão voluntária é um erro. Ninguém pode se sujeitar a um erro diante de fatos que o justifiquem como tal, a não ser que seja insano. Uma doença mental, entretanto, pode ser curada pelos milagres com tanta facilidade quanto uma doença física. Se tu és verdadeiro em teu coração, como poderias encontrar medo diante de pessoas dignas e decentes? Não será porque tais pessoas te dizem que tu tens que estar errado diante de teu próprio medo? Ou seja, não será porque imediatamente te verias como ela e te perdoarias por tudo o que fizeste ou deixaste de fazer? As pessoas honestas, decentes e morais existem somente em especialismos.

Quem sabe o que fazer em qualquer situação é Aquele Que responde pela mente certa. Apenas ele sabe tudo o que é certo, em qualquer situação. Nem sempre o certo é uma correção moral ou um contexto ético válido para a pessoa. Muitas vezes, o contexto ético de uma pessoa foi forjado diante de muito  medo e falta de julgamento em favor de si mesmo, e assim se é colocado em meio a muito desfavor mental e perigosas neuroses insidiosas que precisam de algum deságue, geralmente nem um pouco ético.

Talvez, se um prior de um condado esquecido na Alemanha ou na cidadela armada no Chile dissesse sobre si mesmo o que espera da vida, ser-lhe-ia fornecido um ponto de vista mental e ele poderia ou não acreditar naquilo.  Mas não é o medo quem trama as conseqüências surdas da derrota ou vitória. Na verdade, tudo o que se especializa em novidades aguerridas traz consigo a vontade deliberada de sacudir um pouco a poeira da moral, da ética. 

Sob o signo de Jó, podes pedir uma experiência durante vários anos, e não verás nada, porque és arrogante e queres tudo como barganha. Só precisas vir com as mãos vazias, até mesmo de força de vontade, desde que estejas pronto para não querer sujeitar-se a nada deste mundo. Nem mesmo à morte. 

Mas ainda queres algo aqui, ainda acreditas que vale a pena buscar, ter, adquirir, fazer, receber com glórias ou se definir com medo. Tolices, mas altamente valorizadas. Tolices, mas duramente aprendidas. Agora, o medo pode definir melhor quem és, pois há coisas a se fazer, e podes temer não conseguir.

A experiência vem a cada um quando estiver pronto, como diz o Curso. O momento não é agora, mas está próximo, pois a tua decisão foi firme e não foi feita no tempo. Não pode ser mudada. 

Pai, venho pedir-te de mãos abertas e livres de qualquer desejo que seja feita a Vossa Vontade. Venho dizer que não tenho nada a adicionar que não seja loucura e medo. Não peço função nem coragem, apenas a sadia expressão de Ti, diante daquilo que queiras Teu, e nada mais adquiro como vontade própria. Mas peço tua compreensão amável e teu olhar voltado ao Teu Filho, pois ele te ama e te espera, como um Filho, Que Ama Seu Pai. Amém.  

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sábado, 11 de março de 2017

Sobre o excesso de pensamentos e a sombra.

       


        O excesso de pensamentos não é aparente para quem não os percebem, ou se acredita confundido com eles. É possível confundir-se com uma sequencia de pensamentos, de tal forma aparentemente difundido como “nossos”, que a presença do pensamento torna-se a realidade da pessoa naquele instante.

       Para além do “penso, logo existo”, que define o homem à luz do pensamento racional e estabelece uma relação de causa e efeito entre estruturas lógicas do pensamento, o “existente por pensar” está apenas aderindo a uma causa sem efeito, pois o pensamento “solto” nasce de uma volição, não está em busca de aderir a si mesmo nenhum efeito. Ele  apenas surge, traz consigo uma ideia, depois desaparece, e o sujeito busca compreender a si mesmo a partir de imagens, ideias, noções aproveitadas de coisas escutadas de orelhada e assim por diante. Alguém que está agindo nestes termos, mas não se percebe assim, pode muito bem ser influenciado por qualquer tipo de ideologia.

          Por outro lado, aquele que percebe a si mesmo como um ser pensante, pode muito bem iniciar a observar-se como portador de uma estrutura que aqui chamaremos de “mente errada” (termo encontrado no livro Um Curso em Milagres) capaz de fornecer diversos tipos de pensamentos em variadas formas através da imaginação, tais como imagens, opiniões, pseudos planejamentos, conselhos, ativismos libertários e todo tipo de noção acerca da qual o pensamento seja capaz de construir como ideia, a fim de distrair o observador deste fenômeno e fazê-lo aderir ao pensamento fornecido como se isto fosse ele mesmo.

A luz desfaz a escuridão
        No entanto, quando você consegue finalmente perceber-se destacadamente do pensamento como uma noção totalmente identificada com você, ou seja, quando você percebe que você não é seu pensamento, você pode ver a si mesmo como um observador da mente. Este observador da mente seria algo como a mente observando a si mesma, ou como dito também no livro Um Curso em Milagres, você percebe-se identificado com a “mente certa” a observar a “mente errada”. Quando isso começa a acontecer, é realmente uma benção, mas pode ser interpretado pelo observador como loucura.

O medo é o princípio que rege o apego ao pensamento como um fundamento da existência e a base única do nosso eu. Quando essa loucura é vista em ato, ou seja, quando a natureza ilusória dos pensamentos é percebida, é possível que o sujeito seja tentado a perceber a si mesmo como louco, pois doutrinou a si mesmo durante anos a identificar-se com o pensamento como a realidade única de seu ser e viu que essa realidade é ilusória. Mesmo assim, a tentação em querer manter uma relação com o pensamento como uma identidade pessoal ainda não desapareceu por completo. Neste caso, o sujeito pode experimentar um conflito muito agudo: ele percebeu que não é aquilo que são seus pensamentos, mas também não sabe onde encontrar uma base sólida onde encontrar seu verdadeiro Ser. Isso pode provocar no sujeito uma grave ansiedade.

           Esse é o momento da fé. Quando o Filho de Deus passa a abandonar a ideia de si mesmo como uma mera estrutura de pensamentos, começará a surgir para si, em sua total completeza, algo que ele poderá descrever como um novo eu, com tudo o que é amoroso e belo ressurgindo para si, brilhando em sua mente como uma ocorrência feliz, reverberando com o mundo em amor e capaz de atribuir a si mesmo aspectos positivos ou capacidades revigorantes que o individuo acreditava estarem perdidas para sempre.

         Neste momento, aspectos mantidos através de pensamentos privados, isto é, tudo aquilo que o sujeito relegou ao esquecimento e não quis ver em si mesmo ou mostrar, será trazido à luz.  É preciso ter confiança e saber que a completeza do Filho de Deus é luz e não escuridão. Certamente, seria muito difícil realizar isso sem ajuda.

          A Ajuda é fornecida por Deus, através de Seu Espírito Santo. A “mente certa” é o lugar onde os pensamentos de Deus podem ser observados e tudo o que estava oculto pela escuridão será revelado sem mancha, como se lê na Bíblia: “e não me lembrarei mais de seus pecados e de suas iniquidades.” (Hebreus 10:17). Tais pecados não são as “coisas erradas” nas quais você se vê condenado por tê-las "feito". Tampouco a solução para dirimir suas consequências ilusórias, lançando-as na sombra e relegando-as ao esquecimento terão sucesso. O pecado que você acredita ver em si mesmo não reside  no ato passado, mas na culpa e no desamor associados a tais coisas. Quando elas aparecem, o perdão surge como uma perspectiva de cura. O caminho mais curto para a realização de tal processo dá-se através do perdão aos outros.

       Caso escolhas ouvir a “mente certa”, poderás escutar o Pensamento de Deus, ao invés de teus tolos pensamentos sobre devaneios imaginados. O mundo que vês é apenas o reflexo destes devaneios. A “mente certa” não possui pensamentos privados, pois tudo lá é compartilhado. “No mundo novo, nada passa desapercebido / e não existe mais sabido / tá tudo aí” (Tá tudo aí, música de Rubinho e Mauro Assumpção).

           Certamente, já é possível perceber a esta altura que o teu papel neste jogo chamado vida é o de escolher entre observar a “mente certa” ou a “mente errada”. Observar a mente errada e se identificar com ela é o mesmo que chamar pela condenação, pelo erro ou o desamor. Estes são os regalos do ego, dados para depois serem cobrados como culpa ou medo, ou a falcatrua da dor disfarçada de prazer. Você não existe como um feixe de pensamentos. Você é um tomador de decisão.
  
            Acaso você se decida por ouvir apenas os pensamentos oriundos da “mente certa”, certamente vais encontrar um Amigo capaz de te ajudar. Ele não te influencia, não te dirige, não te compele. Mas se O escolhes como Guia, ouve-O e escolhe segui-Lo, os efeitos das ações sugeridas por ele podem muito bem ser interpretadas e seus efeitos comparados com o modo antigo de pensar. É essa comparação que te faz distinguir entre a “mente errada” e a “mente certa” e escolher bem.


           Portanto, por um tempo é necessário ouvir toda a confusão da mente como algo destacado de você. Esse é o princípio da sanidade. Por fim, a oração é o caminho para a paz.  Sempre que quiser paz na tua consciência, faz da oração teu link com a mente certa. E o Amor despontará na tua consciência por Si Mesmo. Como é dito em Um Curso em Milagres: você não precisa fazer nada. 

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Música citada no texto: "Tá tudo aí".

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domingo, 5 de março de 2017

Uma curta reflexão sobre o conceito de "ideia"



A melhor maneira de expressar a noção de alguma coisa diretamente parece se dar através de imagens.  O mundo é imagem e, portanto, ideia. Veja-se os ditados, por exemplo. São imagens, simbolizando situações limites em expressões diretas ("água mole em pedra dura...", "melhor um pássaro na mão..."). Imagens diretas. Goethe dizia que "a ideia, na imagem, torna-se inexaurível". Utilizaremos, portanto, uma imagem para expressar justamente a noção de ideia.

Digamos que alguém nos questionasse algo nos seguintes termos: " — você faz ideia do que está acontecendo nesta sala neste momento?". Ora, a questão remete diretamente à expressão de um contexto imediato. Donde podemos concluir que a ideia de um momento pode ser confundida com o contexto dele. E nem sempre serão a mesma coisa. 

A ideia é uma noção abstrata de uma concretização no pensar. Uma boa ideia pode mudar o (teu) mundo para melhor. Ideas certas te conduzem à certeza. 


domingo, 2 de outubro de 2016

Sobre a consciência dos milagres



Gostaria de compreender essa passagem do Curso:
“É necessário provar indiretamente a verdade em um mundo feito de negações e sem direção.” (T-14; I - §2:1)

Se a causa de algo está aparente, então o seu efeito deveria estar igualmente claro. No entanto, a causa dos milagres pode não estar clara para aquele que o presenciou ou ofereceu. Assim, para este, o milagre parece ter sido “dado” e uma graça se fez. Se ele não pode perceber que autorizou a presença da graça, então a verdade precisa ser provada de forma indireta. A isto, geralmente, se atribui um “ato maravilhoso” ou “bondade de Deus”. Contudo, Deus não oferece nada a Seu Filho caso Ele Mesmo não tenha permitido para si a presença.

Uma ocorrência em amor não pode ser julgada. Ela está para o sujeito da experiência como para um ato em disponibilidade. A culpa gera o erro em julgar-se como não merecedor. Em um mundo no qual a grandeza está obliterada pela culpa, o valor do Filho de Deus tem que ser demonstrado de forma indireta para que possa lembrar-se de si. A causa estará implícita nos efeitos que serão para ele apresentados, como se fosse mesmo o contrário. Assim, indiretamente, diante dos milagres, o Filho de Deus acreditará que algo aconteceu “por acaso” para ele, ou que ele está diante de "sinais". Isso é o que verdadeiramente precisa ser invertido. O milagre é um direito ou herança. Ele não surge como uma acepção de causas imerecidas. Portanto, vamos primeiramente demonstrar o valor do Filho de Deus. Posteriormente, vamos compreender como o pressuposto do milagre surge indiretamente neste mundo, para ser depois vagamente compreendido e, finalmente, aceito.

O Filho de Deus consciente de Quem É vê milagres como naturais. Ele sabe que o pressuposto da Causa não pode ter abandonado Sua Fonte. Se ele está consciente de si mesmo como um Efeito de Deus, então a causa de sua aparente vida, ou seu estar-no-mundo, não pode ter outra Fonte que não seja Ele Mesmo. No entanto, se Ele não está consciente de Quem É, a sua real natureza precisa ser-lhe demonstrada de modo indireto, pois algumas ocorrências lhe parecerão imerecidas, já que chegaram como uma benção que ele não sabe de onde veio.

O texto diz: “Como poderias aprender o que foi feito por ti, sem o teu conhecimento, a não ser que faças o que terias que fazer, caso tivesse sido feito por ti?” (T-14, I - §1:7). Pois bem, poderíamos reescrever esta frase assim: Como poderias saber o que foi feito para ti, se não tens consciência da Fonte daquilo que chegou, a não ser que entendesses que aquilo é teu e deve ser entendido como tal? O trabalhador em milagres precisa saber que ele é um Efeito de Deus, portanto, o que recebe tem que vir da mesma Fonte. Este trecho fala sobre o destino do Filho de Deus no tempo como favorável, pois mesmo que algo que ele tenha feito “por si mesmo” não possa ser compreendido como tal, ou ele seja o vetor de algo incompreensível (“Não sei como consegui fazer isso. Foi um milagre!”), mesmo assim, isso foi feito por ele, então ele precisa ter o conhecimento de como isto pode ocorrer. No entanto, isto pode estar escondido sob espessas camadas de dúvidas acerca de seu poder.

Portanto, o trabalhador de milagres não pode ter dúvidas acerca de Sua Fonte. Mas neste mundo “feito de negação e sem direção” o trabalhador em milagres não pode se ater ao seu real valor sem comprometer-se diretamente com a verdade. Ele aprende, neste caso, por via indireta, e isso não é um erro ou um problema. Na verdade, é uma fase pela qual todos devem passar. Se ele está esquecido de seu valor, isto é, se não lembra que é amado por Deus sem nenhum tipo de julgamento ou condenação, certamente deve estar imerso em algum tipo de culpabilidade e não lembra que é perfeitamente inocente.

Para que possa lembrar, o contexto nos quais o milagre acontece não pode ser tido como se fosse algo exterior a ele. E é exatamente disso que precisa lembrar. O seu valor não entra nisso, pois ele é, como já foi dito, perfeitamente inocente. Então, o que mais pode ser lido como empecilho se não a culpa ou o medo? Tais elementos gerados pela mente errada fazem com que ele se perceba erroneamente, de tal maneira que passa a crer que tudo que vem de uma fonte diretamente associada à inocência não pode ser devida a ele. Portanto, a primeira coisa que deve ser lembrada para que o Filho de Deus possa experimentar o milagre sem necessidade de inferências indiretas é que ele é perfeitamente inocente. Esta é a sua natureza e negar isso é o mesmo que negar a si mesmo.

Podemos entender com um exemplo: digamos que a sentença proferida por um juiz seja desfavorável para certo réu. Certamente, diante das leis do mundo, a causa e o efeito de tal sentença podem até mesmo estar ajustadas. Mas o milagre surge da ideia diante da qual tal réu se contesta e pode até mesmo assumir para si a culpabilidade do crime no tempo, mas não a punição de Deus, desistindo da ideia de que ele é efeito deste mesmo crime e se percebe inocente. Ele errou, mas agora pode ver a si mesmo como perfeito, capaz de gerar inclusive um novo panorama para a vida, diante de uma perspectiva agora sábia que possa trazer para si verdadeiras vantagens de correção durante seu “estar-no-mundo”.

Neste caso, o milagre surge diante da mudança de ideias que compõem um sistema de pensamento. Usamos um exemplo extremo, mas a verdadeira mudança surge através do amor. Contudo, o amor próprio não é uma causa a se revogar. Pode ser que o criminoso altere sua forma de ver a vida caso relembre de Sua Fonte, e isso para ele será um verdadeiro milagre. Lembremos o que diz o Texto: “O milagre nada faz. Tudo o que ele faz é desfazer” (T-28; I; §1:1). Portanto, o milagre surgirá na mente do Filho de Deus como uma correção, mas ele não precisa ser um criminoso para que isso ocorra desta forma. Isto é o que ele precisa ter em mente. Se não quiser ter para si a correção por se acreditar culpado, como poderá perceber o milagre? Assim, em erro, ele pode facilmente acreditar que uma é realmente vítima do mundo que vê.

A disponibilidade para aceitar o milagre surgirá diante de uma inclinação em lembrar. Os milagres são para o Filho de Deus, não para sua vontade consciente. As ocorrências de milagre não surgem mediante uma petição. Não podemos saber todo o panorama do Plano de Deus; portanto, o que julgamos como milagre pode estar em erro. A cada dia, a cada hora e mesmo a cada segundo, os milagres estão disponíveis como ferramentas do desfazer. Mas não podem ser julgados como tal se forem compreendidos em forma julgável. Grande milagre é um dia de sol na praia, mas grande milagre pode ser a chuva que impeça a praia. Não sabemos a Vontade de Deus diante de fenômenos julgados. A tudo, sede grato.

Então, o milagre pode aparentemente ser julgado como algo “desfavorável”. Numa circunstância indireta, será necessário, então, deixar que a pronta-resposta ao milagre seja um desfazer igualmente indireto, no qual será necessária ainda a ferramenta “tempo” para que o sujeito da experiência possa lembrar-se disto no seu suposto “futuro”.

Outra forma na qual indiretamente pode-se perceber o milagre é através do instante santo. Numa conversa aparentemente banal, caso haja disponibilidade para isso, as palavras podem cumprir sua função simbólica como pressupostos de novas acepções. Ouve bem ao teu irmão, pois ele é o mesmo, e nele estão todas as respostas que tens em ti, mas que temes ouvir. Todos já receberam “alertas” ou “avisos” ou mesmo correções vindas de “outra pessoa”, muitas vezes de modo pouco usual. É o famoso “parecia que ele falava de algo que só eu sabia”, e em muitos casos assim o é. A dinâmica do instante santo não pode ser compreendida sem disponibilidade, e é por isso que as pessoas se encontram e não se ouvem ou se veem.  As pessoas temem-se demais umas às outras.

Por fim, as referências indiretas da verdade podem ser muito bem compreendidas no perdão. O perdão total, que permite que as referências milagrosas ocorram como correções, somente podem chegar ao sujeito da experiência se ele se abstiver de julgamentos de qualquer espécie. O Mundo Novo que surgirá de tal disponibilidade não poderá mais ser controlado por ele (ou, melhor dizendo, ele não mais terá a ilusão de controle). Ele faz um plano, ou tem uma ideia, mas entrega ao Espírito Santo e o mundo que ele quer será claro para ele como uma água límpida. Ele só não pode tomar decisões por conta própria. Isso é necessário aprender. Tens um Professor, um Amigo, que guiará tuas decisões de acordo com tua real vontade. As consequências que virão podem surgir em um cenário bem diferente daquele que imaginarias, mas lembra que o milagre surge como um ato em desfazer as ideias erradas que tinhas sobre tua incapacidade para cumprir tua função, por exemplo.


Pai, viemos agora a Ti em disponibilidade para possamos cumprir Teu Plano, Que é o de felicidade completa para o Teu Filho. Ele precisa de ajuda, Pai, pois não lembra Quem É. Fornece-nos Teus milagres para que o mundo descortine-se para ele, conforme ele possa compreender quanto de sua função pode ajudar o Teu Plano em despertar o Teu Filho, para que Ele possa saber da natureza dos milagres por si mesmo, e assim alcançar a glória da Tua Vontade. Amém.