quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Sobre o perdão





           O perdão não possui diretivas que fomentem a regularidade de sua ação conforme seria aposto mediante um “uso” ou uma “ação”. O perdão, na verdade, não atua. É um total “não atuar”. Diferentemente do que se diz no Tao Te Ching, não atuar significa que não existe uma predisposição do sujeito em estar atento ao que se diz ação conforme o que ele mesmo julga como sendo a atenção. Não podes definir a atenção. A atenção é uma entrega total ao ato de não atuar. Assim, não atuar significa unicamente estar atento, pois esta é a maneira pela qual a atuação ocorre.

            O perdão realmente está associado a “ver o visto”, conforme já entendeste. No entanto, perdoar pode ser definido simplesmente como um ato de facilitar os milagres. Quando perdoas para destruir, conforme vê-se nos suplementos, encontras formas diretivas de assumir para ti o perdão. Não podes ser dono do perdão. O perdão acontece, é uma ilusão, mas é dado. Parece que tens que fazer um esforço para perdoar, mas não precisas fazer nada, conforme diz o Curso. “Perdoar é esquecer”, mas não é apenas isso, pois esquecer implica em dizer que certa vez estivestes em rancor, pois o rancor é a permanência da falta de amor no tempo. Esquecer em vez de perdoar implica em dizer que apagastes de tua memória uma falta que viste em alguém. Mas a memória pode ser evocada, e o perdão associado à memória é falho, ou deteriorado por uma circunstância qualquer que relembre o ato como estando novamente em vigor. Dizes: “isto é errado”, mas acontece o erro e não perdoas novamente, pois não poderias perdoar o erro em si. Assim, perdoar é não ver o que está além da associação entre teu entendimento e o propósito de tuas necessidades no tempo. 

            O perdão é simples, pois ele simplesmente acontece. No entanto, quem pode angariar para si o que o perdão concebe sem antecipar o ato da ação ao julgamento? “Daqui pra frente vou perdoar todos aqueles que fizerem isto ou aquilo”, ora! Isto não é perdão, pois o perdão não precisa de planejamento. Queres te livrar de teu mau amor em termos que adiantariam o pecado? Achas mesmo que o perdão anda com uma corda no pescoço de cada um, esperando por ti para tirá-la? É isso que pensas? Pois é assim que o perdão é lido pelo mundo, e  todos os que pisam o chão desse mundo acreditam que precisam perdoar o próprio pé. Como escapar de uma proposição destas? Em que a premissa é a própria ação? Neste caso, atuar seria, comparativamente, como uma ferramenta de não-perdão. Portanto, como o tempo sucede às imagens, cada tic-tac em seus mutantes segundos apresentará diferenças na ação. O que conseguirás fazer com um perdão mutante? Terás que mudar a forma de perdoar a cada minuto que passa?

            Convém lembrar que o perdão conforme concebes é um resquício de um pensamento julgador, que entende a si mesmo como o juiz do que é certo e do que é errado. Portanto, mesmo o que julga como “certo” está associado a uma definição antecipada, a uma forma de perdão que diz que alguém é certo, é feliz, é “gente-boa”. Isto não pode ser um elogio! É muita projeção em cima de um julgamento baseado no relacionamento especial de amor. A falta de perdão sempre formará um relacionamento especial.

            Portanto, perdoar não torna uma pessoa perdoada “melhor”. A redenção é um ato de coragem em ater a si apenas as imagens que evocas sem expectativa de retorno! Não há um julgamento sobre as imagens, e assim o homem se redimiu das imagens que criou. Não houve realmente um arrependimento. Isto implica em dizer que algum dia escolhestes o pecado, mas o pecado não existe, e eis novamente o mesmo demonstrado.

            Parece muito difícil falar sobre o verdadeiro perdão, pois não consegues desvinculá-lo do perdão que inventastes. No entanto, perdoar é a coisa mais simples deste mundo, e dentre as suas ilusões, é a única que é macia e leve como um aceno calmo e gentil a uma criança. Claro que terás medo de perdoar, pois até agora falamos apenas do perdão para destruir, o perdão julgador. Mas não te deixaremos sem respostas. Falemos então do verdadeiro perdão.

            O perdão não é um julgamento. Quando vês a teu irmão, como podes vê-lo, se ele não está aqui? O que vês, então? Vês o amor em andamento, e assim perdoas. Vês o amor errando? Então não vês o amor, mas podes ver o teu irmão pedindo ajuda. A alegoria da ajuda pode ser material, mas a verdadeira ajuda vem de Deus, através de ti, por intermédio Daquele Que fala por Ele. Então, não julgas a forma da ajuda. Simplesmente ouves ao teu Professor. O perdão surge da confiança nisto. Não podes perdoar julgando o que perdoas. Tu amas e simultaneamente perdoas. Não existe nenhum intervalo entre essas duas ações. Dizemos “ações”, pois elas estão muito próximas ao tempo, visto o perdão ser também uma ilusão, conforme vimos no UCEM. No entanto, o perdão está muito próximo ao “agora” conforme o concebes como “um momento tendendo a zero segundos”. É claro que não perceberás isso como fácil enquanto escolheres escalar os teus irmãos dentro de uma faixa de valores. Qualquer que seja esta faixa, econômica, social, religiosa, estética, seja o que for, é um envelope no qual queres colocar o teu irmão e endereçá-lo ao esquecimento. É triste, mas não pode ser demorado por ser irreal. Podes perdoar inteiramente em apenas um instante, se quiseres abrir mão dos teus “valores”. Onde encontrastes uma corrente, como diz o curso, deixaste lá a chave. Não é o teu irmão quem a esconde de ti, filho. Perdoa a teu irmão. Ele nada te fez. Ele nem pode fazer. Ele é tão  santo quanto tu mesmo o és. Mas não diga nada a ele, pois ele não pode ser julgado. Resgate nele a dignidade apenas tratando-o como digno de ser um Embaixador do Céu. E assim ele será para ti.

            Não perdoas o que vês. Perdoas o que não sabes. Perdoas o ato de existir neste mundo. Parece radical? É radical conforme tua forma ensimesmada em ver este mundo com seus duplos como verdadeiramente real. Se vês no teu irmão o erro, ou se ele te causa medo, ele traz para ti a bandeira do perdão hasteada para veres, pois se nada puderes aceitar dele como sendo teu, ele já está limpo! Não precisas lavá-lo. Só vês a extensão do Que És ou daquilo que pensas que és. Se vês um mundo mal, lembra então que és amado pelo próprio Deus. Se vês um mundo triste, lembra que a alegria é tua herança. Se vês um mundo temível, lembra que somente podes estar disposto ao que é santo. E se gostas de teu irmão como a um irmão, lembra que és santo como Deus te criou, e que és assim, e que serás sempre assim. Teu Irmão É como Deus Nos Criou. Teu irmão É, e antes de seres confundido em ego, Eram Um.

            Por um tempo ainda verás o teu irmão “diferente”. Mas o mesmo não demora a se revelar para ti, pois se vires ao óbvio, não deixarás de ver o que é real, e serás apenas um verificador do  mesmo, e isso só pode ser experienciado, não pode ser descrito.

            Te amo, em ti, a teus irmãos, por ti — pois te amo.  Ama a teus irmão com coragem em não querer amá-los como uma motivação. Vê a teu irmão em si, ele não vai revidar como se fosse te matar. Mas caso ele não esteja em si e tenha medo, aprenderás a ajudá-lo e a curar teu próprio medo. Não temas ao teu irmão. Não temas.

            Pai, quem sabe de Teus Filhos És Tu mesmo. Pedimos a revelação do mesmo, pois queremos ver a face de Cristo em nosso irmão. Queremos revê-los como São, segundo a nossa saudade Deles e de Ti. Precisamos de nossos irmãos santos, conforme o amor nos dá o sentido deles. Pai, revela para Teu Filho Santo o sentido do amor. Ele ama a seus irmãos e quer ater-se como amigo e santo, em Tua Vontade, dispondo amor para Rever-Te e Vê-los, conforme sejam para sempre amados, Nosso Irmão, em Cristo, pedimos. Amém.


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terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Sobre a responsabilidade.


         


            O que significa “assumir a responsabilidade por este mundo?”


            Assumir a responsabilidade por este mundo aparenta ser algo muito difícil, pois visaria compartilhar de deveres que não são teus. Assim, o que compartilhares terá que retornar a ti mesmo como recusa, pois o que é de outro não é assunto teu, a não ser através de procuração, piedade ou alguma forma de assunção que faça o teu irmão passar a ser dirigido por ti. Essa é a responsabilidade segundo o mundo a toma; e acredita que assim, dirigida para fora, pode ser real.

            As relações sociais são apenas atributos que devotam ao sonho a noção de “caminhar”. Tua responsabilidade em relação às “ficções sociais” estão associadas às tuas necessidades de criar, estender. O conhecimento não é uma ficção ou um símbolo utilitário. Obviamente, podes argumentar com muita facilidade em favor da atribuição disto ou daquilo como um óbvio valor da “humanidade”, e uma “conquista”. Pensas, portanto, que o mundo que fizeste está “crescendo”, e este valor assume o caráter temporal da expansão, ou criação, de forma equivocada, pois o princípio que estabelece este raciocínio está totalmente comprometido com reter o mundo conforme sua noção de conforto. É tão circular em seu raciocínio que acredita que a história pararia por aqui, e não lembra da queda dos impérios, das transições das eras e o óbvio recrudescimento da matéria, conforme é o caos do universo que criou.

            Não há realidade no mundo, e a responsabilidade pelo mundo não é uma averbação ou uma dedicação voluntária às suas formas. Isso pode parecer cruel e devastador, pois assim é, quando projetas a tua responsabilidade em uma ONG, uma forma de poder ou uma causa séria a se defender. Quando é dito no UCEM que o mundo é o contrário do Céu, quer-se dizer que fazer sentido não é real. O real tem a ver com o significado. O significado santo das coisas sempre parecerá loucura para o mundo, pois o mundo, sendo insano, vê a sanidade como o seu oposto segundo sua ótica. É tão verdadeiro que, no mundo, pode-se argumentar em matar em favor de uma causa justa, ou em punição como instrumento de aprendizado.

            O contrario disto é tão óbvio e triste que não falaremos aqui. Falaremos então da REAL acepção da responsabilidade.

            Quando acreditas que um homem pode dirigir a sua própria vida segundo uma vontade alheia à Vontade de Deus, ocorre uma divisão entre a sua mente e a mente certa, surgindo o que o UCEM denomina “mente errada”. A mente, então, passa a ser dirigida por um propósito totalmente alheio ao que é, diferente de si mesma, e assumindo sobrecargas. Uma vontade dividida passa a ser a sua concepção de mundo, pois, embora ele pense que está sob direção exclusiva de “sua vontade”, o Espírito Santo “concorre” em favor de Deus, ganhando sempre. A sensação de “perda”, advinda de uma óbvia duplicação de si, favorece ao sujeito pensante um memorial recorrente, ao que chama “história de vida”, e é a esse memorial que ele recorre quando precisa “acertar as contas” com suas “derrotas”. Seu pedido de ajuda, no entanto, é recebido e cumprido, conforme sua necessidade é vista por Aquele Que Sabe o que faz. Então, surgem duas vozes na mente do devastado: a sua construção infantil e gloriosa, mediante o empenho em ser alguma coisa e o destaque nisto, e a Voz Que fala por Deus, que fica abafada, pois não pode invadir a mente do Filho de Deus sem a sua permissão para que possa falar com a gentileza e amor esquecidos por ele. O ego acredita, portanto, que uma vez construído, feito, ele tenha sido criado, e que nasceu neste mundo. Ao corpo que foi dado o nome, se empreende “construir este nome”, até a maturidade e a possibilidade final de seres “responsável”. Para o mundo, este é o pensamento responsável. No céu, caso fosse possível, isto seria percebido como uma espécie de anarquia.
           
            O amor de Deus pelos Seus Filhos está além de tudo o que ele possa pensar sobre si mesmo. Sua agonia em deter-se e esperar em sua fonte construída é totalmente delusória, e a verdadeira responsabilidade ele não gostaria de assumir, pois implicaria em primeira instância em assumir que estava errado. Disso, o ego não gosta; e ele, identificado com o nome que recebeu e se deu, acredita que é uma vontade apenas...o Filho de Deus acredita agora que foi reduzido a um impulso.

            A responsabilidade verdadeira, que virá de uma completa deteminação em ver a si mesmo sem medo, não está atrelada ao que é nomeado como “virtude”. Para o mundo, a virtude está em acepção errônea, associada ao comportamento. Não podes dar vazão ao comportamento, disso já passamos, mas o que a responsabilidade real traz é uma associação entre o que o indivíduo aceita como seu e o que é realmente seu transitando no mundo como formas de amor. Isso parece difícil de entender, mas é muito claro, e para tal daremos um exemplo:

            Digamos que quisesses pescar um peixe. Então terias que ter disponíveis linha, anzol, ou uma rede, mais a isca, a fonte dos peixes: o mar, um rio etc. Depois de tudo pronto, acreditas que estás pronto para pescar o peixe. Mas então, pedes sorte, ou procuras um “bom lugar” para pescar. Tudo isso justifica o sonho e parece ser um razoável planejamento. Afinal de contas, não podes chegar à beira do mar e dizer: saia peixe! Pois isso seria mágica para ti. Pois eu te digo: mágica é preparar tudo com o intuito de associar o que és ao teu trabalho, sem antes quereres verdadeiramente o peixe. O sonho, portanto, é capturar o peixe, e não ter o peixe para si. Obviamente, pescar não pode ser tido como um “ato mal”. Mas contratar o peixe é como ater o que se quer ao que precisas, e isso é muito difícil de se falar sem decorrer em sérios julgamento egóicos contrários e temerosos.

            Esse exemplo é uma fábula, uma história da carochinha, não pode ser entendido literalmente. O trabalho acontece na vida de uma pessoa neste mundo com a necessidade que sua linguagem contém. Foi necessário muito trabalho para que Um Curso em Milagres viesse à publico, e um grupo pequeno de pessoas se esforçou às duras para que acontecesse. Sua responsabilidade estava no que sentiram e perceberam quando estiveram presentes ao mundo como guias e professores do Curso.
           
            Portanto, assumir a responsabilidade por este mundo não pode ser um encontro com o mundo em suas formas literais. A responsabilidade de que fala o UCEM vem de entenderes que a metáfora “mundo” implica em dizeres que um sonho em imagens está proposto, e não tens nada a ver com isso. Passas então a nutrir o mundo, a partir do momento em que dás e não quando buscar receber. O perdão passa a ser o veículo de nutrição que permite a ti perceber o mundo como uma nova tendência de teu ser, associada a uma maneira singular de apresentar a ti mesmo como Outro, mas sendo este Outro o teu verdadeiro Ser, que em nada se parece com aquele que visavas construir. O Ser, a revelação, é uma redescoberta. E tudo que vem dela é dado, não pode ser construído.  A responsabilidade verdadeira está em assumires as imagens do mundo como sendo a tua fabricação do mundo. Não podes consertá-las, mas podes dar de ti para elas, conforme sejam atribuídas a ti, serás “recompensado”.

            Uma forma real de assumires a responsabilidade por este mundo é saberes que uma ideia não pode ser associada a nada que não pertença a si mesma. Assim, Deus é uma ideia e as associações de Sua Vontade neste mundo também são partes de Sua Ideia. Por isso se fala no Curso em "estender". A Mente de Deus é uma acepção holográfica, a qual este mundo não está associada, pois o mundo não pode ser envolvido com a Mente de Deus. Os “fatos” que ocorrem no mundo são meras associações de vontades desenvolvidas em sequencia para atestar o tempo como co-autor do mundo. O verdadeiro autor do mundo é o Filho de Deus que acreditou estar capaz de separar-se, conforme já vimos. No entanto, a Mente de Deus abrange a REALIDADE de Seu Filho, assim, as criações do Filho no mundo são as únicas coisas passíveis de estender o amor aqui.
           
            Assumir a responsabilidade pelo mundo é também criar. Precisa dar para poder criar. Não há como reter o teu potencial criativo e “fazer um nome”, sem que isso tenha a ver com a falta de responsabilidade. Ser responsável é assumir consigo mesmo o comprometimento verdadeiro de olhar apenas na direção de Deus. Para isso, precisas entender que “és responsável por aquilo que cativas” e mais. Pois o sentimento sozinho não é capaz de dirigir com sabedoria tua certeza. Precisas entender que o teu “mundo”, a que deste nome, pelo qual te chamas e que chama por ti, não existe, mas precisas estender o amor a isto, se quiseres escapar, assumindo assim a responsabilidade verdadeira, que não vem de ti. No entanto, diante de uma total discriminação de teu ser perante uma vontade alheia, pode ser "destituída" por uma verdade fabricada, que não é compatível com o que és, e fica borbulhando em tua mente como uma certeza desprovida de amor.

            Responsabilidade é amar e “ver o visto”. Ao vê-lo, não o julgas, e ama-o. Apenas assim se está sendo sincero com o que se é. Apenas assim poderás fazer o que o mundo precisa para ser melhor.
           
            Pai, estamos assustados com o que escrevemos, e pedimos ajuda para que possamos entender verdadeiramente, durante a vida, o que é ser responsável. Queremos amar, meu Pai. Estamos saudosos de nossos irmãos. Teu Filho Santo é teu amado, e pede que veles por ele, e responda à sua ansiedade em reencontrar a Ti, Amém.



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segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

O que significa "ser uma ideia"?





Gostaria de saber:

            1.      Por que é dito que somos uma ideia;
            2.       Como se faz a escolha correta.

Quem sabe o que significa a escolha correta não precisará desta resposta. Portanto, tu que perguntas, o que buscas entender? De que queres te aproximar? Será que uma resposta conseguirá aplacar tua total comoção mediante os significados? Será que há algum tipo de suficiência para ti neste mundo separado, algo como uma resposta, ou “a resposta”?
Se for isso que estás buscando, procuras a resposta errada no lugar certo, e isso é uma confusão de termos e dos meios. Não há um lugar certo ou uma resposta exata para o que és. Se perguntas, é porque não sabes. E isso é a única coisa que agora pode ser dita com certeza.
Como se faz, então, a experiência de entrega total. Mediante um completo entregar-se ao que é, como se diz no Curso e em todas as palavras sábias derivadas Deste ou de Outro meio santo. Entregar-se é apenas estar em si, sob os aspectos não discutíveis da graça. Quem encontra em si algum tipo de morte ou domínio apostólico derivado do sonho de dominar, alcança meramente um formato que surpreende pela sua força na mente daquele que sonha com estas coisas. A “entrega” a este tipo de “dominação” somente pode ocorrer mediante o medo, pois o medo traz para o espectador do sonho uma “lógica” na qual o ataque passa a ser a vontade de entrega. Isso é loucura, obviamente.
Não é possível que tenhas sobre ti mesmo algum controle que não te seja “dado”. Assim, mesmo que penses que estás no comando, que estás dirigindo, estás apenas “entregando” teu meio corpóreo Àquele Que te conduz à Deus ou ao teu ego, conforme construístes para este fim, este, divulgando em sua epidemia de satisfações uma possibilidade sempre fugidia, tal qual fosse o ego o mesmo que Tântalo, embora seja ainda mais insano, pois o isolamento de Tântalo não se repudiava aos outros através do ataque.
Quem é então que faz a entrega; que permite a entrega? Esta pergunta, em si mesma, já é um paradoxo. Portanto, se perguntas o que é a entrega, ou como se a faz, perguntas o que apenas pode ser respondido por um paradoxo, como o mito de Tântalo ou de acordo com o que pensas sobre não seres o que és, o que é outro paradoxo; embora neste último estejas imbricado e precisando de ajuda para sair dele.
A entrega se faz mediante a graça, e sobre a graça não podemos falar, posto não haja palavras para isto. “Palavras são símbolos de símbolos”, e possuem em si o poder mágico de inferir. A linguagem em si não tem significado na graça, pois ela “some” ou desfaz-se. Englobando a mensagem em envelopes, posto ser limitada, a linguagem é em si mesmo este limite, e se perguntas através das palavras como se faz a entrega, isto é um erro, pois buscas através do meio insuficiente o exame do suficiente. Isto é impossível.
No entanto, a entrega pode ser auxiliada pela linguagem através do fornecimento dos meios. Veja bem: a linguagem não pode ser o meio em si, mas através dela pode ser divulgado o meio para se atingir o estado ao qual permites que a graça venha, e para isto não precisas de nada; basta estudares o Curso e praticar os exercícios, ainda mais em conformidade com o teu empenho genuíno em estares pronto e divulgado, sendo a si mesmo por inteiro, nas experiências, conforme seja o lugar ideal para entenderes a tua pergunta.
Se vires a um irmão, seja tu irmão deste irmão. É muito simples, mas no começo parece difícil. A entrega virá para ti que não julgas. Não desejas nada de teu irmão: nem sua palavra, nem seu empenho, nem seu corpo; o que queres do teu irmão é apenas o que Ele É contigo, conforme foram criados, e isto é reconhecimento. Assim, esta resposta é satisfeita.
Sobre seres uma ideia, esta é uma imagem simples de um fenômeno que criastes, mas não te lembras. O mundo, quando foi criado, estava imerso em uma fenomenologia típica, na qual suas imagens não poderiam “tri dimensionar-se”. A evolução da consciência ao fenômeno da dimensão criou o tempo, e assim, a separação criou os intervalos entre os corpos e os corpos se submeteram à separação, à contagem e ao tempo. Desde então, a Resposta dada tem sido paulatinamente aceita, visto que será sempre aceita, pois foi dada por Deus. O que se acredita ser “evolução” das ideias é meramente o desejo de compreender através da própria consciência que ela foi um erro, um equívoco, e que é possível ser corrigida e retornar ao estado natural, abstrato, conforme se diz no Curso.
O que a consciência então? É meramente o instrumento que inventaste para dirigir “para fora” as tuas ideias de separação. Com ela, podes “jogar” com as ilusões, compreendendo-as, dando-lhes os nomes que criastes, formulando temas e adequando outras formas, as quais imaginas que, pelo séculos que sofres, estás “evoluindo-as”. Tudo tolice. Não há evolução nas ideias, apenas manipulação das formas, e se achas que um computador é uma grande evolução desde as pedras, apenas te ativeste à noção de conforto como prerrogativa básica de tua prisão. Assim, agora podes dizer: “está melhor que antes”; e isto é um limite, e não uma evolução, embora o mundo jamais aceite uma opinião assim.
Obviamente, o mundo é o contrário do Céu. O Céu não evolui. Tudo lá já é perfeito, e se pensas que este mundo caminha para o “estado de Céu” através da evolução das suas formas, estás totalmente enganado. Se pensas, no entanto, conforme gostarias, que as palavras de Hermes Trismegistos sobre o que está em cima ser como o que está embaixo estão associadas à forma, estás enganado. O que está acima (a luz) é como o que está embaixo (a escuridão). A luz, portanto, trazida às trevas, revela apenas o que está obscurecido (a essência), mas são ambas ilusões. No entanto, jamais conseguirás levar escuridão à luz.
Luz e trevas são metáforas, figuras de linguagem, ambos se elidem na presença da luz, que é o único elemento verdadeiro a permitir a graça. Porém, além da luz e da escuridão, está o Céu, donde a ideia de luz e escuridão é inconcebível.
Então, quem é André Sena? Essa coisa monstruosa a que deste nome não pode ser além do que és. No entanto, tu és amado, e mesmo conforme identificado neste corpo, serás amado pelo reconhecimento do que és. A ideia de um nascimento, vida e morte é um conto da carochinha, um mito, uma historia que criastes! Como não te identificares com isto sem acreditares que és irreal? Passas a ser uma historia, uma lenda, e para forçar a tua noção de existência, precisas de coisas, de mais, para provar que a historia continua, mas ela não existe, filho Meu.
Assim, quando é dito para ti que és uma ideia, o que se quer dizer é que uma ideia não pode abranger a si mesma. A ideia é meramente um uso, uma “apropriação” que fazes de teu ser enquanto um “tema”, e te aproprias disto para teres uma ilusão de existência. Quem é a ideia? Esta resposta também é impossível, e a pergunta também é um paradoxo.
Uma ideia não pode ter forma. Ela não está de modo algum associada a alguma forma. Ela pode ser projetada, mas não pode ser “lançada fora”. Portanto, na mente de Deus, há a ideia de tua criação conforme és. Isto é tudo o que pode ser dito sem trazer ainda mais confusão à tua mente. Mesmo porque não há segredos sobre isto, mais palavras apenas confundirão a tua mente aturdida e preocupada com respostas.
Então, para que em breve possas compreender através da experiência o que perguntas, lembra que és amor, e que somente podes ensinar amor, pois isto é o que tu és. A ideia do amor não pode ser apreendida, nem mesmo suposta através de comparações. Mas podes simplesmente atrair o amor a Si Mesmo através do ato de amar, e entenderás que uma ideia não precisa de formas para Ser.



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quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Sobre a imaginação



O aprendiz de Cristo, o homem que está em fase de elevar-se, que alcança a verdade de si mesmo, não acoberta seu pressuposto amoroso através de prerrogativas que são diretivas, ou mesmo simplificadas segundo ideias que não previnem a verdadeira associação. Uma “associação”, nos termos que está aqui escrito, é suficiente para que uma palavra dita em acordo com o seu propósito se estabeleça como um recurso de reconexão entre a verdadeira maneira de explorar o inconsciente, ou elevar a mente ao estado correto, que é o mesmo que dizer Céu.
Suponha que o veio que alcança tal estado seja completamente estável. Que os pensamentos que chegam até a mente do filho de Deus estão completamente associados ao que ele é na verdade. Assim, a mente certa seria a única expressão desta mente, e não haveria nenhum tipo de pensamento que alcançasse seu ideal de existir mediante uma construção.
Portanto, pensar deve ser um ato involuntário, não acrescido de opiniões, que são pensamentos meramente dissociados, atingindo apenas a superfície da mente do filho de Deus, deixando-o a mercê do que é falso. Se o pensamento falso se engalfinha ao que é superficial, o superficial pode ser julgado por este mesmo pensamento como importante. Então, um estratagema da mente é montado para configurar o “real”, e assim surgem as imagens e o mundo.
Por outro lado, o medo do Pensamento de Deus parece justificável, pois a associação não estaria presa a um círculo de criação “espontânea”. Dificilmente, o amor que o filho de Deus lembra pode ser “pensado”. Ele não compõe imagem, e a Sua linguagem não é passadiça, não definha com o tempo e não muda. Toda a linguagem do Reino é clara e simples, e não precisa de pensamentos para acontecer. Se o pensamento de Deus pudesse se exprimir em imagens, o próprio Céu precisaria ser construído como se fosse o mundo, em suas formas, e dividido em opostos, para que pudesse ser pensado ou imaginado.
A imaginação é sobrevalorizada por conta de seu potencial criativo, associando o que explora ao tesouro que chama de seu. Sua total inconsciência do verdadeiro Criador faz com que a imaginação alcance apenas o que lhe é dado pela mente que a evoca: imagens e histórias. Por mais que as atividades imaginativas sejam valiosas para o mundo, e em certo momento sejam mesmo construídas com laivos da mente certa, ainda assim a imaginação apenas abrange o que o mundo separado supõe como real, e sua fonte construtiva são as imagens da separação.
O Espírito Santo é a alternativa às criações equivocadas e aos apelos da imaginação com seus ditames secretos e mal ajambrados. Cada vez que o Pensamento de Deus se aproxima da mente voltada para os milagres, a imaginação passa a ser um efeito indesejável como elemento precursor. Nenhum ditame alienado do “momento este” será associado com uma imagem ou pensamento, e assim surge a verdadeira Imaginação, que supõe uma atmosfera elementar de efeitos plenamente observáveis em si, mas não formados necessariamente em imagens ou palavras. Esta Imaginação do Ser é o que sentes quando estás imerso em si mesmo, e o que imaginas em tal estado é a mais próxima associação com a sensação que podes alcançar para atestares para ti mesmo que existe algo além das imagens e ideias.
No entanto, não é uma sensação, nem parece com um peso, conforme gostarias de definir. É uma total capacidade de interagir com o inefável através de um estado que ainda não é iluminado. Assim, a imaginação verdadeira intui que algo além deste mundo existe verdadeiramente, e deves agradecer todas as vezes que este tipo de impulso ou “efeito” surge para te atestar isto. Não deves, no entanto, imaginar como será a Revelação, pois a imaginação é incapaz disto e apenas te fornecerá ideias que terão como infeliz resultado um composto de segmentação entre o que é o sujeito da experiência e a ideia da experiência em si mesma. A Revelação não pode ser imaginada, mas será facilmente reconhecida.
A imaginação pode criar mundos...imaginários
Ainda há algo a ser dito sobre a imaginação. Ela não é facilmente percebida como um elemento “falso”. Não que ela seja falsa em si, nem mesmo pode ser confundida com a fantasia, que é um mecanismo automático de relação entre o que não existe e uma suposição de utilidade ou valor. A imaginação procura dissociar através da fantasia. Já foi dito que a fantasia procurar alienar através da dissociação, na medida em que incrementa o seu elemento projetado como um valor. A fantasia é uma total dependência do sujeito que evoca imagens e um sonho de construir o que não é. A imaginação, no entanto, visa promover a fantasia a um estado ideal, ou criativo, e assim não precisa sequer do mundo para existir, pois basta que o sujeito se engalfinhe em sonhos para satisfazer a si mesmo e assim alcançar prazer e satisfação voluntária. Claro que tudo isso é insano, mas parece não o ser. A imaginação conduzida pelo Espírito Santo pode produzir totais diferenciações entre a fantasia e a realidade, deixando muito claro que a “realidade de imagens” que está sendo apresentada não existe. Uma foto da praia não bronzeia. No entanto, e possível imaginar-se bronzeando.
Assim, é possível imaginar-se iluminado, ou em algum Caminho. Certamente, estás no Caminho, pois todos se lembrarão de Deus no final. Isto é certo, pois já ocorreu.
Tenta lembrar o que é dito no Livro Texto: “todo pensamento cria forma em algum nível”. Assim, a imaginação é uma tentativa de criar, mas sua aposta em si mesma como fonte faz com que sua criação esteja voltada apenas ao elemento formal. A criação de associações entre o pensamento sujo e a lixeira nem sempre é uma relação higiênica. Pode muito bem estar associada ao acúmulo. E assim o mundo se torna fragmentado, e há tantas preocupações imaginárias associadas à salvação, como a reciclagem e a ecologia, por exemplo. Estas são causas sem nenhum efeito, pois embora pareçam lógicas, são circulares, pois estão distantes da Fonte da verdadeira criação.


Imaginada casa
Não há como se reciclar o que não pode ser. A imaginação não pode mudar nada, mas pode muito bem perturbar a mente do estudante, se ele assim permitir. A criação equivocada produz a percepção de um mundo equivocado. O mundo real vem do perdão total, sem suposições ou subterfúgios para ocorrer tal como é. Não se pode imaginar o perdão.
Há uma sensação de uma luta interior entre o que se quer fazer e o que é sua função no mundo. Geralmente, isto é experimentado como um conjunto de malefícios, ou coisas das quais o individuo gostaria de “se livrar”. Ele acredita que seu melhor empenho como favorável ao Plano de Deus seria alcançar uma perfeita correção de si mesmo, e assim passa a imaginar uma “mente certa” para si. O certo aqui será aquilo que sua imaginação febril associou do que percebeu no mundo com aquilo que gostaria de encaixar em sua expectativa imaginada. Pode-se fazer planos para daqui a dez anos, e se uma doença de fixação ativer a esse plano uma convicção, não poderás ser salvo do que queres. E o estudante sentirá uma forte sensação de premência, quando não uma coerção, no sentido de que precisa “conseguir”. A imaginação do despertar faz com que o estudante se creia compelido a iluminar-se. Consequentemente, a imaginação sugere fantasias de comportamento ou estados que favorecerão isto.   
A maneira de se livrar de tudo isso é lembrar que és como Deus te criou. Se és assim, o que tens que imaginar? O que precisarias imaginar? Queres melhorar o que Deus criou perfeito? Imaginações sobre ti mesmo só podem ser fantasias sobre ti mesmo. O Teu Ser está disponível agora para te associares a Ele na verdadeira associação, que é unitária. Tu e o Teu Ser são um só, não são imaginados, pois não estão apartados para poderem compor sujeitos e objetos.
Agradece a Deus pelo Seu plano perfeito para tua salvação, ao qual não precisas aderir nada. Não precisas agir nem mesmo alcançar nenhum estado. Não interessa para Deus os teus pecados, pois apenas a imaginação supõe que pecou. Lembra de Deus como um Pai totalmente amoroso, justo e favorável ao bem estar total do Seu Filho. Então lembra de ti mesmo como favorecido por não precisares imaginar o que tens que ser para Ser.
A Ti, meu Pai, pedimos que nos faça lembrar de Teu Amor misericordioso, Que não permitiu que teu filho imaginasse a si mesmo diferente. Pedimos a revelação do que é o mesmo e do que é diferente. Amamos-te como teus Filhos santos, e saudosos de Teu abraço, agradecemos por descansarmos em Ti. Amém.

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"Essa música não existe" 
André Abujamra




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