quarta-feira, 6 de março de 2013

Sobre a ausência de níveis de dificuldades em milagres




            O julgamento seleciona e classifica. Ele atribui os parâmetros da separação, apresenta os níveis e classifica os meios. Seus pensamentos em separação são divulgados como diferenças, e o quê vês como diferente é “o outro” ou “outra coisa”.

            O imutável não pode aceder diferenças. O Espírito Santo vê as diferenças que tu vês, mas não acredita nelas, conforme aprendestes. Ele responde e fala pelo Imutável. Como poderia o imutável mudar através de formas? Apenas se houvesse um plano no qual o imutável pudesse ser visto através de diferenças seria possível que o imutável fosse partido em dois, e daí em mais. Uma situação parece mais terrível que outra, e uma aparência parece mais aprazível que outra. O fato de não haver ordens de dificuldades em milagres quer dizer que o milagre não está vinculado às aparências. Se pedires um milagre, ele te será dado onde pedires, sem discriminação em níveis, pois  não está sujeito às partições.

            Alguma coisa te impulsiona em devoção a um oposto? Pois essa coisa apenas pode ser dividida em causa, pois o efeito não pode ser dirigido à parte da causa. As diferenças atraem perguntas que se refazem de forma dividida, pois elas englobam tentativas de estabelecer diferenças em retrospectiva, na medida em que aciona a memória em favor do especialismo ao qual as diferenças atestam ordenação na separação. A separação, portanto, é aprendida. Ela não é dada. Não temas os efeitos da separação, pois eles não são possíveis. A ordem de dificuldades aparente na separação apenas impede o milagre. Deus não fala através de códigos.

            Se acreditares em ti mesmo como fraco, a parte do mundo dividida em fraqueza surgirá como efeito de teu próprio pensamento. Isso não acontece diretamente, através da mágica, pois as imagens não são diretas, são simbólicas. O que importa é se estás escolhendo com o professor certo, pois as imagens são impossíveis de alcançar significado através do julgamento. O Professor certo pode interpretá-las para ti, se te disponibilizares a isso. A única coisa que pode garantir se estás escolhendo certo é a alegria. A felicidade é o termômetro que indica a validade de teu pensamento.

            Jesus esteve aqui como homem, mas não dirigia Sua Vontade através dos sentidos do corpo. Era atribuído, por assim dizer, através de uma diretiva sagrada, definida pela Vontade de Deus, através da realização em si dos atributos do Espírito Santo, em Si Mesmo. Ele ouviu apenas a Voz por Deus, no sentido de direcioná-Lo à Visão de Cristo em seus irmãos, e assim percebeu a inexistência de uma ordem de dificuldade em milagres, ao que cumpriu Sua missão em inevitabilidade de erros. Esteve em conceito definido como santo, mas atinha-se em qualidade ao que mais humilde pode haver: perceber o irmão como si mesmo, destruindo assim qualquer vocação aos inversos, através do pressuposto meramente simbólico da separação. Por isso, Cristo fazia milagres     Nele Mesmo, não em símbolos, ou em corpos nomeados e divididos em ordenações de diferentes “pessoas”.

            Deus não discrimina. Ele não está partido, ou cindido; não pode asserir uma separação em Si mesmo. Como poderia, então,  haver ordem de dificuldades em milagres? Seria necessário que a discriminação fornecesse os parâmetros para a adesão do milagre a este ou aquele efeito, segundo o merecimento ou o valor. Ora, se Deus não discrimina, o milagre não pode ser discriminativo. Então, acreditas mesmo que o milagre não possa vir a ti? Pois este é o pensamento em arrogância, ao se acreditar discriminado, devolvido a ti mesmo pelo isolamento em corpo. Negar o milagre é o mesmo que crer em ordenações ou separação.
           
            No entanto, enquanto a mente cindida, ou devastada em cisão, crê que está separada das outras mentes, surge um grande investimento em defesa. Neste caso, tal investimento insano pode surgir em imagens na forma de opressão em teus irmãos, coincidências apontando “defeitos”, direções equivocadas na vida, má sorte etc. Pois a cisão precisa de várias formas, não é mesmo? Ela é dividida. A unificação dos pressupostos da cisão em dois somente surgirá quando um evento miserável puder ser perdoado completamente. Isto não precisa de nenhum esforço de tua parte, pois a tua parte é não interferir. Jesus Cristo é o símbolo máximo da não interferência. A ti só é pedido que te empenhes nos exercícios e procure dirigir a tua mente em propósito santo, conforme são as lições. Este é o teu repertório. Perdoar é nascer de novo, pois vês o mundo limpo, não para projeções, mas em devoção genuína ao ato de ver o visto, em imagens, pois os pensamentos sãos que tens ensinado a ti mesmo são as imagens sãs que verás.

            As imagens são contempladas em equívocos quando temes. Ora, se estás temeroso, com pensamentos temerosos, como verias imagens de amor? Perdeste tua carteira, ou esquecestes a chave do carro, foste picado por uma abelha, pequenas ocorrências do dia parecem totalmente enlouquecidas em tua mente, como se tivesses má sorte. É preciso cuidado aqui. Como diz o UCEM, algum eventos que julgas como sucesso foram teus maiores fracasso e vice e versa. Pode ser que a “sorte” seja um evento simbólico de tua própria confusão. Em um empenho fortemente devotado à miséria, um pode ganhar na loteria e bloquear, em sedução idólatra, sua função aqui. Mas para o mundo, este seria um homem de “muita sorte”.

            Por isso não gostamos de dar exemplos. Os símbolos da separação não são unívocos, ou imutáveis. Tanto é que se diz: “o bem de hoje é o mal de amanhã”. E não podes cair em idolatria ao aceitar isenções para este ou aquele formato em imagens. Não se trata de julgar, mas te manteres o Espírito Santo em unificação, sem interferências. Isto, já foi dito, pode te ser ensinado, mas não és tu mesmo quem te ensinas a ti.

         Segregações não são aceitas. Não há diferenças entre os filhos de Deus, mesmo se estão adormecidos. As imagens de seus corpos não são o que eles são. As características em separação não são o mesmo que os eventos criativos que dirigistes em tua própria direção. Segundo tua “assessoria” em interpretações, o empenho em direções parece aprazível de acordo com o julgamento de valor através do “sucesso”. Ora, demos o exemplo do sucesso em loteria, e percebestes que o engano não variou por conta disto, embora o “vencedor” tenha se acreditado em “sorte”. Não há acasos no plano de Deus para a salvação, mas tu podes te atrasar muito, enquanto tentas dirigir a correção. Obviamente, tudo pode ser utilizado pelo Espírito Santo em teu favor, mas dificilmente uma prerrogativa diretiva será o caminho em salvação, se ela estiver destacada em mágica ou miséria ilustrada.
           
            O “caminho do outro” não existe, por isso a inveja é uma repetição. Repetir o mesmo não é possível, pois o mesmo está, em nosso currículo, associado à unificação. Portanto, repetir, no contexto da separação, parece valioso, pois o caminho do “sucesso” já foi trilhado por outros, com ênfase na distância entre a felicidade destes outros e a tua miséria. A diferença em vontade de alcance, ou repetição, é definida como “inveja”. Parece que tens mais ou menos que um outro Filho de Deus. No entanto, os dois tem tudo.

            Segurança surge no contexto da devoção. Agradece a Deus pela tua sanidade restaurada. Perceba o quanto o amor de Deus te abrange em alegria e amor diante de dias bons que tiveste em isenção de vontades ou desejos. Não apeles para a miséria em busca de sorte ou empenho em favor daquilo que não é para ti. Não temas os eventos aos quais nomeias “acaso”, pois não podes construir nada em imagens que não venha de tua mente, e acreditar em “maldade do mundo” é acreditar em mágica. E não penses que há uma revelação ou impulsionamento do mundo em direção àquilo que te machucaria, pois não podes julgar o que o mundo é. Mas disciplina a tua mente. O caminho te foi dado. Ver o mundo real é absolutamente possível para qualquer um, e este é o único caminho ao qual o teu irmão passará contigo, mesmo que isto ocorra aparentemente em diferença no tempo. Nisso não há inveja. Desejar a salvação não é salvação, mas aquilo que pedes mediante Sua Vontade, Deus proverá.

            Adicionalmente, não há mensagens no mundo. O mundo é bem uma fabricação densa de teus pensamentos. Mas como teus próprios pensamentos são símbolos do que estás a imaginar ser, o mundo passa a ser a ilusão densa de tua imaginação. Enquanto quiseres te machucar a ti mesmo, experimentarás um mundo impiedoso, variando em suas formas como “falsidades”, “injustiças” etc. No entanto, a correção está em ti mesmo, disponibilizada por Deus, sendo portanto infalível. Escuta-A. Os meios te foram dados. Esperamos por ti em paz.


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terça-feira, 5 de março de 2013

Sobre a renovação





               O aspecto devoto às imagens surge da própria devoção à culpa. A culpa mantém as imagens em pensamento conforme mundo. O novo, em sentido mesmo de “novidade”, surge em comportamento como sendo aprazível, pois tem para si a vantagem de instituir as características renovadas nas imagens que vês, reforçando a separação, pela possibilidade de “o novo” fazer com que o tédio se vá. Ele instrui a tua mente a ver a culpa aliviada, pois o que vês como novo remonta às possibilidades higiênicas da projeção. No entanto, já vimos que o empenho devotado a um oposto invariavelmente ativa o outro, e o que é novo, diante desta perspectiva, será apenas o velho, ou a mesma velha ideia renovada, pois as ideias não deixam sua fonte, e a fonte da culpa é sempre esta: a ideia de que o Filho de Deus separou-se de Seu Pai.
              
               Não há variação acerca do que é verdadeiro. A culpa associa as imagens que vês à projeção de ti mesmo, e se a projeção de ti mesmo surge diante de um contexto em culpa, o ataque será tua única fonte de defesa. Desta forma, o mundo ameaçador parecerá real.

               A busca pelo novo projetado nas imagens é uma tentativa de salvação pela mudança de lugar. O novo aparece no contexto da alegoria, apresentando diversas formas diferentes, e através deste mesma diferença ele advoga que tudo agora está “mudado”. Obviamente, a mudança não é estabilidade. Os caracteres da mudança são voláteis e totalmente variáveis, aderindo hora a um oposto, hora a outro, e o que se vê em contraparte é uma decisão em favor do mesmo: o apelo do Céu ao filho de Deus, para que ele se lembre de disponibilizar-se ao Espírito Santo.

               O novo também associa a possibilidade de novos ataques ao que é venerado em forma de ídolo. A idolatria é uma associação ao que é benéfico diante de um deslocamento. A projeção em ídolo afiança que a imagem, em ação ou não, passa a ser o próprio Deus, ou o Filho de Deus, em projeção, por fora de ti. Ele é cultuado como uma memoria associativa, na qual Deus pode ser rememorado, mas em imagens e, portanto, através da culpa. O ídolo bem adverte sobre a culpa, pois ele mesmo não pode “perdoar”, sendo imagem e origem da culpa. A idolatria é, portanto, uma fórmula em enganar, na medida em que apanha uma parte das imagens e a associa ao amor, através de uma devoção em sentimento, pois o ídolo sempre envolve um sentimento de pertencimento e apego, ao que se refaz em imagens, e pode mudar de lugar frequentemente. Ele precisa do signo da novidade, mas pode muito bem asserir suas certezas por longo tempo, pois seu caráter “renovador” emprega, através de teu apoio, diversas situações nas quais o amor de Deus é devotado ao que se diz novo ou renovador, mas é apenas projeção em idolatria e apego à separação.

                O amor que vês no teu caminho não é novo, mas aparenta ser uma novidade para ti. Tens uma memória do amor muito viva em tua mente, e podes acessá-la quando quiseres, se estiveres disposto a isto. Não são as novas imagens que fazem de ti mais feliz com o mundo, mas as mesmas imagens do mundo, renovadas. O novo é um ídolo em competência pela atenção com brilhos falsos. Parece que o novo desfaz o que podia ser estabelecido novamente em tédio, pois ele fornece imagens fresquinhas a tua frente, e podes postergar o tédio por mais alguns instantes.
              
               A criação não é nenhuma novidade, mas parecerá para ti uma renovação. Um talento há muito esquecido pode parecer o novo, mas é apenas a associação do real com a memória. Como o real sempre existiu, não pode ser chamado de “novo”. O novo não reaparece em formas diferentes, pois na verdade, o novo não existe.

               Novos pensamentos são apenas diferentes formas de executar o mecanismo da separação. Gerarão imagens diferentes, se pensares de forma diferente, mas isso não significa que as imagens aparecerão em um lugar diferente. O modo de ver, com a verdadeira visão, é que se torna diferente, e a renovação surge de acordo com a perspectiva devotada ao sucesso. Dizemos “sucesso”, pois queremos que entendas que a disposição às imagens certas é sempre um degrau a mais na escada para o Céu.

               Portanto, o novo não surge do rearranjar do velho. As mesmas formas de pensamentos, devotadas aos mesmo erros, são apenas suposições de novidade, e o máximo que alcançam é a fomentação de ídolos, para devotares os aspectos da renovação aos pressupostos anacrônicos da projeção.
               Deixe que as imagens novas ocupem em tua mente um lugar isento de projeção. O novo parece bom, e o velho desgastado ou mau. As imagens não boas nem más, elas representam apenas teu estado mental. Se vês um mundo novo, podes ter novos sentimentos de culpa a surgir; mas se vês o mundo renovado, então há mudança real, e a certeza de um novo dia é garantida pelo revelar do mesmo.


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segunda-feira, 4 de março de 2013

A defesa como culto à morte



               O amor é a verdade que te libertará. É Ele Que traz as boas novas! A culpa estabeleceu por muito tempo no teu coração um terreno arenoso, no qual podias ver as imagens do mundo sem se preocupar com tua responsabilidade acerca delas, mas ao custo de uma vida totalmente inserida nos contextos tortuosos que a irresponsabilidade traz consigo. A culpa possui em si uma forte inclinação ao desleixo, pois ela insere o filho de Deus no contexto da isenção em relação ao próprio desleixo, definindo a ti mesmo como sempre merecedor de punição, eternamente devotado à defesa, para reorganizar as coisas.

               Defender-se é, em última instância, apropriar-se indevidamente do amor. Acreditas que o amor próprio, assim entendido, é valioso como “instinto de preservação”. Tal “instinto”, definido obviamente pelo ego no decorrer de tua “maturidade” como necessário, procura envolver uma decisão meritória de tua vontade mediante uma correção dos teus atos, a fim de associar ao teu comportamento uma disponibilidade ao certo, segundo o ponto de vista do ego. No entanto, ele te diz o que é certo, e empenha-se em fazer-te defender-se disto com toda força que puder, para que tu te detenhas em guarda contra este ou aquele comportamento; ou das pessoas que, segundo o julgamento do ego, são portadores de algum maligno modo de ser. No entanto, como convém ao relacionamento especial de amor, o próprio certo será visto como errado, e o errado como insano, e não há perdão em relações assim.

               A defesa surge em guarda contra o amor. Apenas isso. No UCEM está dito que as defesas trazem uma miniatura do sistema ao qual querem te resguardar. Isso é bem verdade. A defesa monta uma estrutura em defesa de si mesma, pois ela precisa “ir lá fora” como julgamento para “voltar” como defesa. É uma única coisa, dividida em duas para pressupor diferenças e, assim, polaridades de “certo” e “errado”. A liberalidade não é a correção disto, tampouco a anarquia, pois seriam a tendência ao outro pólo que todo empenho devotado à miséria demanda. Dissemos “empenho”, pois um grande esforço em aderir em relação a si mesmo um propósito santo, trará como pressuposto, se tal proposta for apenas em verniz comportamental, um grande investimento na bagunça, sob a forma de “correção”.

               A santidade não é postiça. Tampouco precisa de defesas contra o que quer que seja, pois o fato da santidade ser inviolável e incólume pressupõe prescindir de quaisquer defesas.  De quê poderia o invencível se defender? O santo em defesa é um santo em comportamento. Não pode manter-se sempre incólume. O UCEM é claro neste ponto: “os que são parcialmente inocentes estão aptos a ser bastante tolos, às vezes (T-3. II. 2:2)”.  

               O empenho em correção surge na entrega verdadeira. Ser devotado ao comportamento, ou a uma causa, é um embuste que apenas pode atrasar. O mundo está cheio de causas, e os opostos destas causas precisam ser reforçados para que elas mesmas possam existir. “Quando um não quer, os dois não fazem tempestade em copo d’água”. Até onde é possível saber, o empenho da defesa só é possível na crença em ataque. Seria possível se defender sem a crença no ataque?

               Portanto, a principal arma da defesa é a crença em beligerância. Não há nada a se conquistar aqui, mas isso não podes saber enquanto deres ouvido ao ego. Não há nada fora de ti que possa te ferir. O teu consentimento em sofrer fez de ti um “pecador”, pois estás a ver que “aqui se faz, aqui se paga”. Não há garantia sequer nas citações: hora podem te apoiar, hora não, pois és tu quem as escreve e divulga. A tristeza vem de um apagar das verdadeiras emoções, em trabalho devotado aos inversos, pois teimas em crer ainda na injustiça.

               Não existe injustiça para o espírito! Tudo o que ele vê é o céu e o amor entre iguais. O igual prescinde de oposições. Assim, as defesas são desnecessárias e o amor pode ser a si mesmo, sem temor algum. A defesa surge do medo, tão claramente como o amor surge do perdão. O perdão ocorre mediante uma total entrega às imagens sem negar-lhes responsabilidade. “Meus pensamentos são imagens que tenho feito!”. Por favor! Lembra-te que vieste para a salvação do mundo, não para embirrar-te dele, ou contra ele. Ele não existe! Como podes ter raiva do que não existe?

               No entanto, para ti, neste modo de pensar, “parece” que existe um mundo. É bem uma mágica mesmo, “uma vasta ilusão”, realizada em teu sonhar humano — mas que são lindos em forma de humanos, isso é sentimentalismo! O corpo não é o que tu és, mas ele pode transparecer beleza em etéreas formas, pelo que evoca, e não em si mesmo, pois em si mesmo ele envelhece e murcha e morre, mas tu nunca podes morrer, pois a morte não existe!

               Quem morre, então? Quem teme a morte? Se a morte é o fim inevitável, ao qual devemos nos devotar em esperança de “demorar um pouco mais”, então é justo te defenderes tanto, não é mesmo? Percebes, então, que a defesa é uma crença na morte? A defesa é uma total disponibilidade na crença doente e maléfica em poderes morrer com teu corpo. Ela pede tua aliança em nome do ego, enquanto o ego acreditar que ele mesmo és tu, e que o corpo são vocês dois; pelo que, se morreres tu e o teu corpo, sobraria apenas ele mesmo, separado de tudo. Esse raciocínio está pautado nisto: é possível separar-se absolutamente de Deus e vencê-Lo! Obviamente, através da morte do corpo e do assassínio do filho de Deus. Quando te defendes, é a isso que veneras. Queres mesmo continuar com isso? Achas que esta meta está “certa”?

               Quando te defendes, chamas pela morte. Se chegarem a ti imagens terríveis, tu não te entregas a elas em inocência parcial. Enquanto não estiveres disposto a uma entrega total, obviamente surgirão para ti, nisto que chamas “mundo”, imagens de ataque. Mas tu não te defendes. Tu as perdoas, vês nela o amor, ou o pedido de ajuda, e assim te libertarás, dando de volta a tua própria ajuda! “Tu amas a ti mesmo assim como amas a teu irmão” quer dizer isto. Mas se te devotas a consertar o erro ou a defender-se do errado, atrasa a ti mesmo em opostos, caindo no zelo e na ganância voluptuosa do “querer mais”.

                “Isso não é possível sem alguma dor (suplementos)”. Mas para a criança, como bem é ilustrado no Curso, para a criança, tirar-lhe fora a faca, ou o brinquedo que machuca, parece ser uma coisa terrível em seu julgamento confuso de criança. Parece doer em si. No entanto, aos poucos, a própria criança passa a entender que algumas coisas não são úteis, e pode brincar de novo, com a responsabilidade que viu e aprendeu. Não foi a dor quem a ensinou, mas o amor, pelo que a dor significou em si a teima. Enquanto teimas em te sentir separado, sentes a dor da separação. Se não estás consciente desta dor, chamas de prazer e “maturidade”. Se estiveres consciente dela, percebes que estás apenas “soltando”, “deixando para lá”. Decerto, quando percebes o denso do corpo em si e a natureza das imagens como culpa, o peso destas coisas destacando-se de ti soa e forceja como uma tira em largo velcro, despregando-se em resistência, quando poderia ser o mero zíper, ou apenas o afrouxar dos botões em camisa leve, em Casa Larga.

               Amado irmão. Querido e amado em disponibilidade, aprende isto: defender-te é atacar a ti mesmo. A melhor defesa é nenhuma defesa. Não podes perder, se te assumes honesta e humildemente como Filho de Deus, pois assim sabes que és invencível, e o invencível não se defende, pois não há para ele vitória ou triunfo a cumprir. Ele é, em si mesmo, “o princípio, o fim e o meio”.

               Pai, viemos ainda e novamente em emoção, para destacarmo-nos de tudo o que nos anima ainda em corpo, e sabermos o que é a Verdade em Ti, Meu Pai. Pela natureza inquestionável de Tua Revelação, esperamos; em humildade, assumindo sermos Teu Amado Filho, pelo que nossa vontade é lembrar-se de Ti. Não nos defenderemos, pois sabemos que em Ti somos mais que invencíveis, além das categorias, pois descansaremos em Ti. Abandonaremos o ataque e o ódio, pois já sabemos da natureza amorosa do que é verdadeiramente nosso, ainda antes da Revelação, nesta ilusão de tempo, a qual eu mesmo criei e não mais a quero, mas perdoo as imagens que criei em meus irmãos. Salva-nos a todos, Pai, nosso, amado, MEU PAI, TEU FILHO Te chama. Amém.


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domingo, 3 de março de 2013

A cura da culpa através do amor




                A cura da culpa, então, ocorre através do Amor. É Ele quem a desfaz. Como poderás amar a ti mesmo se te vês solitário e desvalido. E, assim, pressuposto em escassez, como conseguirás atingir em ti mesmo uma reconciliação com o amável?
               Já vimos ontem a questão da culpa como geradora das imagens conforme as vês. Remetemo-nos à complexidade do tema em questão, de certo modo satisfatoriamente. No entanto, a revelação metafísica está além do aprendizado, e preferimos ficar naquilo que é o trabalho palpável, no dia a dia de nossa ilusão em separados, para alcançarmos a meta de modo prático. Muita metanoia pode causar especulação em assombros, e parecer fornecer atos desvendáveis daquilo que está óbvio, mas não vês. Portanto, hoje, ao invés de tentarmos simplificar a “dificuldade” do simples, vamos aprender sobre a simplicidade mesma do amor.
               És o Filho Amado de Deus. Nisso já confias um pouco. No entanto, amar é, para ti, ainda uma atividade passível de certa esquiva, pois ainda temes o amor. Decerto, a culpa fornece para ti pressupostos em imaginação, e aderes muito facilmente a eles, pois são o atestado da separação que ainda valorizas. Se não a valorizaste, como não a valorizaste? Se ainda acreditas que alguém ou alguma situação é temerária? Tens medo de te revelar amável por conta da fragilidade que isto mostraria. Achas mesmo que a tua força é frágil?
               O amor parece que te deixará sem saída, pois todos poderão se aproveitar de tua inocência e te atravessar o coração indefeso em baixa guarda. Irmão, somente se estiveres em guarda surge o ataque. Tu não serás atacado por ninguém, se não tiveres tu mesmo pensamentos de ataque. Isto é o que tu acreditas ser o teu “direito de resposta”. É mesmo um raciocínio bem circular!  Acreditas que, se amares alguém, este alguém verá que tu és frágil e bobo tonto, capaz de receber todos os tipos de pedradas devotadas aos mártires, pois é bem verdade, em teu raciocínio perturbado, que o martírio parece favorável aos amáveis, e para ti, que és um amável temeroso, o caminho do mártir parece desejável.  
               O ego, então, em seu perceber de tua dedicação aos inversos, te diz, sorrateiramente, “pois é melhor ficar aqui, se defender; sempre é possível encontrar alguém amável”, mas “esse alguém” a quem ele se reporta é uma criatura no futuro, nunca sendo aquela que está a sua frente, pois para o ego, mesmo no agora do teu corpo, as pessoas são só a tela de muita projeção de ódio, ou relacionamentos especiais de amor. Passemos disto com este simples aprendizado e com uma devoção em coragem: baixa a tua guarda! Não precisa ser todo o tempo, mas tenta, de agora em diante, em circunstâncias menos comezinhas, a pedir ajuda em disponibilidade. Joga-te, assim como quem fosse pular no mar, e diz: “irmão, vamos juntos, tu e eu”, que é o caminho da Canção da Oração. Grande belo mergulho será, com visão de Netuno e Glauco, pelo que, nas metáforas mitológicas, advogamos a separação em um instante, para dizer da segurança que são os deuses do mar.
        
Não há deuses além Dele, decerto. Para quê, senão em amor, julgaríamos? Quando dissermos um nome, não temas isto, mas antes ames a isto, e a correção virá imediatamente, pelo próprio amor. Isso é o que se chama segurança. O amor traz a segurança da verdadeira guarda, que são os anjos de Deus, dezenas de milhares de miríades, todos em teu favor, demonstrando, em ato, que quando não vês amor, estás a ver um pedido de ajuda. E assim poderás dar ajuda e receber!

Se te mantiveres em guarda, darás mais de guarda, e porrada! Mas isto na matéria não te é possível, já tens ao menos a sanidade de evitar o corpo ao ponto da arma. Mas a porrada surge em ato nas mil formas do ataque, em separação. A única maneira de veres amor e o pedido de amor é disponibilizares a ti mesmo à Ajuda, abandonando tuas defesas. Quem não guarda defesa, não tem culpa.

            

                 Portanto, o que serão as imagens vistas por aquele que se redimiu da culpa? Serão apenas as imagens do amor, em esforço algumas vezes, deveras, pois ainda vês o amor como uma dificuldade. Mas mediante a disponibilidade em apenas amar e dar amor, terás de volta, seguramente, a responsabilidade do mundo em tuas mãos. Assim, aceitarás “a vida como ela é”, verdadeiramente. 



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