terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Sobre a responsabilidade.


         


            O que significa “assumir a responsabilidade por este mundo?”


            Assumir a responsabilidade por este mundo aparenta ser algo muito difícil, pois visaria compartilhar de deveres que não são teus. Assim, o que compartilhares terá que retornar a ti mesmo como recusa, pois o que é de outro não é assunto teu, a não ser através de procuração, piedade ou alguma forma de assunção que faça o teu irmão passar a ser dirigido por ti. Essa é a responsabilidade segundo o mundo a toma; e acredita que assim, dirigida para fora, pode ser real.

            As relações sociais são apenas atributos que devotam ao sonho a noção de “caminhar”. Tua responsabilidade em relação às “ficções sociais” estão associadas às tuas necessidades de criar, estender. O conhecimento não é uma ficção ou um símbolo utilitário. Obviamente, podes argumentar com muita facilidade em favor da atribuição disto ou daquilo como um óbvio valor da “humanidade”, e uma “conquista”. Pensas, portanto, que o mundo que fizeste está “crescendo”, e este valor assume o caráter temporal da expansão, ou criação, de forma equivocada, pois o princípio que estabelece este raciocínio está totalmente comprometido com reter o mundo conforme sua noção de conforto. É tão circular em seu raciocínio que acredita que a história pararia por aqui, e não lembra da queda dos impérios, das transições das eras e o óbvio recrudescimento da matéria, conforme é o caos do universo que criou.

            Não há realidade no mundo, e a responsabilidade pelo mundo não é uma averbação ou uma dedicação voluntária às suas formas. Isso pode parecer cruel e devastador, pois assim é, quando projetas a tua responsabilidade em uma ONG, uma forma de poder ou uma causa séria a se defender. Quando é dito no UCEM que o mundo é o contrário do Céu, quer-se dizer que fazer sentido não é real. O real tem a ver com o significado. O significado santo das coisas sempre parecerá loucura para o mundo, pois o mundo, sendo insano, vê a sanidade como o seu oposto segundo sua ótica. É tão verdadeiro que, no mundo, pode-se argumentar em matar em favor de uma causa justa, ou em punição como instrumento de aprendizado.

            O contrario disto é tão óbvio e triste que não falaremos aqui. Falaremos então da REAL acepção da responsabilidade.

            Quando acreditas que um homem pode dirigir a sua própria vida segundo uma vontade alheia à Vontade de Deus, ocorre uma divisão entre a sua mente e a mente certa, surgindo o que o UCEM denomina “mente errada”. A mente, então, passa a ser dirigida por um propósito totalmente alheio ao que é, diferente de si mesma, e assumindo sobrecargas. Uma vontade dividida passa a ser a sua concepção de mundo, pois, embora ele pense que está sob direção exclusiva de “sua vontade”, o Espírito Santo “concorre” em favor de Deus, ganhando sempre. A sensação de “perda”, advinda de uma óbvia duplicação de si, favorece ao sujeito pensante um memorial recorrente, ao que chama “história de vida”, e é a esse memorial que ele recorre quando precisa “acertar as contas” com suas “derrotas”. Seu pedido de ajuda, no entanto, é recebido e cumprido, conforme sua necessidade é vista por Aquele Que Sabe o que faz. Então, surgem duas vozes na mente do devastado: a sua construção infantil e gloriosa, mediante o empenho em ser alguma coisa e o destaque nisto, e a Voz Que fala por Deus, que fica abafada, pois não pode invadir a mente do Filho de Deus sem a sua permissão para que possa falar com a gentileza e amor esquecidos por ele. O ego acredita, portanto, que uma vez construído, feito, ele tenha sido criado, e que nasceu neste mundo. Ao corpo que foi dado o nome, se empreende “construir este nome”, até a maturidade e a possibilidade final de seres “responsável”. Para o mundo, este é o pensamento responsável. No céu, caso fosse possível, isto seria percebido como uma espécie de anarquia.
           
            O amor de Deus pelos Seus Filhos está além de tudo o que ele possa pensar sobre si mesmo. Sua agonia em deter-se e esperar em sua fonte construída é totalmente delusória, e a verdadeira responsabilidade ele não gostaria de assumir, pois implicaria em primeira instância em assumir que estava errado. Disso, o ego não gosta; e ele, identificado com o nome que recebeu e se deu, acredita que é uma vontade apenas...o Filho de Deus acredita agora que foi reduzido a um impulso.

            A responsabilidade verdadeira, que virá de uma completa deteminação em ver a si mesmo sem medo, não está atrelada ao que é nomeado como “virtude”. Para o mundo, a virtude está em acepção errônea, associada ao comportamento. Não podes dar vazão ao comportamento, disso já passamos, mas o que a responsabilidade real traz é uma associação entre o que o indivíduo aceita como seu e o que é realmente seu transitando no mundo como formas de amor. Isso parece difícil de entender, mas é muito claro, e para tal daremos um exemplo:

            Digamos que quisesses pescar um peixe. Então terias que ter disponíveis linha, anzol, ou uma rede, mais a isca, a fonte dos peixes: o mar, um rio etc. Depois de tudo pronto, acreditas que estás pronto para pescar o peixe. Mas então, pedes sorte, ou procuras um “bom lugar” para pescar. Tudo isso justifica o sonho e parece ser um razoável planejamento. Afinal de contas, não podes chegar à beira do mar e dizer: saia peixe! Pois isso seria mágica para ti. Pois eu te digo: mágica é preparar tudo com o intuito de associar o que és ao teu trabalho, sem antes quereres verdadeiramente o peixe. O sonho, portanto, é capturar o peixe, e não ter o peixe para si. Obviamente, pescar não pode ser tido como um “ato mal”. Mas contratar o peixe é como ater o que se quer ao que precisas, e isso é muito difícil de se falar sem decorrer em sérios julgamento egóicos contrários e temerosos.

            Esse exemplo é uma fábula, uma história da carochinha, não pode ser entendido literalmente. O trabalho acontece na vida de uma pessoa neste mundo com a necessidade que sua linguagem contém. Foi necessário muito trabalho para que Um Curso em Milagres viesse à publico, e um grupo pequeno de pessoas se esforçou às duras para que acontecesse. Sua responsabilidade estava no que sentiram e perceberam quando estiveram presentes ao mundo como guias e professores do Curso.
           
            Portanto, assumir a responsabilidade por este mundo não pode ser um encontro com o mundo em suas formas literais. A responsabilidade de que fala o UCEM vem de entenderes que a metáfora “mundo” implica em dizeres que um sonho em imagens está proposto, e não tens nada a ver com isso. Passas então a nutrir o mundo, a partir do momento em que dás e não quando buscar receber. O perdão passa a ser o veículo de nutrição que permite a ti perceber o mundo como uma nova tendência de teu ser, associada a uma maneira singular de apresentar a ti mesmo como Outro, mas sendo este Outro o teu verdadeiro Ser, que em nada se parece com aquele que visavas construir. O Ser, a revelação, é uma redescoberta. E tudo que vem dela é dado, não pode ser construído.  A responsabilidade verdadeira está em assumires as imagens do mundo como sendo a tua fabricação do mundo. Não podes consertá-las, mas podes dar de ti para elas, conforme sejam atribuídas a ti, serás “recompensado”.

            Uma forma real de assumires a responsabilidade por este mundo é saberes que uma ideia não pode ser associada a nada que não pertença a si mesma. Assim, Deus é uma ideia e as associações de Sua Vontade neste mundo também são partes de Sua Ideia. Por isso se fala no Curso em "estender". A Mente de Deus é uma acepção holográfica, a qual este mundo não está associada, pois o mundo não pode ser envolvido com a Mente de Deus. Os “fatos” que ocorrem no mundo são meras associações de vontades desenvolvidas em sequencia para atestar o tempo como co-autor do mundo. O verdadeiro autor do mundo é o Filho de Deus que acreditou estar capaz de separar-se, conforme já vimos. No entanto, a Mente de Deus abrange a REALIDADE de Seu Filho, assim, as criações do Filho no mundo são as únicas coisas passíveis de estender o amor aqui.
           
            Assumir a responsabilidade pelo mundo é também criar. Precisa dar para poder criar. Não há como reter o teu potencial criativo e “fazer um nome”, sem que isso tenha a ver com a falta de responsabilidade. Ser responsável é assumir consigo mesmo o comprometimento verdadeiro de olhar apenas na direção de Deus. Para isso, precisas entender que “és responsável por aquilo que cativas” e mais. Pois o sentimento sozinho não é capaz de dirigir com sabedoria tua certeza. Precisas entender que o teu “mundo”, a que deste nome, pelo qual te chamas e que chama por ti, não existe, mas precisas estender o amor a isto, se quiseres escapar, assumindo assim a responsabilidade verdadeira, que não vem de ti. No entanto, diante de uma total discriminação de teu ser perante uma vontade alheia, pode ser "destituída" por uma verdade fabricada, que não é compatível com o que és, e fica borbulhando em tua mente como uma certeza desprovida de amor.

            Responsabilidade é amar e “ver o visto”. Ao vê-lo, não o julgas, e ama-o. Apenas assim se está sendo sincero com o que se é. Apenas assim poderás fazer o que o mundo precisa para ser melhor.
           
            Pai, estamos assustados com o que escrevemos, e pedimos ajuda para que possamos entender verdadeiramente, durante a vida, o que é ser responsável. Queremos amar, meu Pai. Estamos saudosos de nossos irmãos. Teu Filho Santo é teu amado, e pede que veles por ele, e responda à sua ansiedade em reencontrar a Ti, Amém.



.
            

Nenhum comentário:

Postar um comentário