sexta-feira, 1 de julho de 2011

Curtas de Um Curso em Milagres I - Regina - Soltar a mim mesma.

Obrigado a ti!


Saudações.

Caríssimos companheiros de jornada:

                Tenho recolhido alguns vídeos no You Tube relacionados ao UCEM. Há uma série nomeada “Curtas de Um Curso em Milagres”, na qual pessoas de todo o mundo tecem depoimentos sobre a experiência do despertar. Desta série, apresentarei aqui alguns  depoimentos, e tecerei comentários sobre o tema central do vídeo em questão. No primeiro vídeo desta série, apresento o depoimento generoso e amável de nossa irmã Regina.
Ademais, agradeço por estares Aqui. És bem vindo a este blog. Te Amo.

               
              
                 A imagem de mim mesmo.

                “Soltar” significa o mesmo que a noção de “desapego”. No entanto, a abrange, pois o desapego ainda lida com o desejo e as formas. O “soltar” está ligado a abrir mão inclusive do sentido das coisas, que ocorre através da ansiosa busca por respostas. “Soltar” é uma experiência que aproxima o filho de Deus do significado das coisas.
                Por isso, dizemos que o sentido das coisas apenas é capaz de fornecer respostas significativas quando estamos no estado natural. “Soltar” aproxima a mente do estado de abstração. Já a “identidade” está apegada a uma noção que se tem de si mesmo. Assim, esta noção não pode ser divulgada de maneira unívoca, pois cada um cria uma imagem de si mesmo. Esta imagem é única e pertence àquele que a criou, pois foi ele quem a criou. No entanto, o intuito em desfazer empreende aqui uma noção lógica: se o filho criou o ego, quem criou o Filho? Assim, lembramos de Nosso Pai, que nos ama com a qualidade do infinito. Isso eu digo, e atesto.
                No entanto, o “eu” é apenas uma noção, uma referência. Por exemplo, eu tenho uma referência de amizade que se chama Vitor Meirelles. Mas Vitor Meirelles é uma referência ao nome do meu amigo, que é como experimento sua existência no mundo da percepção através do nome do seu corpo. E o corpo de meu amigo me lhe dá uma noção de sua existência. Assim, diz-se no filme “Waking Life” — que muito recomendo — que a coisa mais incrível deste mundo é estarmos uns diante dos outros. Isso já é motivo suficiente para a experiência do amor surgir para ti, quando qualquer irmão se apresentar na tua frente.
                “Se tenho que recordar quem eu sou, o que tenho que fazer realmente é deixar ir essa imagem de mim mesma”. Aqui há a referência real ao ato de despertar. Para recordar quem eu sou é necessário esquecer o ego. Deixar ir essa imagem que criei e entregar-se definitivamente à experiência do significado, que está ao encargo do Espírito Santo.
                Obviamente, essa experiência é experimentada por nós como sendo muito difícil. Mas busco fortificar a minha fé através de duas coisas:

1 – tenho fé perfeita no UCEM, quando diz: “O caminho não é difícil, mas é muito diferente”. (UCEM – Cap. 11, Subtítulo três, §11).

2 -Acredito que a Expiação se encarregará em realizar tudo aquilo que não sou capaz mediante meu estado atual de aprendizado. Assim, entrego nas mãos do Espírito Santo minha condução, embora seja eu mesmo também um bastante demais aprendiz.
                Tatuei em meu ombro esquerdo a palavra “paciência”. Assim, busquei a ilusão da matéria que naquele momento me apreendia significado. Mas minha tatuagem é imagem, pode existir ou não nos corpos, mas é ilusão, e deve ser assim entendida, pois isto provoca o bom desapego.
                Então, como lidar com a aparente existência das coisas e ainda assim apreender a abstração? A resposta é: soltando, pois a “cada vez que retorna a minha própria imagem, me faz esquecer quem eu sou realmente”. Portanto, a cada vez que a imagem que me dei retorna a mim como sendo o que sou definitivamente, me desconecto da capacidade abstrata da mente, que não precisa da imagem de mim mesmo para existir. Por isso se fala em desfazer. A imagem de mim mesmo é um julgamento que me dei, e partir dele acreditei que era eu quem estava no mundo, muito vitimado por ele, pois a minha imagem não detém o controle das coisas, e para sobreviver precisa de muita projeção, muita tentativa de fazer do mundo também uma imagem construída, jamais dada.
                 Mas disso falarei com maiores detalhes no próximo vídeo, da irmã Adriana. Por enquanto, nos ateremos à noção de soltar. Como, então, soltar? Começa com

deixar ir, soltar as nossas próprias ideias, as minhas próprias ideias, e cair nesse instante santo, puro, de inocência, de nada, onde sua mente está totalmente fora de controle, e seus pensamentos..........a sua mente está num estado natural, a nossa mente está num estado de nada, num estado de abstração, que é a verdadeira natureza da mente. Aí você soltou tudo, você deixou ir, você recebe; sempre, sempre eu vou receber algo divino, algo real
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                O estado de pura abstração é o vazio. Ocorre sempre que não queres ser o dono do que pensas. Ocorre quando as conclusões a que queres chegar não estão atreladas a um objetivo que as levem unicamente ao sentido, mas a um significado. Acaso pensas em falar, mas não falas por ti mesmo. Tu te entregas a experiência de ser conduzido pelas palavras, até que percebes tuas palavras revolvendo a Fonte e te trazendo uma noção por vezes muito diferente do teu habitual modo de pensar. E te sentes gratificado por isso. Ocorre também com os gestos do corpo e com os sinais da experiência cotidiana. Guimarães Rosa dizia que há sempre um milagre que não estamos vendo. Assim, podes acreditar que o contrário de soltar é deixar, mas lembremos que todos os opostos se elidem no perdão. Desta forma, deixar também ajuda, e não me ocorre nada no momento melhor para criar que citar as sábias palavras de Chico Science, que estende  amavelmente em uma de suas músicas um belíssimo discurso, pelo qual entendo que soltar é o mesmo que “deixar que os fatos sejam fatos naturalmente, sem que sejam forjados para acontecer. Deixar que os olhos vejam os pequenos detalhes lentamente. Deixar que as coisas que lhe circundam estejam sempre inertes, como móveis inofensivos, para lhe servir quando for preciso, sem nunca lhe causar danos, sejam eles morais, físicos ou psicológicos.” Deixar as coisas, as pessoas, os eventos serem, é soltar. Soltar é perdoar tudo que te circunda, tudo o que vês como sendo o mundo, e o mundo são coisas, pessoas, eventos, imagens, que não são o que tu és, mas insistes em criá-las.
                Assim, nada te contenta. Pode-se perguntar a qualquer pessoa ainda ativa em seu experimentar do ego algo mais que ela queira, e ela sempre acreditará que precisa de algo. Irmão querido, isso não é assim. Os eventos se sucedem e acreditas que deves ser levados com eles. Soltar é deixar pra lá. Isso não significa que lançarás a ética ao espaço e farás loucuras, te perderás no que é tua vontade e serás finalmente lançado ao fogo do sei lá o que. Irmão, doidice total. Se te entregas a Deus, como assim não dará certo? Lembre-se do que diz o UCEM: não estás sozinho em tua jornada. Irmão, lembra-te agora do exercício 18: eu não estou sozinho ao experimentar os efeitos do que vejo. Então, lembra-te do exercício posterior: eu não estou sozinho ao experimentar os efeitos dos meus pensamentos. Isso é suficiente para teres calma. Não terás que fazer nada! Isso não é incrível? Não queres viver livre, tendo para si todos os teus pensamentos motivados por Deus? Pois “soltar” te levará inevitavelmente a isso, pois quando soltas, sempre vais receber “algo divino, algo real”. E “as coisas reais vão se apresentar na tua vida.” Não queres isso? Sei que queres, e o terás. Nesse momento dizemos a Ti, Espírito Santo, que estamos dispostos a atender o teu chamado e aceitar as tuas palavras como nosso guia. Queremos Te ouvir, e estamos dispostos a soltar todos nossos auto conceitos pelo Teu entendimento, que é o nosso. Assim, nos libertamos de toda nossa louca vontade de comandar, e soltamos as imagens, as palavras, as ações, para que nos guies àquilo que é nossa vontade, como é a Tua. Obrigado a Ti! Amém.

Sugiro agora que o leitor reveja o vídeo da irmã Regina. Obrigado por leres até aqui. És bem vindo aqui. Te amo.

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