quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Diálogo sobre o medo

Obrigado a ti!

Pergunta: se o mundo que vejo é uma ilusão, como faço então para auxiliar a mim mesmo para que eu veja o mundo real?
                Resposta: O mundo real é também um símbolo, como te foi dito nos exercícios. Símbolos abarcam diversas interpretações. O mundo real é o mundo dos símbolos gentis, nos quais vês apenas as tuas ideias gentis sendo apresentadas para ti em uma tela que inventastes, a que chamas “mundo”. No entanto, este “mundo” é apenas um passado muito antigo, que queres rever a qualquer custo, mediante uma reinterpretação contínua de suas mudanças de forma. A única coisa que pode acontecer no tal “mundo” é a mudança de formas, pois tu já decidiste há muito tempo que querias deixar este “mundo”, e já o fizestes, apenas não tens consciência disto. Contudo, permaneces aderindo às mudanças de formas os teus “achismos” sobre as coisas, teus juízos, que apenas produzem na tua mente um estado de confusão que não permite a Visão.
                Pergunta: então eu também sou uma coisa passada?
                Resposta: O teu corpo é algo passado, que já se foi há muito tempo. Isso parece ser muito absurdo quando dito em formas literais, pois a noção que tens da experiência de estares envolvido com teu ego te fornece insistentemente uma prova de que vês o que está acontecendo agora. No entanto, este “agora” que o ego e tua percepção te mostram são muito relativos quando postos em perspectivas diferenciadas. Já o sabes que as galáxias que ficam há milhares de anos luz daqui, quando vistas ao telescópio, apenas demonstram para ti o passado delas, embora no “agora” de tua percepção tu vejas a imagem ocorrendo como se visses o que realmente há. Pergunto então: o que está acontecendo realmente no intervalo entre estes dois eventos?
                Resposta: não está acontecendo nada.
                Exatamente. Nada pode ocorrer entre o passado e o passado, pois são apenas referências entre estados temporais que não mais existem. No entanto, ainda experimentas este estado como se fosse real. Por exemplo, se ocorre uma dor em teu corpo, um arranhão ou um machucado, por exemplo, aquilo te parece ocorrer agora, correto?
Resposta: Sim. Pois eu sinto isto agora.
Certo. No entanto, a percepção apenas apresenta para ti aquele estado de sonho que acompanha a referência à dor que um machucado faz acontecer.
Pergunta: pode, então, um iluminado não sentir nenhuma dor?
Resposta: dificilmente isto ocorre assim, pois neste mundo separado, a dor é possível. No entanto, é possível uma grande tolerância a existência da dor, e até mesmo a eliminação dela em muitos casos que semelhavam impossíveis. Isto pode ocorrer facilmente através da mudança da mente.
Pergunta: ainda não entendo bem a distinção entre mundo real e mundo ilusório para além da teoria acerca dos símbolos. Como posso “vivenciar” o mundo real, se assim?
                Resposta: a distinção aparece aos poucos. No entanto, é preciso que, por um curto período de tempo, experimentes certa confusão, para que, através do conflito, possas estabelecer um contraste. O conceito de contraste é muito importante no currículo, pois é ele que te fornece a nítida distinção entre as opções. Tu já sabes que o poder de decisão é teu. Isso é tudo o que precisas saber. No entanto, decides sempre entre duas formas de pensar: esta, que te é oferecida agora; e a outra, a que te impõe tantos modos de mal ver ao mundo. Se não observasses a experiência de terror que esta última te fornece, como poderias escolher a minha ajuda? Eu sou teu professor, mas sou também a ti, que me esperas. No entanto, falaremos sobre isso mais detalhadamente em outra oportunidade. Por enquanto, para que possas distinguir bem, tente perceber em teu pensamento uma tendência às condescendências. Sempre que pensares em algo que precisa de uma causa no mundo para ocorrer, saibas que isso não é real. O “agora” que podes perceber e sentir não é real, mas parece real para ti. Para perceber exatamente a distinção, procure pelos sentidos não literais. Isso se faz da seguinte maneira: sempre que perceberes em ti algum medo, não lutes contra este medo, não o julgue através de uma perspectiva diferenciada sobre como deveria ser se não estivesses com medo. Este é o primeiro passo. Depois, se ainda estiveres percebendo a ti mesmo com medo, não enfrente o medo jamais. O medo não precisa ser atacado para ser destruído, pois não se destrói o que não existe. Algo que muito te ajudará neste momento é lembrares de algum pensamento amoroso. Em qualquer situação que temas, tenta perceber nas imagens que te são apresentadas algum elemento ao qual possas ter sobre ele qualquer pensamento amoroso, qualquer coisa serve, mas deve ser vista com verdadeira gentileza.
                Pergunta: pode ser um pensamento passado, algo como um evento restaurado de um momento bom em que tive com uma pessoa ou situação?
                Resposta: É preferível que neste momento de teu aprendizado tu possas apenas seguir ao teu coração mediante as imagens que te são dadas. Assim, procura nas imagens que vês ou nos sons que ouves alguma coisa que possas remeter ao amor. Procura nos olhares aquela ternura escondida sobre o duplo, que sempre vês. Apenas quando obscureces o duplo é que vês apenas ao ego de teu irmão. Não temas ao teu irmão, mas se em determinado momento estiveres tão confuso que isso não passe de uma teoria para ti, então tenta ver alguma coisa que julgas como amável ao teu redor. Esta coisa não precisa ser uma coisa boa conforme o mundo a julga, mas deve ser boa para ti. Assim, és honesto com as imagens, e esta é a única maneira de seres honesto contigo mesmo. É chegada a hora de desfazer o teatro do julgamento do mundo. Se fizeres apenas o teu empenho em ser a ti mesmo mediante o amor que é teu, não precisarás de um duplo para te dizer onde empregar o teu amor, pois teu amor estará distribuído pelo todo. Assim, aos poucos se descortinará para ti em cada situação uma “fatia” de imagens nas quais se pode estender a gentileza. Aos poucos, com boa vontade de tua parte, essa pequena “fatia” pode aumentar consideravelmente, e estejas certo que é assim que acontece, pois não há em nenhuma parte das imagens que vês apenas imagens de terror. Na medida em que permites “olhar para o outro lado”, isto é, ver alguma coisa com gentileza, mil anjos te oferecem o regalo da satisfação real, que é a paz e a gentileza do coração. Pode ter certeza que não há maior presente que este.


Obrigado por leres até aqui. És bem vindo aqui. Te amo.
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